Auxílio Reclusão para família de presos? E a população honesta, como fica?

preso_politico Circula pela internet (claro!) um e-mail indignado e sem repassado em massa sobre o Auxílio Reclusão – um benefício do Governo para a família de presos, como um salário de ajuda enquanto o sujeito está recluso, cumprindo qualquer tipo de pena (mesmo crime hediondo). Mas há uma confusão no e-mail e a indignação nem é tão justificada assim. Se não quer passar atestado de burrice, então leia as coisas e pesquise informações antes de repetir besteiras.

Trecho do e-mail é o seguinte (apenas o exemplo do mais comum que está circulando, pois há várias versões, mas o texto é o mesmo):

auxilio-reclusao-governo-presos

Uma coisa de deixar qualquer pessoa honesta revoltada com o Governo Lula que só parece beneficiar os piores tipos, distribuindo bolsa família, PROUNI, concedendo aposentadoria para trabalhadores rurais etc (#ironia). Mas o e-mail acima está totalmente equivocado e mostra a fonte de seu erro.

Notem que há a indicação de um link do site da previdência, que repito aqui para quem quiser ler a íntegra:
http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22

O Auxílio Reclusão é um benefício único, independente do número de filhos e é concedido quando o preso tem dependente (seja marido/esposa, filhos, pais e/ou irmãos). Mas não é determinado pelo número de dependentes e seu valor é único e de no máximo R$798,30/mês enquanto o sujeito cumprir pena.

Notem que trata-se de um auxílio condicionado à Previdência Social e que exige que o sujeito preso tenha contribuído para o previdência. O que poucos sabem é que quando alguém comete um crime, só ele pode pagar pelo que cometeu, já que uma pena é intransferível. Quando se é preso, sua família não pode sofrer por sua culpa e se ficar comprovada a dependência de algum membro, então pode-se solicitar o Auxílio Reclusão.

Assim sendo, não sai do bolso de ninguém o Auxílio Reclusão, mas da contribuição que o preso pagou enquanto trabalhava, como qualquer outro brasileiro. Não é para incentivar vagabundos, já que tais não pagam a previdência. Também não e para cada membro da família dependente, mas um benefício único. Antes de sair repassando as coisas, leia e pesquise a informação. Quando não lemos, passamos atestado de ignorância.

Contra Cuba, todos tem muita coragem!

bandeira-de-cuba No primeiro dia de janeiro de 2003 eu estava entre a multidão em Brasília esperando a posse do presidente eleito. Estava a pouco metros do Palácio do Planalto e vi passar uma comitiva de policiais e seguranças fortemente armados, diante de mim e o silêncio tomou conta da multidão. Caminhando imponente e muito alto, destacando-se no meio dos homens de sua guarda, estava o Presidente cubano Fidel Castro.

No dia 2 de janeiro adiante, fui à posse do ex-Ministro da Educação, Senador Cristovam Buarque. De repente o silêncio se instaurou e eu estava a menos de dois metros do mesmo Fidel Castro.

Goste ou não, concorde ou não com suas posturas e legado, o ex-presidente cubano é dono de 50 anos da história do século XX. É impossível contar a história daquele século sem citar tal homem e sua minúscula ilha que apavorava a super potência.

A noticia da semana foi a condenação que a União Européia publicou em sua resolução pela “morte de Orlando Zapata , preso político que morreu em 23 de fevereiro após uma greve de fome de 85 dias por melhores condições na prisão“.
(O Globo, Mundo, 12/03/2010)

Minha única pergunta é (retórica, claro): Repudiam Cuba pelo ato de atrocidade de deixar um homem morrer de fome? Também não concordo com a opressão do regime daquele país, mesmo tendo coisas louváveis e outras tantas condenáveis. Mas a minha indignação é quanta coragem tem a União Européia e o resto do mundo em se pronunciar contra o que faz o governo da pequena Ilha.

Estranho mesmo é a falta da coragem em condenar os Estados Unidos da América pela devastação no Afeganistão e no Iraque – sem contar que não me lembro de uma resolução da UE condenando a guerra de forma tão veemente. Faltou coragem ao resto do mundo em condenar Guantánamo e outros crimes de guerra promovidos pelos EUA. Não encontrei no Google referências à UE condenar o trabalho subumano na China e suas fábricas explorando crianças, nem a condenação por matar centenas de “inimigos políticos” deles mesmos.

Ah! Israel deixar morrer centenas de milhares de Palestinos, de fome e sede, não é condenável? Onde mesmo posso ler uma resolução da UE sobre esse assunto? Claro, não existem.

