34. Mt 10,26-33 – Podem matar o corpo.

“Não tenhais medo dos homens…”
“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo…”
“Não tenhais medo!”
[Mt 10,26.28.31]

No Evangelho desse domingo, 12o. Comum da Liturgia, Jesus repete por três vezes para não terem medo os seus discípulos. NÃO TENHAM MEDO!
Quem segue Jesus não pode ter medo.
– Primeiro ele diz de forma genérica para não temer os homens. Toda verdade é sempre revelada e a mentira é descoberta. Suas palavras devem ser proclamadas de cima dos telhados (vv.27).
– Depois ele repete o mesmo conselho, mas dessa vez direcionando: não temer quem persegue os que proclamam a verdade. Aqueles só podem matar o corpo, não matam a alma. Lembra bem o que temos em Mt 16,25:
“Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la;
e quem perder a sua vida por causa de mim, a encontrará.”
– E, pela terceira vez, fala para não ter medo. Mas agora Jesus é enfático e imperativo. Não podemos ter medo de nada.

Podemos dizer: Não ter medo é um imperativo ético para todo cristão.

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Não ter medo de nada!

Coragem é uma boa palavra de procurarmos na boca de Jesus, e seu uso nos evangelhos, veja:
– Mt 9,2 – “Jesus disse ao paralítico: «Coragem, filho! Teus pecados estão perdoados»”
– Mt 9,22 – “ao vê-la, disse: «Coragem, filha! Sua fé curou você.»”
– Mt 14,27 – “porém, logo lhes disse: «Coragem! Sou eu. Não tenham medo.»”
– Mc 6,50 – “Mas Jesus logo falou: «Coragem! Sou eu, não tenham medo!»”
– Mc 10,49 – chamaram o cego e disseram: «Coragem, levante-se, porque Jesus te chama!»”
– Jo 16,33 – “(…) terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo.”

E ter medo, para Jesus, é não ter coragem para assumí-lo como seu Senhor e Deus;
e declarar-se assim de cima dos telhados; TESTEMUNHAR sempre! (Mt 10, 32s)

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Defendendo a Vida!

Como exemplo de coragem, coloco aqui o link de uma resportagem que mostra a força e a luta de três bispos no Norte e Nordeste do Brasil. Um é o arcebispo dom Mauro Aparecido dos Santos, que defende os pobres sem-terra contra os latinfundiários donos de terras infindas. Outro é dom José Luiz Azcona que também faz as mesmas denúncias e enfatiza: “há uma sociedade doente, pobre e moribunda”. E ainda o bispo Flavio Giovenale, que denunciou a exploraçào sexual de menores.
Segue a reposrtagem toda: Bispos marcados para morrer.

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33. Morto e enterrado!

Pushing Daisies.

Pra quem gosta de séries de TV, ter a preferida não é dificil.
Eu mesmo estou viciado em LOST. Quem estava acompanhando a 4o. Temporada, agora tem um longo período de espera, onde a nova temporada com 16 capítulos só retornará em fevereiro de 2009. Mas, quem gosta, conforma-se com a espera.

Também, aqueles que são mais ligados à diversão e comédia, não têm como ficar sem “Friends”. Essa é imbatível. Foram 10 temporadas que marcaram.

Mas, eu e tantos outros que ficam na espera por LOST e seu final, gastamos energia em encontrar algo de bom na TV para passar o tempo.
Já descobri duas novidades nesse ano que agradaram ao público mais exigente: FRINGE e Pushing Daisies.

Uma não tem nada a ver com a outra, seguem estilos diferentes e têm públicos diversos. A primeira, Fringe é do criador de LOST, J.J. Abrams, e segue a mesma linha daquela mitologia e é bem ao estilo de Arquivo X – pra quem gosta de ação, mistérios e conspirações.
Estreia dia 26 de Agosto e promete revolucionar na forma narrativa e na estética. Mas, se vc procurar, consegue encontrar o episódio 1 (Piloto) que vazou a alguns dias. Sao 80min que, particularmente, me agradaram muito.

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Um Conto de Fadas moderno!

