14. Ensaio sobre a Cegueira

O filme acaba de ser lançado no Festival de Cannes, baseado na obra do escritor português José Saramago – Ensaio sobre a Cegueira – onde para a telona tem o nome de “Blindness” – de Fernando Meirelles (Brasileiro), mas o filme é uma parceria de diversos países e que conta com muitos atores conhecidos. Nem é preciso dizer que recomenda-se a leitura do livro antes de se ver o filme. Estranho é fazer tal recomendação que poderia parecer óbvia em outras culturas, mas na brasileira, infelizmente, não tem-se o hábito de ler (não custa insistir!).

Tive a oportunidade de ler isso em 2002, e o fiz por três vezes seguidas. É uma leitura difícil, aterradora, em alguns momentos, diante do realismo em que cenas são descritas. E, nem é preciso dizer o quanto é brilhante – o que seria redundante; brilhante e genial vêem somados ao nome José Saramago.
Profundamente descritivo, de personagens sem nome ou mesmo histórias, conta-se de uma epidemia de “cegueira-branca”. Todos estão cegos, por todo o mundo, inesperadamente.

Diante disso, não é preciso também dizer do caos que instaura-se por toda parte. A humanidade perde-se daquilo que a faz humana.

Segue o trailer do filme. Como ainda não pesquisei, não sei quando será a estréia aqui no Brasil.

(Legendado em português – link do youtube)

13. De onde vem esse Espírito Santo?

A Festa de Pentecostes é celebrada 50 dias após o Domingo da Páscoa do Senhor – como o próprio nome já indica. Nesta celebração há diversos significados donde tiramos o principal deles: o que marca o início da ação do Espírito Santo na Igreja.

No domingo desta festa a Igreja lê Atos dos Apóstolos (2,1-11) que narra a manifestação maravilhosa do Espírito, o que fora prometido por Jesus. Esse Espírito faz falar em todas as línguas – todos podem entender o Evangelho, a boa-nova anunciada – diferente da Babel e sua confusão de línguas (Gn 11,1-9).

E, de maneira mais suave, o evangelho de João narra o sopro de Jesus – sem terremotos ou grande estrondo – com simplicidade e candura (20,19-23): “soprou sobre eles”. Impossível ler e não remetermo-nos outra vez ao Gênese, primeiro pela suavidade da vinda do Espírito Santo, conforme João: “o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2). E como não comparar o sopro de Jesus com o sopro da vida: “O Senhor Deus fez o homem do barro de terra e soprou vida em suas narinas, e o homem passou a viver” (Gn 2,7)

O Papa Paulo VI em seu MOTU PROPRIO – Credo do Povo de Deus – fala-nos assim da unidade trina de Deus, segundo a linguagem teológica sistemática:

“Cremos, portanto, em Deus Pai que desde toda a eternidade gera o Filho; cremos no Filho, Verbo de Deus que é eternamente gerado; cremos no Espírito Santo, Pessoa incriada, que procede do Pai e do Filho como Amor sempiterno de ambos.” (10)
“Cremos no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e que com o Pai e o Filho é juntamente adorado e glorificado. Foi Ele que falou pelos profetas e nos foi enviado por Jesus Cristo, depois de sua ressurreição e ascensão ao Pai. Ele ilumina, vivifica, protege e governa a Igreja, purificando seus membros, se estes não rejeitam a graça. Sua ação, que penetra no íntimo da alma, torna o homem capaz de responder àquele preceito de Cristo: “Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (cf. Mt 5,48).” (13)

12. Repercutindo – O Homem é bom ou mau?

[comentário sobre o pecado humano e a distorção da realidade à nossa volta]

Recebi um comentário para o texto deste blog do dia 04 de Maio – Onde vamos parar? – Família – de um usuário anônimo, mas que quero dar destaque aqui:

“(…) nos dias atuais não se vê a docura de outrora nos casais, rotula-se piegas o que diz respeito a sentimentos e amor. O que vemos são atos insanos e cruéis de pais que atiram filhos pela janelas e barbáries de todo espécie…A raça humana de toda não está inundada de sortilégios, tem luz que brota em seu Interior…teoricamente o ser humano é bom.”


Então, fica essa pergunta: Afinal, o ser humano, é bom ou mau?

Pedagogia. Desejava Deus apenas educar seu povo, seus filhos e filhas. Isso é “imagem e semelhança” descritos no Gênesis. Não se trata de aparência física, formas e perfis. Há em Deus um desejo de nos conformarmos com sua imagem de amor, bondade e retidão. Pois então, o que nos ocorreu no Éden diante da “árvore do conhecimento do Bem e do Mal” (Gn 2,9)? Pecamos! Mas qual é esse pecado? Simples desobediência, desacato? Fizemos uma escolha: decidir por nós mesmo o que é bom e o que é ruim – definir o que é bem ou mal. Se corrompemos tal imagem sagrada, então precisamos ser remodelados.