É, contra Cuba, qualquer um tem muita coragem.

Campanha da Fraternidade 2010: Economia e Vida e Download do Texto Base

Todos os anos, no período do tempo litúrgico da Quaresma (que vai da quarta-feira de cinzas até a Semana Santa), a Igreja Católica Apostólica Romana, pelo CNBB, organiza a Campanha da Fraternidade para debater temas importantes para a sociedade. Esse ano de 2010, em conjunto com o CONIC, fez-se uma campanha ecumênica.

O CONIC é o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, e que esse ano, na Campanha da Fraternidade, conta com as seguintes Igrejas:

  • Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia (ISOA)
  • Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU)
  • Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB)
  • Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB)
  • Igreja Católica (IC)

Esse ano o debate é em torno das questões econômicas que afligem o mundo, tendo um enfoque na conscientização do mal que é o acúmulo de riqueza, a exclusão social e a marginalização econômica das nações. Mesmo sendo um tema complexo, não se perde o foco religioso e a contribuição que o cristianismo pode dar, apresentando um enfoque mais humano.

Para conhecer todo o tema e a proposta da Campanha da Fraternidade, há um material excelente que recomendo como leitura e como fonte de estudo.

O lema dessa campanha já dá o tom do debate e de qual é a proposta do cristianismo diante do desafio global que é a economia:

LEMA: Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mt 6,24)

Um pouco de reflexão faz bem, especialmente se pudermos olhar a economia do mundo de uma forma não tão convencional como a dos economistas e dos meios de comunicação tradicionais. Até porque já se provaram falhos.

Afinal, o que pensa FHC e a confusão do discurso do PSDB

fhc-fernando-henrique Hoje (7 de março de 2010) o nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nos presenteou com um ótimo texto para mostrar o quanto o PSDB está perdido em seu discurso político, especialmente agora que estão à berlinda de mais um ano eleitoral que possivelmente será um fisco para Serra/Aécio-e-companhia. Vou destacar apenas um ponto “estranho” do texto do FHC e indicar a leitura dos comentários do Luis Nassif, mas detalhados.

O PSBD tem um problema sério para resolver esse ano: ao reafirma seu discurso de direita elitista de vez ou entra em contradição total para tentar usurpar as eleições presidenciais de Outubro de 2010. Pelo jeito vão optar por tentar nos ludibriar (como sempre fazem). Veja o que escreveu o FHC nO’ Estadão de hoje:

“Perdemos tempo com uma discussão bizantina sobre o tamanho do Estado ou sobre a superioridade das empresas estatais em relação às empresas privadas, ou vice-versa. Ninguém propõe um “Estado mínimo”, muito menos o PSDB.”
Leia a íntegra aqui.

Como é? O PSDB não propõe um “Estado Mínimo”? E o que foram as privatizações e a dependência/manipulação externa que sofremos em seu governo? O PSDB durante o governo de Fernando Henrique Cardoso entregou tanto o Estado ao controle externo e privado que nem nosso Banco Central tinha a mínima autonomia. Até nossas contas públicas e o investimento eram auditados pelo FMI e Banco Mundial.

O que vejo é o PSDB diante de um problema de discurso que a população já não vai aceitar. Não queremos controle externo, nem que a extrema direita assuma o poder para levar a população mais pobre à miséria e entregar o país na mão da elite descontrolada. (Ok! fiquei parecendo um “vermelho” fanático).

Não é pra defendermos um Estado Total (ou totalitário) controlador de tudo, mas vir o PSDB dizer, pela boca do FHC, que “Ninguém propõe um “Estado mínimo”, muito menos o PSDB“, me desculpe, mas nesse conto-do-vigário eu não caio.

Por fim, só mais um trecho, que nos quer fazer de trouxas:

“Nem só de economia e políticas sociais vive uma nação. Os escândalos de corrupção continuam desde o mensalão do PT.”
(do mesmo artigo)

Como é? A corrupção no Brasil começou com o “Mensalão do PT”? E não foi com “mensalão” que nosso ex-presidente conquistou o direito constitucional de se reeleger? Só pra citar um fato. Querer nos convencer de que só o governo Lula é corrupto é o mesmo que querer convencer brasileiro de que Maradona é melhor que Pelé. O triste mesmo é que parece utopia sonhar com um governo honesto para esse país “tropical… abençoado por Deus (?)…“.

Ah! Leia o texto do Luis Nassif que comenta cada trecho da opinião do FHC.