Já Pushing Daisies pode ser definida como “bunitinha” e fofinha!
Bastaria dizer que os dois personagens centrais se conheceram na infância, foram o primeiro amor e, depois de 20 anos se reencontram e, mesmo se amando, não podem se tocar. Isso mesmo, eles não podem tocar um no outro.
Tudo se passa ao redor da confeitaria de tortas do Ned, seu amigo investigador Emerson Cod e a revivida Charlotte “Chuck” Charles. Isso mesmo: ela estava morta e voltou a viver. Daí o nome da série que, em inglês é o equivalente a “comer grama pela raiz” ou “morto e enterrado”.
Passa na Warner toda quinta às 21:00h com diversas reprises, mas é original da ABC ou você pode achar na internet pra baixar (http://pushingdaisiesdownloads.blogspot.com/).

[link do promo da ABC, em inglês, do YouTube.]

32. Deus lhe pague.

Vasculhando a internet achamos um pouco de tudo. Bom mesmo é achar cultura, música. E fico pensando se ainda fazem músicas críticas e contestadoras como antigamente (no meu caso, qualquer coisa que tenha sido feita antes de eu nascer, é antigamente).

Achei um vídeo no YouTube com a Elis Regina interpretando “Deus lhe pague” do Chico Buarque. Vou abster-me de ser redundante e óbvio negando-me a dizer que a música é perfeita, a letra é intrigante e a Elis Regina é insubstituível.

Até outro dia mesmo eu fui ao Palácio das Artes (Belo Horizonte-MG, no dia 30/05) assistir Mônica Salmaso interpretando Chico Buarque. Fui com meus pais e um casal de amigos (o Felipe, que é músico, e a Sabryna). Foram executadas 12 ou 14 músicas do Chico e lá pelas tantas, a cantora parou pra dizer o quanto é difícil selecionar o que há de bom desse cara. TUDO é bom!

A Mônica Salmaso disse algo do tipo: Todos temos nossas 80 músicas preferidas do Chico Buarque.
É um bom desafio. Tente fazer uma lista com apenas 10 ou 12 melhores músicas dele. IMPOSSÍVEL!!!
Eu tentei. Só para conseguir pensar na minha preferida eu faço uma lista de 10 que poderiam ser a primeira da lista.

[vou colocar o link do vídeo de “Deus lhe pague” no final do artigo.]

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A banda de rock, O Rappa, já até regravou essa do Chico. E eles também têm boas músicas contestadoras. São ótimos na crítica social. Até um bom vídeo deles é da música “O Salto” (http://www.youtube.com/watch?v=HqYU_AC4AU0). Basta dizer que começa com o discurso de posse do Collor prometendo um Brasil novo – o que chega a ser hilário (sendo trágico), pra dizer o mínimo!

Boa mesmo é a inesquecível “Perfeição” da Legião Urbana, que começa com um sonoro “Vamos celebrar a estupidez humana”. O vídeo é também bastante simbólico: um campo florido, idílico, quase o paraíso para cantar as misérias humanas, numa contradição total (http://www.youtube.com/watch?v=jCm8HbyhOjQ). Ou então poderíamos enumerar outras do mesmo autor: “Faroeste Caboclo”; “Que país e esse?”; “Teatro dos Vampiros” etc…

A arte tem que nos ajudar a contestar!

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31. Mt 9,36-10,8 – Vocação universal.

[segue um pequeno comentário sobre o trecho do envagelho e alguma recomendação de leitura sobre vocação cristã.]

Os trabalhadores são poucos.

O evangelho lido no 11o. Domingo do Tempo Comum provoca-nos pensar sobre nossa vocação cristã no mundo de hoje. Jesus começa com uma constatação, dizendo que o lugar de “trabalho” do cristão, o mundo em que vivemos, é muito grande para tão poucos disposto à missão.
Provocativo!

Ele chama o mundo (ou as pessoas) de “messe”. O que é a messe?
Para o nosso mundo urbano essa é uma palavra completamente desconhecida, quase sem significado. A messe é a plantação, a seara pronta, em estado de se ceifar, para ser colhida. Neste mundo da técnica e da mecânica avançada, poderíamos pensar que para esta grande colheita de Deus, poderíamos usar as máquinas colheitadeiras computadorizadas, onde basta um único operador para arrancar com perfeição a planta do solo sem disperdícios.
Seria como as vastas plantações de trigo e máquinas cortando o relevo vegetal.

Mas, a messe de Deus é delicada. Precisa de cuidado e perfeição que só a mão humana pode conseguir. Por isso o convite de Jesus é dirigido aos homens e seu apelo é que “o Reino de Deus está próximo”.