“O Senhor teu Deus te educa…” Se não for assim, distorcemos a realidade à nossa volta e buscamos o inverso, subvertemos. É como fazemos todos os dias: guerras para justificar a paz; muros para tornar evidentes diferenças fabricadas; classificamos seres humanos até pela cor da pele – como se isso fosse científico (a verdade é que não há raças. A raça é Humana!); distribuímos armas ao invés de comida; defendemos o “amor livre”, mas não queremos o amor conjugal, rejeitamos família; consumimos pessoas, relacionamo-nos com máquinas. Vivemos de mentiras e aceitamos nossas ilusões virtuais, chorando sobre livros de auto-ajuda, enquanto tentamos encontrar no supermercado da esquina a felicidade. Preferimos as cebolas do tempo da escravidão ao Maná descido do Céu, que é o alimento do tempo da liberdade. “Vaidade [ilusão] das vaidades [ilusões] (…) tudo é vaidade [vapor / sopro / ilusão]” (Ecle 1,2).

Prefiro concluir que, pelo fato de Deus nos ter criado a todos bons, somos bons. Mas precisamos ser educados para essa bondade original.

11. Entre o Céu e a terra

Como pode estar presente e ausente?
No domingo chamado “Ascensão do Senhor”, que na liturgia Católica – e aqui no Brasil – entra no lugar do VII Domingo da Páscoa, temos dois relatos que numa primeira leitura podem parecer contraditórios. Ao compararmos a leitura de Atos 1, 1-11 com a conclusão do evangelho de Mateus 28, 16-20, fica claro que os dois autores estão tratando de momentos diferentes de encontros com Jesus após a sua ressurreição.

No evangelho Jesus promete: “Eis que estou convosco todos os dias” (vv. 20b). Ele mesmo dá as direções e as ordens. Segundo sua vontade os apóstolos são enviados por todo o mundo; e completa: “ensinai a todas as nações” (vv. 19). O mesmo se dá no livro dos Atos dos Apóstolos quando ele afirma: “sereis minhas testemunhas (…) até os confins do mundo” (vv. 8).

Mas o que parece contraditório vem a seguir desta afirmação em Atos. Aquele mesmo Jesus que no evangelho diz que ficará “todos os dias” presente, é visto subindo para o céu em meio às nuvens. Então, em que acreditar? É possível crer no Jesus que vai, volta para o Pai, e crer também no Jesus que diz ficar, como aquele que está presente mesmo sem se notar. Mesmo que alguns se contentem em responder que Jesus fica presente agora pela ação do Espírito Santo que age na Igreja, isso acabaria confundindo os dois. Lembremo-nos: Jesus e o Espírito Santos são distintos, mesmo que formem o único Deus da profissão de fé cristã, com o Pai. Assim, Jesus não pode estar presente pelo Espírito.

Sua presença se manifesta pela esperança e pela fé. O vemos agir na nossa conversão cotidiana e no desejo de seguir seus passos e no construir seu Reino. É o testemunho – que Ele ordenou – que o faz vivo em nosso meio.

Aquele que se diz presente no meio de nós e que está no Céu junto do Pai, é quem garante a unidade entre o Céu e a Terra. O Magistério da Igreja ensina assim:

“A encarnação do Senhor e a sua ascensão tornaram possível a comunicação entre o céu e a terra, insinuada na visão da escada de Jacob (cf. Gen 28, 12) e preanunciada pelo próprio Cristo (cf. Jo 1, 51). O Apocalipse, com o altar do Cordeiro no centro de Jerusalém que desce do céu sobre a terra, é o arquétipo do culto cristão: é adoração de Deus por parte do homem e comunhão do homem com Deus. O Cânone Romano, na invocação Supplices te rogamus*, alude ao “altar do céu”, porque de lá desce a graça d’Aquele que é o Ressuscitado e o Vivente, e se realiza o admirável intercâmbio que salva o homem.” (Lineamenta – XI Sínodo do Bispos par. 29)

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* Supplices te rogamus

Supplices te rogamus, omnipotens Deus, jube hæc perferri per manus sancti Angeli tui in sublime altare tuum, in conspectu divinæ majestatis tuæ: ut quoquot ex hac altaris partecipatione sacrosanctum Filii tui Corpus, et Sanguinem sumpserimus, omni benedictione cælesti et gratia repleamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

Suplicantes vos rogamos, ó Deus onipotente, que, pelas mãos de vosso santo Anjo, mandeis levar estas ofertas ao vosso Altar sublime, à presença de vossa divina Majestade, para que, todos os que, participando deste altar, recebermos o sacrossanto Corpo, e Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de toda a bênção celeste e da Graça. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