É uma boa ilustração do quanto tentam manipular a informação com sutilezas de linguagem, para disfarçar um discurso “falso-ufanista”. Recomendo que veja também os seguintes artigos aqui publicados:

Como manipular informações é a prática da Mídia brasileira

Vivemos em um país de liberdade de expressão incontestável, mas o que é de se contestar é a forma como a mídia tradicional da velha oligarquia e a extrema direita (quase fascista) que vive aqui no Brasil, tem manipulado descaradamente a informação, até para tentar nos manipular, roubar nossa capacidade de contestar e enganar livremente os mais incautos. A Revista Veja é sempre o clássico exemplo de como se manipula a informação e se distorcem fatos, textos e imagens. Mas é sempre bom ilustrar o exemplos, para falarmos de forma mais concreta.

Não há muito o que dizer, basta ver o que está em uma coluna do site da Revista Veja, do Augusto Nunes:

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Uma clara demonstração de como uma péssima capacidade interpretativa e algo tirado totalmente de contexto, pode ser deturpado por uma mente deturpada. O senhor jornalista(?) Augusto Nunes tenta nos induzir a interpretar que o Presidente Lula, falava unicamente do terremoto e nomeando as nações ricas como provocadores do desastre.

Tentei comentar na coluna desse senhor e dar minha opinião. E o que aconteceu? Ele, como fez ao discurso do Lula, editou e recortou minha opinião para distorcer o que eu realmente quis dizer e poder manter sua postura de déspota:

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Mas não parou aí. Eu insisti, repudiando a atitude do senhor Augusto Nunes. Como dono da página, poderia simplesmente ignorar meu comentário e não publicar, já que defendi uma opinião contrária e coloquei às claras a manipulação dele em sua opinião factóide. E o que ele fez com meu novo comentário?

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E, antes que alguém argumente que eu possa ter escrito muito, foram apenas pouco mais de 150 palavras, bem menos que outros que se deixaram manipular pelo colunista e sua opinião deturpada da realidade. Fui o único que teve o comentário editado e CENSURADO. Mas é claro que a Veja e seus comparsas não sabem o que é ser censurado e ter sua liberdade de expressão barrada. Aquilo que fingem defender, aplicam a outros que têm opinião contrária… estranho!

Como bom leitor e entendido de mídias sociais digitais que sou, fui até o formulário de comentários para discordar da forma como o colunista (jornalista?) da Veja tenta interpretar essa informação. Numa lógica clara e avaliando todo o discurso do Presidente Lula, só se pode afirmar que o resultado do desastra foi provocado por dois séculos de exploração de nações ricas, à nação Haitiana. A pobreza generalizada faz com que desastres naturais tomem proporções ainda piores.

Se compararmos com o Japão, um mesmo terremoto ou até pior, não causa nem mudança na rotina diária daquele povo. Eles dominam a tecnologia necessária para viver em segurança, mesmo diante de eventualidades imprevisíveis. O simples abandono de um povo mais pobre e marginalizado, como foi em Nova Orleans nos EUA, mostra que os pobres, quando abandonados pelos ricos vão sofrer muito mais. E o caso de Nova Orleans serve bem para comparar com o Haiti: pobres, negros e explorados pelos brancos ricos.

A opinião do Lula sobre o terremoto? Está certo, a culpa é dos ricos!

ATUALIZADO: Infelizmente os critérios do senhor Augusto Nunes quanto ao que aprovar em sua coluna, são bem estranhos. Não aceita opinião contrária, mas permite que haja ofensas, como as que mostrei acima, e até comentários chulos e de baixo calão, ofensivos:

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Vale lembrar o que eu citei antes: Não permita ofensas pessoais e comentários que não agregam valor ao seu conteúdo. Esse tipo de situação só faz piorar a imagem de qualquer site ou blog. Nesse caso só prova o quanto o autor da coluna em questão é tendencioso e permissivo em sua forma de agir.

Discurso de Lula na Cop-15 e a frustração do Mundo

Se alguém ainda tinha alguma dúvida da capacidade e liderança do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não só aqui no Brasil, mas como influente articulista e político na trama internacional, teve que dar o braço a torcer nesta quinta-feira (18/dez/2009). Num discursos brilhante, enfrentou os chefes de Estado presentes em Copenhague para a conferência do clima e falou da frustração de toda a humanidade diante de nossa incapacidade de solucionar o problema do aquecimento Global. Assista ao vídeo.

De forma categórica, criticou a ação unilateral das nações mais ricas em querer resolver o problema impondo restrições aos mais pobres, mas sem querer se comprometer com metas concretas e reais. Os EUA fingiram seu engajamento e agora Obama tem contra si a opinião pública que acreditava nele como um advento de mudanças para aquele país, mas se mostrou exatamente como seus antecessores com posições autoritárias.