O chamado a viver em santidade e testemunho cristão no mundo é difícil e a Igreja reconhece alguns obstáculos (citando CHRISTIFIDELES LAICI 2):

“O caminho dos fiéis leigos não tem estado isento de dificuldades e de perigos. Em especial podem recordar-se duas tentações, de que nem sempre souberam desviar-se: a tentação de mostrar um exclusivo interesse pelos serviços e tarefas eclesiais, por forma a chegarem frequentemente a uma prática abdicação das suas responsabilidades específicas no mundo profissional, social, económico, cultural e político; e a tentação de legitimar a indevida separação entre a fé e a vida, entre a aceitação do Evangelho e a acção concreta nas mais variadas realidades temporais e terrenas.”
Para tratar de vocação – o chamado de Deus para trabalharmos em sua messe – recomendo a leitura de alguns textos. são documentos da Igreja que nos indicam como ser cristãos e dar testemunho no mundo de hoje da fé que professamos.

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[clique nos títulos para abrir os textos na íntegra]

Do concílio Vaticano II:
Constituição Domática LUMEN GENTIUM – sobre a Igreja.
Constituição Dogmática GAUDIUM ET SPES – sobre a Igreja no mundo atual.

Outros:
Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI – vocação e missão dos Leigos na Igreja e no Mundo.
Exortação Apostólica FAMILIARIS CONSORTIO – sobre a função da Família Cristã no mundo de hoje.
Carta apostólica MULIERIS DIGNITATEM – sobre a vocação da Mulher.

Exortação Apostólica PASTORES DABO VOBIS – sobre a formação sacerdotal.

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30. A luta da Senzala

As senzalas eram as casas dos escravos negros nas terras coloniais portuguesas, o que comumente chamamos hoje de Brasil. Estas “casas” eram, em alguns casos, os porões da Casa Grande – a casa do “Senhor do Engenho”, do patrão, do dono da fazenda, o escravisador.

Lá amontuavam-se às centenas, em condições sub-humanas e degradantes.

Mas, falar da desgraça daquela gente, não conta a história toda e pode ser injusto. É interessante contar a história de superação mais do que a história de vergonha do homem branco que foi (e em alguns casos ainda é) incapaz de reconhecer humanidade no outro.

Superações são milhares: percorreriamos a história de Zumbi à feijoada. Um que ganha status de heroi para nossa cultura e outro que passou a ser servido até para reis. Mesmo diante do improvável, aqueles homens e mulheres enchiam-se de força para acreditar na liberdade e sonhar com igualdade.

Neste contexto de opressão, surge uma luta de fato. Misturando-se das diversas artes de guerra corpo-a-corpo dos povos e tribus que vieram da África, adentra o século XX e é moldada pelas mãos de Vicente Joaquim Ferreira Pastinha e Manuel dos Reis Machado (Bimba), aclamados mestres e criadores da capoeira moderna.

Essa luta disfarsa-se de música, esconde-se na malícia e na vadiagem, uma quase arte quando dança, canta e bate palmas. Confundida com a religiosidade afro dos terreiros e levada às academias granfinas. Tudo isso para servir como arma de contestação e servir como ferramenta de aceitação e alegria de um povo.

Essa semana que passou, no dia 5 de junho, foi o aniversário do Amadeu Martins (Mestre Dunga). Outro que fez da capoeira em balet, voltando-a para as ruas de Belo Horizonte a mais de 40 anos. Curioso é como construiu a sua casa numa das favelas de lá. Sua casa é sua academia e por lá treinaram muitos mestres e professores dessa arte, a capoeiragem. Chama o lugar de Senzala, pra não esquecer sua origem: é um quase porão, pobre, mas que na poeira daquele lugar respiramos a tradição e a história de nossa cultura, cantada, dançada e jogada com os braços e pernas.

Quem quiser pode ir lá. A capoeira não discrimina, nem vê a cor da pele ou compara riquesas e pobresas. É uma forma de falar de gente e integrar pessoas, pois exige saber interagir pra prevalecer a beleza, mesmo quando se está lutando.

[ Menino, quem foi seu mestre? ]

29. Favor queimar estes livros.

Foi publicada uma matéria na Folha de São Paulo, do dia 17 de Maio de 2008, que conta da decisão do Ministério Público da Bahia de recolher o livro “Sim, Sim! Não, Não!” do Padre Jonas Abib, fundador da comunidade católica Canção Nova.

