4. Lc 21,5-19 – Ganhar a Vida!

Quando será o fim-dos-tempos?

Lendo o evangelho deste domingo, ao final, Jesus diz: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida” (v.19). Com um olhar mais atento, parece fora de contexto tal frase, não faz parte do assunto. A conversa começa sobre o Templo e sua beleza, Jesus fala que toda aquela beleza será destruída e perguntam a Ele quando isso acontecerá. Está introduzido o tema escatológico (das coisas últimas)

Falar do fim-dos-tempos é sempre um tema que todos querem ouvir. E o melhor é ver Jesus dizer “cuidado para não serdes enganados”, já que muitos dirão que “o tempo está próximo”. Soa quase como irônico da parte de Jesus, debochando daqueles que ficam a todo o tempo calculando datas para a destruição do mundo e a condenação de muitos com a salvação de poucos predestinados. E Jesus ainda completa: “mas não será logo o fim” (v.9).

O fim será quando não formos mais perseverantes, quando não estivermos mais firmes na Palavra de Deus e no caminhar do seguimento de Jesus Cristo. Aqui encontramos o lugar daquele versículo 19 do capítulo 21 do texto de Lucas. Quando deixamos de ser constantes e confiantes no Senhor, perdemos a vida que só Ele tem pra dar. O fim é a morte, é a não vida, a negação da Vida que vem de Deus.
Podem destruir templos, fazer guerras, desmoronar famílias que, pior que tudo isso é perder a vida verdadeira. Nada disso é sinal do fim do mundo. Não há um “fim-do-mundo”, há apenas negação da Vida. Anular a vida humana já é o fim, está aí o fim definitivo.

Então comparemos. Quando lemos Jo 11,43 (“[Jesus] gritou com voz forte: ‘Lázaro, vem para fora!'”), aqui temos um convite à vida, um grito, um clamor em favor da Vida. Colocando em paralelo com Jo 19,15 (“Mas eles [a multidão] se puzeram a gritar: ‘À morte! À morte!'”), totalmente oposto, onde um quer que se viva plenamente e seja vencida a morte em definitivo, e outros preferem a derrota, o fim.
Onde está nossa escolha? Queremos viver ou morrer?

“Vê: hoje ponho diante de ti a vida e a felicidade,
a morte e a infelicidade.”
“Benção será se escutardes os mandamentos do SENHOR,
(…) e maldição será se não escutardes.”

(ver Dt 30,15-18 / 11,26-28)

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3. República.

Quando dividem as palavras para encontrar seus significados é como olhar para a origem de seus conceitos, da intimidade de seu uso corrente. Para o dia de hoje – 15 de novembro – para nós os brasileiros, olhar para a intimidade de nossa história com os conceitos de uma palavra tão velha, pode nos ajudar a cuidar do novo, daquele que nasce agora.
Queriam ver o futuro. E, atavicamente, nos deram possibilidades, aqueles que em nosso nome ordenaram esta nação. Quantas possibilidades? Mesmo assim, ficaríamos tristes em imaginar o quanto desperdiçamos. Então, a pergunta que precisamos responder hoje é: como se constrói uma República? Na sua origem, significa – dividindo a palavra – “coisa pública”.
O homem se organiza em sociedade, depois de sair do “estado de natureza” (veja Kant, Hobbes e outros), firmando um “contrato social”, temos o Estado. É o homem organizado, civilizado.

Interessante é ler Platão e ver sobre o que ele escreveu em “A República” (sabe-se lá quantos séculos antes de Cristo). Ele imaginava, dando voz a Sócrates, por diálogos, não um Estado como entendemos hoje, mas uma “Cidade ideal”. O que mais chama a atenção é que tal autor gasta tempo e palavras, num grego clássico (claro!), explicando como deveria ser a educação, a formação intelectual daqueles responsáveis pela segurança da Cidade – segurança aqui significa governá-la bem.
Não quero aqui debater sobre educação em nosso país. Mesmo, porque, depois de tantos anos já sabemos que isso é primordial para nosso desenvolvimento. Ouvindo meu professor de História Contemporânea, numa aula sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro no século XX (o que passou), refletíamos o que torna um país desenvolvido de fato. Por muitas décadas acreditamos que bastavam fábricas, estradas e tecnologia, além de capital e trabalho, para fazer crescer nossa jovem república federativa, chamada Brasil.

Se caminharmos por cidades de alguns países como a Inglaterra, Suíça ou Alemanha, não precisamos visitar seu parque industrial ou seus centros tecnológicos ou verificar o quão elevado é o PIB daqueles para saber o quanto são desenvolvidos. Penso que basta-nos olhar para as pessoas nas ruas. Bem-estar social, qualidade de vida. É pela qualidade de vida, com índices de desenvolvimento humano altos e distribuição de renda que se faz uma “coisa” realmente pública, para o povo, democrática. Pena que o máximo que podemos pensar em “distribuição de renda” sejam programas de transferência de renda – o que não é a mesma coisa, nem promove o tal desenvolvimento de que precisamos.