O presidente Lula foi veemente, falou de forma improvisada, mostrando sua experiência em negociações (chegou até a citar seu tempo como sindicalista), um verdadeiro político, sério e honesto, que foi capaz de dizer ao mundo sobre sua frustração diante da incompetência dos líderes em costurar um acordo sério.

O que está em jogo é o Planeta e a sobrevivência da humanidade a curto prazo. Deveríamos tratar isso com mais rigor e esperávamos muito da conferência Cop-15, com metas concretas e soluções definitivas. Era preciso menos barganha com o futuro da humanidade – precisamos pensar de forma mais fraterna.

Aquecimento Global, cientistas, Governos e Copenhague

aquecimento_global_terra_quente Nesses dias em que o mundo se prepara para mais uma conferencia mundial sobre o clima – já tivemos outras duas: Rio92, Quioto97 (aquela do protocolo) e agora Cop15 – tivemos de tudo um pouco, principalmente coisas para desviar a atenção para questões menos importantes. Até apareceram supostos e-mails de cientistas que fraudaram números do aquecimento global exagerando a coisa.

Só tenho uma opinião: pouco importa se a culpa do aquecimento é do Homem ou é um processo da natureza sempre em mutação e esta é apenas uma dessas fases de TPM do Planeta. O que é fato é que estamos em um mundo de recursos finitos e já está ficando insuportável viver por aqui (mas não temos outro lugar para ir).

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Aos cientistas cabe, não ficar trocando e-mails ou manipulando dados, mas mostrar de forma concreta o que devemos fazer para viver de forma sustentável e a longo prazo. Ninguém precisa manipular dados, as provas estão a olhos vistos. Tenho um amigo de Compenhague (na Dinamarca) e estive lá em Dezembro de 2007 para o natal. Não vi neve.

Esse meu amigo, Mikkel Fessel, contou-me que já faz alguns anos que não neva como era em sua infância (ele ele tem hoje 30 anos de idade) ou seja, 20 anos atrás nevava mais do que hoje em dia, num dos lugares mais frios que já fui. Se isso não é sinal de que tem algo errado, então…

Só queria mesmo que os Governos entendessem que as questões de clima e sustentabilidade afetam a todos, rico e pobres e que é preciso uma redistribuição de renda (se é que já tivemos alguma antes) e distribuir melhor o uso dos recursos, para que também a vida de todos seja sustentável e suportável.

Querem calar os Blogs e a opinião pública

É incrível como ainda existem pessoas disposta a querer limitar e censurar outras. Na nossa constituição brasileira temos garantida nossa liberdade de expressão (mesmo se não somos imprensa/jornalistas): é nosso direito como cidadão dar opinião sobre o que quer que seja e sobre quem quer que seja. Mas existem políticos e juízes que insistem em ignorar esse fato e estão proibindo blogueiros de exercer sua cidadania.

Resumo da notícia: No Mato Grosso, alguns blogs/sites locais que relatam as ações do Ministério Público e Polícia contra o Deputado Estadual José Riva (PP-MT), foram censurados e proibidos de tratar do assunto pela justiça. São os blogs do Enock Cavalcanti, Página do E, e da Adriana Vandoni, Prosa e Política. Indo contra a mídia tradicional local, que insiste em ignorar os fatos e não denuncia as suspeitas de ações ilegais do deputado Riva, essas pessoas resolveram exercer sua cidadania, fiscalizar o poder público e denunciar o que consideram irregular/ilegal.

Insistir em querer calar a opinião pública é mais do que ir contra a constituição. É um resquício de coronelismos e ditaduras vividas nesse país e que o saudosismo de velhos elitistas insiste em querer restaurar. A democracia é feita da divergência de opiniões e do embate com o diferente para prevalecer o bem comum. Utopia? De certo que sim. Mas todos os sistemas sociais são utópicos e é da natureza humana lutar por sonhos e projetos ideais de organização.

“O controle social é um valor que se afirma, cada vez mais, como um complemento fundamental dos controles realizados pelos órgãos que fiscalizam os recursos públicos”
(Enock no artigo citado acima)

Os blogs e sites são a nossa praça pública (já tratei disso aqui: Internet: a grande praça pública), onde podemos nos igualar e até superar o controle da informação e a falsa isenção/imparcialidade que a mídia tradicional nos quer forçar a crer que exercem.Assim nos fazemos ouvir, encontramos aqueles que pensam como nós e confrontamos nossa opinião para dar voz à democracia (muito mais do que simplesmente votar e deixar rolar). Temos o direito de fiscalizar e denunciar o que cremos ser irregular, ilegal ou imoral – principalmente na política.