O motivo: contém críticas a práticas espíritas e de religiões afro-brasileiras.
Alguém poderia dizer que o Padre tenha sido um pouco duro em suas colocações. Eu mesmo nunca li o livro, mas acompanho o trabalho da CN a mais de 10 anos e tenho um amigo vivendo nela. O Padre Jonas não é um qualquer falando ou criticando algo que ele não conheça. Trata-se de um padre – com formação acadêmica séria: teologia e filosofia; um homem da mídia e notório pregador da fé cristã católica. Quando o vemos falar ou lemos o que escreve, percebemos um homem culto e bem fundamentado em seus argumentos. Tem o respaldo e o apoio de muitos bispos e o testemunho de um trabalho consagrado e reconhecidamente forte no Brasil e no mundo a mais de 30 anos.

Mas, mesmo que se tratasse da opinião de um qualquer, censurar um livro e proibir sua venda é ato, de um orgão público (do Estado), lícito num país que se diz democrático???

Lutamos décadas pela liberdade que temos hoje e a possibilidade de nos expressarmos como quisermos. Foram longos anos de ditadura e mordaça. Vencemos os medos. Se estamos num “país livre” (adoro essa expressão – acho que já não significa nada; foi esvaziada de significado pelos discursos estadunidenses, mas…), nada mais justo o debate, até no âmbito religioso.

Eu, como teólogo, tenho que defender o Padre Jonas Abib. Se não pudermos comparar o que cremos com o que está aí no “mercado religioso”, nosso trabalho será apenas andar em círculos e nos fecharmos dentro de nosso mundo cristianizado.

Aqueles que discordam do sr. Padre Jonas, escrevam seus livros. Debatam. Pensem.

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P.S.:
Os Srs. Promotores da Bahia não têm nada mais grave pra investigar?
Não é do nordeste que vêem as principais denúncias de prostituição infantil e turismo sexual no Brasil???
Acho que isso é mais importante que a opinião do Padre sobre Candomblé e tem mais a ver com o trabalho do Ministério Público.

[Copiei a idéia desse artigo do blog: Xô Censura.]

28. Sobre a Maternidade Divina de Maria

[Diante da dificuldade que é comum para este tema e, conforme foi levantado no Artigo 26 deste blog, disponibilizo um ensaio simples e telegráfico para exclarecer mais, deixando de lado um pouco da linguagem teológica.]

Leia o Artigo 26 em seguida, penso que ficará mais claro. Ou use o menu [ por temas ] para ler tudo o que já foi publicado aqui sobre Maria.

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Vamos diferenciar uma coisa aqui.
Tem um ditado popular que pode nos ajudar muito:
“Mãe é quem cria!” (aquela que cuida ou cuidou).

Alguns querem dividir Jesus, como se fosse possível separar sua humanidade de sua divindade. Jesus é inteiro, onde aquilo que distinguimos – humanidade e divindade – nele não pode ser separado, dividido. Fazemos a distinção apenas para entender e afirmar que aquele que chamamos de Deus-Filho (Verbo de Deus), também fez-se homem e era Deus completo e homem completo:
Então, Jesus não era metade homem e metade Deus. Jesus é homem por inteiro e Deus por inteiro.

Assim temos que, o que nasceu de Maria foi Jesus INTEIRO. O que foi gerado no ventre de Maria, foi DEUS inteiro.
Adaptando a linguagem do Credo Niceno-Constantinopolitano, podemos usá-lo pra entender: “Gerado, não criado”. O Credo se refere à “geração” eterna do Verbo que existe com o Pai desde sempre e que Ele não é uma criatura inferior ao Pai, mas um mesmo com o Pai e o Espírito Santo. Teologicamente ficou que: O Verbo foi gerado do Pai, e deles (de ambos), Procede o Espírito Santo.

Mesmo assim, ajuda-nos a entender o que nasceu de Maria.
Nasce de Maria Jesus inteiro. É gerado em seu ventre o Verbo humanado. Sem dividir. E, assim como numa gestação normal, biologicamente, a mãe participa com uma metade dos cromossomos e o pai com a outra metade, a humanidade de Jesus vem de Maria e o Verbo vai até seu ventre vindo do Pai pelo Espírito Santo – mas forma um único ser em sua totalidade Humana e também Divina.