2. Atitudes simples, mas…

Existem muitas maneiras de mudar a realidade à nossa volta – isso é um fato. E é próprio do ser humano querer transformar sua realidade constantemente, transformar o mundo mesmo quando não é necessário fazê-lo. Se isto é da natureza humana, então não é algo complicado. A grande dificuldade está em quando é preciso mudar algo e não percebemos isso, quando não somos capazes de identificar este momento. É como mudar velhos hábitos já enraizados. Nem sempre aquilo que é feito mecanicamente é a melhor forma de executar uma função ou uma tarefa, seja ela qual for. Por isso, aprender a maneira certa desde cedo e aceitar que outros nos mostrem o caminho é também transformar a realidade à nossa volta.

Passa isso por tudo. Desde de ir ao dentista e ouvir instruções na forma de usar a escova-de-dente – o que é bom para nossa saúde – até buscar aprimoramento naquilo que já nos consideramos “experts” – o que é bom para nossa realização profissional. No fim, é um cuidar de si; é aquilo que chamam os livros de auto-ajuda de “desalojar-se”. Mas podemos chamar de reinventar-se ou aprimorar-se. Até essa é a palavra de ordem do mercado de trabalho atualmente: aprimorar-se, desenvolver novas habilidades. O que no fim é apenas mudar a realidade à nossa volta a partir de nós mesmos.
Pode parecer um pouco egoísta. Mesmo assim, essa é uma boa maneira de realizar-se plenamente em quase tudo e os exemplos nos ajudam a entender isso. É como aquela velha briga de marido e mulher. Ele deixa a toalha molhada por sobre a cama; ela “dá bronca” no marido e diz que já falou “mil vezes”. Somando-se as pequenas brigas de alguns anos, o motivo da separação vai se chamar “toalha-molhada-sobre-a-cama”. E aquele preço abusivo dos advogados poderia ser evitado, bastando que uma única vez o tal marido fizesse a sua parte. Desalojar-se! Outro bom exemplo é o dia-a-dia do trabalho. A culpa é sempre da monotonia, mas as pessoas insistem em esquecer de dizer um simples “bom dia!”, “por favor” ou “muito obrigado!”. Até nossos computadores, que são máquinas irracionais nos dizem “Bem-Vindo” com uma tela azul e alegre. É certo que foram programadas para tal, mas, então, por que também não nos programamos?
Mas essas são coisas pequenas, muitas vezes ignoráveis e até banais. Mas tantas coisas que consideramos banais fazem até mesmos grandes estragos. Como os alertas durante o período da seca para evitar queimadas. Um simples cigarro pode destruir um parque florestal. É certo que já conhecemos efeitos piores do cigarro na saúde humana. Uma pequena coisa causando grandes estragos.
Pensemos agora, que pequenas coisas podem causar grandes mudança. Desde o vestir-se com cores mais alegres ou mesmo levantar da cama naquela segunda-feira chuvosa e acreditar que vai ser uma ótima semana. Se podemos fazer essas pequenas mudanças, teremos sempre nova motivação para ir além e mudar algo mais e buscar sempre mais e melhor.
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1. Um campo de idéias.:

Vou aproveitar que todos agora podem dizer o que pensam de forma pública por este veículo virtual e deixar um pouco de meus rascunhos pessoais e idéias a quem possa interessar. Melhor mesmo é o fato de que publicarei tais idéias rascunhadas, mesmo que não tenha quem as leia. A isso chamamos de “falar pelos cotovelos”.

Teremos aqui, principalmente, escritos sobre teologia e recomendações bibliográficas para este assunto. Comentários. Mas não falaremos apenas disso. Um pouco de diversão e cultura também ocupará espaços neste, como capoeira, música e viagens!

E, como em todo bom blog, cometaremos atualidades, política e tudo o que merecer atenção.

Fica como começo!

[Segue índice analítico das publicações deste blog em ordem de entrada, com o título e, se for conveniente, um pequeno resumo.]

2. Atitudes simples, mas… [Mas tantas coisas que consideramos banais fazem até mesmos grandes estragos.]

3. República.
“Queriam ver o futuro. E, atavicamente, nos deram possibilidades, aqueles que em nosso nome ordenaram esta nação.”

4. Lc 21,5-19 – Ganhar a Vida!
“Quando será o fim-dos-tempos?
O fim será quando não formos mais perseverantes, quando não estivermos mais firmes na Palavra de Deus e no caminhar do seguimento de Jesus Cristo.”

5. A Raça é Humana.
Para o dia da Conciência Negra e um vídeo sobre “raças”.

6. Lc 23,35-43 – Quem é Rei?
“O ladrão percebe que Jesus é mais que “o Salvador” ou “o Senhor” ou mesmo “Rei”. ELE é DEUS!”

7. Mt 2,1-12 – Vimos a sua Estrela.
“Desta chamada Epifania, manifesta-se a nós aquele que nasceu pobre para ser Senhor – Deus de Deus.”

8. E se não existirem mais árvores?
“Viver sozinho deve ser bem triste; levar outros a viver assim, também é ruim.”

9. A Bíblia e sua originalidade.
“Compramos a informação pronta, e nos contentamos em apertar o botão de liga/desliga, absorvendo informação.”