Aqueles que querem calar a internet, lugar onde se propaga a voz de muitos esclarecidos e não domados, verão que isso é impossível. A repercussão de assuntos relevantes para a sociedade foge a qualquer controle externo, como nesse caso: tentar impedir que blogs e sites tratem sobre o que fez e/ou deixou de fazer o Deputado José Riva do Mato Grosso só fez a informação correr mais rápido e a opinião pública se virar cada vez mais contra ele. Isso também experimentou o Senador (ex-presidente) José Sarnei e será assim nas próximas eleições.

Se fomos nós quem votamos e elegemos nossos representantes e se esses trabalham para o cidadão, num regime de representação direta, então é direto meu, nosso, de todos fiscalizarmos e denunciarmos seja o que for contra quem for, em todos os níveis, independente se a justiça já tenha se pronunciado, condenado ou absolvido. Isso vale para todos os níveis e os blogs, redes-sociais e fóruns têm a obrigação de fazer de sua pauta todo tema que considerar relevante para o país.

Filme da Bruna Surfistinha e a total inversão de valores

bruna-surfistinha-foto Num país de misérias e sérios problemas de desigualdade social, encontrar histórias de sofrimento e exploração é quase lugar comum. Mas o  mais incrível é nossa capacidade (da mídia especialmente) em inverter valores e transformar vilões em heróis. Agora temos a história de uma ex-prostituta de luxo, para ser contada nos cinemas e merecendo até reportagem no Fantástico da Rede Globo.

Quem não viu, no domingo dia 15 de novembro (2009), o Fantástico noticiou a gravação do filme que vai contar a “bela” história da Raquel Pacheco – conhecida como Bruna Surfistinha – que também foi dependente química.

Resumindo: fugiu de casa aos 17 anos, prostituiu-se nas ruas até virar garota de programa de luxo; casou-se, por fim, com um advogado rico, mora num apartamento de luxo; escreveu um livro sobre suas aventuras sexuais – que antes havia publicado em seu blog.

Para ver a reportagem com o vídeo: Déborah Secco interpreta Bruna Surfistinha no cinema.

Todos temos o direito de seguir o caminho que queremos, mas contar uma história da vida de uma garota que viveu tudo errado, como um conto de fadas moderno, isso não me parece uma boa coisa.

Não vi o filme e não conheço o roteiro, mas posso adivinhar. Vão dizer que ela sofria em casa e resolveu fugir. Na vida dura das ruas acabou sendo levada à prostituir-se (contra sua vontade #ironia) e vai nos parecer alguém sofrido para termos dó – quase como “Dois filhos de Francisco” #maisironia – e vamos acreditar que tudo o que ela sofreu vai nos dar uma lição de como a vida pode ser injusta.

Dia a atriz, Débora Secco, sobre sua personagem:

“A Bruna é um personagem muito rico, porque tudo o que ela é por fora é diferente do que ela é por dentro.”

Em outras palavras: se ele é uma coisa por fora e outra por dentro, então a Débora está interpretando uma pessoa falsa, uma mentira. É esse o tipo de história que vão contar?

Como as adolescentes de hoje interpretarão a história: [modo adolescente ligado] Ah! Então ela sofreu alguns anos, mas depois transava só com caras ricos e bonitos. Vendia seu corpo, como qualquer mulher faz hoje na TV (vide as mulheres frutas do funk). Por fim achou um homem rico, advogado, que quis casar com ela e tirá-la dessa vida (isso já foi contado no “Uma linda mulher” e todas querem o mesmo). Ok! Vou fazer o mesmo [modo adolescente desligado].

Não estou defendendo uma sociedade puritana, aos moldes de uma revolução cristã (ou teocrática de burcas), mas um mínimo de consciência temos que ter. Mas de que adiante ser contra? O que vale mesmo é saber que um filme desse vai render bilheteria, vender milhões. E o que vale mesmo é ganhar dinheiro.

Obs.: Gosto de mulher, mas não que seja vulgarizada e prostituída.

Resenha do filme “2012” e nossa percepção de tempo, religião e ciência

filme-2012 Sempre vemos velhas contagens e insanos relatos de quando e como o mundo em que vivemos e como conhecemos irá acabar, ter um fim fatídico e irrevogável. Essas visões proféticas  sempre foram provocadas pela religião (qualquer uma), mas depois de todo alarde climático, a ciência (em todos os níveis) também resolveu fazer suas previsões – muito semelhantes às da religião. E o cinema não poderia deixar de dar sua versão dos “fatos”. » Read more

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