O que é gestado no ventre de Maria é, portanto, Deus feito carne – Maria gerou em seu ventre Jesus Cristo, o Verbo Divino; “Deus de Deus”. Portanto o que nasce dela É DEUS!!!! Nem mais, nem menos.

Isso significa que Maria “criou [deu origem] à divindade” de Jesus???? Não!!!!
Porque a divindade de Jesus é incriada – sempre existiu como Deus, desde sempre. Mas Jesus, em sua totalidade foi gestado no ventre de Maria, onde fez-se Homem também. Assim, temos que Maria é mãe de Deus, pois o que nasceu dela e aquele de quem ela cuidou chamamos Deus!!!!!

27. Documentos sobre Maria

[conforme prometido, seguem alguns links de textos do Magistério da Igreja sobre o tema mariológico.]

Segue abaixo alguns links de textos oficiais da Igreja Católica Apostólica Romana que tratam do tema mariológico e que podem ajudar a entender melhor os argumentos da Igreja sobre a Mãe de Deus.

Cito antes trecho do Motu Proprio Credo do Povo de Deus, do Papa Paulo VI (parágrafos 14 e 15):

“14. Cremos que Maria Santíssima, que permaneceu sempre Virgem, tornou-se Mãe do Verbo Encarnado, nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo; e que por motivo desta eleição singular, em consideração dos méritos de seu Filho, foi remida de modo mais sublime, e preservada imune de toda a mancha do pecado original; e que supera de longe todas as demais criaturas, pelo dom de uma graça insigne.
15. Associada por um vínculo estreito e indissolúvel aos mistérios da Encarnação e da Redenção, a Santíssima Virgem Maria, Imaculada, depois de terminar o curso de sua vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celestial; e, tornada semelhante a seu Filho, que ressuscitou dentre os mortos, participou antecipadamente da sorte de todos os justos. Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no céu a desempenhar seu ofício materno, em relação aos membros de Cristo, cooperando para gerar e desenvolver a vida divina em cada uma das almas dos homens que foram remidos.”

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REDEMPTORIS MATER sobre a Virgem Maria na vida da Igreja – João Paulo II
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031987_redemptoris-mater_po.html

MARIALIS CULTUS – Sobre o culto a Maria – Paulo VI
http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_exhortations/documents/hf_p-vi_exh_19740202_marialis-cultus_po.html

MUNIFICENTISSIMUS DEUS – Definição do Dógma da Assunção de Maria – Papa Pio XII
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus_po.html

AD CAELI REGINAM – Sobre a Realeza de Maria – Papa Pio XII
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_11101954_ad-caeli-reginam_po.html

Audiência de Catequese – João Paulo II
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1998/documents/hf_jp-ii_aud_29041998_po.html

SIGNUM MAGNUM – Culto a Maria, Mãe da Igreja e Modelo de Virtude – João Paulo II
http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_exhortations/documents/hf_p-vi_exh_19670513_signum-magnum_po.html

INEFFABILIS DEUS – Bula de definição do Dógma da Imaculada Conceição de Maria – Papa Pio IX (baixar em PDF ou Leia aqui – tradução site Montfort)

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Este é um tema muito delicado e merece muita atenção e estudo de nós católicos. Como já foi citado no artigo 26 deste blog, os dógmas referentes a Maria têm um carater Cristológico fundamental para compreender-se quem é Jesus e evitar heresias.

26. Maria: Mãe de Deus! (Teotokos ou Cristotokos?)

Chamamos Maria de “Mãe de Deus”. Mas, o que entendemos disso?
Para ilustrar essa teologia tão complicada, cito abaixo o comentário do Catecismo da Igreja Católica. Esse é um livro de capa amarela, que pode ser encontrado em toda boa livraria católica e também deveria constar do material de leitura de todo Católico. Nele pode-se ler uma síntese dos principais consteúdos da nossa Doutrina da Fé e aprender mais sobre o que cremos e professamos como nossa fé cristã.