10. Onde vamos parar? Família.
“Para a Igreja, o grande desafio e a verdadeira vocação cristã é viver em família. O amor conjugal, a relação santa de marido e esposa segundo os preceitos de verdade, são o que a Igreja convida a todos para viver.”

11. Entre o Céu e a terra.
“É possível crer no Jesus que vai, volta para o Pai, e crer também no Jesus que diz ficar, como aquele que está presente mesmo sem se notar.
Sua presença se manifesta pela esperança e pela fé.”

12. Repercutindo – O Homem é bom ou mau?
Comentário sobre o pecado humano e a distorção da realidade à nossa volta.

13. De onde vem esse Espírito Santo?
“Cremos no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e que com o Pai e o Filho é juntamente adorado e glorificado.”

14. Ensaio Sobre a Cegueira.
“O filme acaba de ser lançado no Festival de Cannes, baseado na obra do escritor português José Saramago – Ensaio sobre a Cegueira – onde para a telona tem o nome de “Blindness” – de Fernando Meirelles (Brasileiro).”

15. Sacramentos – Vida de Fé!
“Um pequeno comentário teológico sobre os sete Sacramentos na Igreja Católica Apostólica Romana e suas fundamentações bíblicas.”
16. Sacramentos no Vaticano II.
“O Concílio Vaticano II fez um belo resumo dos sacrametos da Igreja no texto da Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM – Sobre a Igreja.”

17. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 1/3
18. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 2/3
19. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 3/3
Um pequeno comentário, em três partes, de uma intervenção do então Cardeal Joseph Ratzinger, num congresso eucarístico em 2002 na cidade de Benevento (Itália).

20. Festa de Corpus Christi – Diocese de Divinópolis.

21. Eucaristia e suas fontes Bíblicas – Evangelho de João (1/2)
22. Eucaristia e suas fontes Bíblicas – Evangelho de João (2/2)
Este comentário Bíblico servirá de referência segura para um estudo mais aprofundado do tema do Sacramento da Eucaristia. Dividido em duas partes.

23. Maria – Presente de Jesus na cruz.

24. Pesquisas e a vida humana.
“Atribuímos utilidade às pessoas.
É contra isso que a Igreja luta. A vida humana não é um bem de consumo.”

25. Maria: Cheia de Graça!
26. Maria: Mãe de Deus! (Teotokos ou Cristotokos?)
27. Documentos sobre Maria. [apanhado de documentos da Igreja sobre o tema]
28. Sobre a Maternidade Divina de Maria.
“O que é gestado no ventre de Maria é, portanto, Deus feito carne – Maria gerou em seu ventre Jesus Cristo, o Verbo Divino; “Deus de Deus”. Portanto o que nasce dela É DEUS!!!! Nem mais, nem menos.”

29. Favor queimar estes livros.
[sobre a proibição da venda de livro do Pe. Jonas Abib em Salvador]

30. A luta da Senzala.
“Essa luta disfarsa-se de música, esconde-se na malícia e na vadiagem, uma quase arte quando dança, canta e bate palmas.”

31. Mt 9,36-10,8 – Vocação universal.
[um pequeno comentário sobre o trecho do envagelho e alguma recomendação de leitura sobre vocação cristã.]

32. Deus lhe pague.
“Achei um vídeo no YouTube com a Elis Regina interpretando “Deus lhe pague” do Chico Buarque.
A arte tem que nos ajudar a contestar!”

33. Morto e enterrado!
[para quem procura boas séries de TV]

34. Mt 10,26-33 – Podem matar o corpo.
“Podemos dizer: Não ter medo é um imperativo ético para todo cristão.”

35. DEUS CARITAS EST – Amor!
[comentário para a encíclica de Bento XVI, Deus é Amor.]

36. Igreja e Bioética.
[mais sobre o tema da vida humana. ver tb o artigo 24 deste blog.]

37. Uma só Igreja. Uma só…
“É Pedro quem garante a pesca e de seu barco vem o milagre de uma rede cheia.”

38. Um projeto de Família. – Já divulgando um novo blog só para o tema Família.
harmoniaconjugal.blogspot.com

39. Ter pra não Ser.
“Esse Jesus não está preocupado com o “ter”, mas com o SER. Importa ser alguém.”

40. Vocação dos Leigos no Mundo.
[pequeno comentário da Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI, de João Paulo II. Apenas para motivar o ineteresse pela leitura do texto na íntegra.]

41. Patrimônio Imaterial.
“E, quando perguntaram para Mestre Pastinha o que era a capoeira, ele respondeu: “Capoeira? Capoeira é tudo o que se come!””

42. Pessoa de cor.
[um pouco mais sobre a burrice do racismo; com um vídeo bem legal]

43. Citius, altius, fortius.
[comentando as olimpíadas da China]

44. Na banca de flores. [conto]
[tb escrevo contos…]

45. O Brasil que queremos ser (?)
[um pouco mais sobre o racismo e a ignorância da revista Veja]

46. Downloads de vídeos do YouTube.
[Só uma dica pra quem quer salvar no PC os vídeos que assiste na internet.]

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