Sobre o tema da maternidade divina de Maria, vale salientar que este é um conteúdo Cristológico, ou seja, diz respeito à pessoa de Jesus, quer tratar sobre quem é Jesus para nós. Assim, a Igreja quis definir, ao chamar Maria de “Mãe de Deus” (Teotokos), que o ente nascido de seu ventre é Deus em sua totalidade – o verbo de Deus humanado, feito homem, conforme Jo 1,1.14a e Lc 1,26-38 (a saber):

Jo 1,1.14a = “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. (…) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”
Lc 1,28.30-32 = “Disse o anjo: ‘Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo (…). Maria, tu encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe darás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado ‘Filho do Altíssimo’.'”

Concorda-se que, dizer de Maria apenas Cristotokos (Mãe do Cristo), ficaria vago, levando alguns a crer que Jesus não é “Deus de Deus (…) Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”. Pode-se comenter o engano de algumas heresias e crer que Jesus foi um homem qualquer, apenas inspirado por Deus ou adotado por Deus; ou erroneamente que era Deus, mas apenas com aparência humana.

Chamar Maria de Teotokos (Mãe de Deus) é garantir a totalidade de nossa fé em Jesus sendo homem por inteiro e Deus por inteiro, sem se dividir ou diminuir em sua glória eterna.

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Então, citando um pequeno trecho do Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 466:

“A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, S. Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunidio em Éfeso em 431, confessaram que ‘O Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem’ (DS 250). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção. Por isso o Concílio de Éfeso proclamou em 431, que Maria se tornou verdadeiramente Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio:
Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne (DS 251)’.”

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Aqui está uma boa explicação de porque chamar Maria de Mãe de Deus (Teotokos)!

25. Maria: Cheia de Graça!

[segue citações da Bíblia do Peregrino – ótima fonte de estudo para quem quer aprofundar melhor na leitura da Palavra de Deus]

Prolongando um pouco o mês de maio, vou disponibilizar mais duas citaçãos sobre o tema mariológico. Esse primeiro é um comentário bíblico do início do Evangleho de São Lucas.

Acompanhe os comentários com a leitura dos trechos indicados. A outra citação colocarei depois como outro artigo.

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Lc 1,28-29 = A saudação corrente grega (chaire) soa com os harmônicos de uma rica tradição bíblica, em contextos de renovação ou restauração (p.ex. Jz 2,21; Sf 3,16; Is 49,13; 65,18). ‘Favorecida’ é uma daqueles particípios passivos, quase títulos, que conhecemos pela literatura profética (Compadecida, Os 2,3; Preferida, Is 62,4). [Mas nestes exemplos] Atribui-se a figura emblemática, não a uma pessoa em particular [como aqui em Lucas].’O Senhor está contigo’; ‘Deus conosco’ (‘immanu’el) é o nome do anunciado em Is 7,14-15 e é expressão própria de momentos importantes (Ex 3,12; Jz 6,12; Jr 1,19. A concentração dos três elementos é suficiente para surpreender e perturbar Maria).

(…) [Lc 1,34] – Podemos afirmar(…) que Maria se pusera à inteira disposição de Deus, incluída sua capacidade maternal, que é benção genesíaca.

(…) [Lc 1,35-37]Maria coberta pelo Espírito e cheia da glória de Deus. Nascendo de mulher, nasce homem.

(…) [Lc 1,38]Maria não usa um verbo ativo na primeira pessoa, “cumprirei (Ex 19,8), mas um intransitivo “aconteça”: o que disse o anjo, ou seja, a ação divina e sua consequência (como um novo Gênesis). Deixar Deus agir é a suprema humildade e grandeza de Maria (1,49). A Tradição entendeu o consentimento de Maria como pronunciado em nome da humanidade.”

“(…) [Lc 1,40-41] – A saudação de Maria é intermedia o gozo e a inspiração celeste. A criatura expressa seu gozo inconsiente (de sinal contrário os gêmios de Gn 25,22). Isabel fala profetizando. Alguém quis ver Maria como a arca a aliança, com base em 2Sm 6.

(…) [Lc 1,42]Nenhuma maternidade da história pode ser comparada com a de Maria; a ela estavam direcionadas muitas maternidades precedentes.

(…) [Lc 1,46-55]Maria dirige o louvor para Deus, que fez tudo, ao passo que ela deixou fazer. (…) A ela felicitarão (Gn 30,13; Ct 6,9) todos que reconhecerem esses valores. Ela e’ a serva que representa Israel (e tb a Igreja da bem-aventuranças).”

[ Bíblia do Peregrino ]

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