10. Onde vamos parar? – Família

As Equipes de Nossa Senhora (ENS) são hoje um grande movimento da Igreja Católica Apostólica Romana na evangelização e formação dos casais na espiritualidade de vida conjugal. Formam, junto com tantos outros movimentos de casais e família, a linha de frente da defesa da vocação maior do cristão: serem testemunhas de Cristo Jesus no amor, em uma família santa.
Não nos importa o número de padres ou de religiosos (religiosas) no mundo. Nem se o papa pode atravessar os continentes levando a Palavra de Deus. Para a Igreja, o grande desafio e a verdadeira vocação cristã é viver em família. O amor conjugal, a relação santa de marido e esposa segundo os preceitos de verdade, são o que a Igreja convida a todos para viver. Basta ler a primeira encíclica do papa Bento XVI – DEUS CARITAS EST – para perceber a preocupação da Igreja com a família, com a vivência do casamento cristãmente. Ou, basta rever as grandes pregações de João Paulo II e a relutância da Igreja em não abrir mão daquilo que ela considera vital para o bem das famílias segundo a vontade de Deus.
Lendo um dos materiais de estudo das ENS (Estudo de Tema – “Testemunhas a Serviço dos Casais”, p.30-32), encontrei o pequeno texto que transcrevo abaixo. Eles têm material próprio para seus estudo interno; isso inclúi este texto, que, por ser de um terceiro, penso que posso citar:
O paradoxo do nosso tempo.
[George Carlin: cômico americano]

“O paradoxo do nosso tempo é que temos edifícios altos, mas temperamentos acanhados, estradas largas, mas pontos de vista estreitos.
Gastamos mais, mas possuímos menos, compramos mais, mas aproveitamos menos.
Temos casas maiores, porém famílias menores, mais comodidades, porém menos tempo.
Temos níveis educacionais maiores, mas menor bom senso, mais conhecimento, mas menos juízo, mais especialidades, porém mais problemas, uma medicina mais adiantada, mas menos bem-estar.

Bebemos muito, fumamos muito, gastamos sem medida, porém rimos pouco; guiamos muito depressa, nos zangamos com freqüência, deitamo-nos tarde, porém acordamos cansados, lemos pouco; vemos muita televisão, mas só rezamos de vez em quando.
Multiplicamos os nossos bens, porém reduzimos os nossos valores. Falamos muito, raramente amamos e odiamos com freqüência. Aprendemos como ganhar dinheiro para viver, mas não aprendemos a viver. Acrescentamos anos à vida, mas não vida aos anos.

Fizemos a viagem de ida e volta à lua, mas achamos difícil atravessar a rua para cumprimentar um vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o espaço interior. Realizamos coisas grandes, mas não coisas melhores.

Limpamos o ar, mas contaminamos a alma. Dominamos o átomo, mas não os nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas conseguimos menos. Aprendemos a viver depressa, mas não a esperar.
Construímos mais computadores para guardar mais informações, pra produzir mais e-mails do que antes, mas nos comunicamos cada vez menos. É o tempo da comida rápida e da digestão lenta, dos grandes homens e dos caracteres fracos, dos grandes lucros e das relações superficiais.

Estamos no tempo dos dois salários e dos muitos divórcios, de casas mais luxuosas e de lares desfeitos. No tempo das viagens rápidas, das fraldas descartáveis, dos valores morais descartáveis, dos relacionamentos de uma noite, dos corpos obesos e das pílulas para tudo, desde levantar o ânimo até deprimi-lo, ou mesmo matar.”

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Vou tentar escrever mais sobre o tema família e essa maravilhosa vocação cristã.

9. A Bíblia e sua originalidade

Tenho pensado naqueles que nascemos neste mundo onde tudo acontece e pode ser acompanhado em tempo real (ou quase), pela internet, televisão, jornais e revistas. Hoje a mídia tem que descobrir formas cada vez mais rápidas e imediatas para atender à demanda de informações onde, mais do que a velocidade, é exigida a credibilidade.
Penso que homens visionários, como George Orwell em seu livro “1984”, não poderiam prever que, de fato as câmeras registrariam tudo, não só as intimidades, mas também os grandes feitos da humanidade – sejam eles bons ou ruins. A bem da verdade, hoje temos câmeras até em nossos celulares que registram desde nossos bichinhos de estimação, até atentados terroristas em metrôs.

A presença dessa tecnologia somada à demanda de velocidade nas informações, têm nos feito mais exigentes com a exatidão, mas também faz-nos menos capazes de interpretar a realidade à nossa volta, pois, muitas vezes, não nos é dado o tempo para pensar, refletir sobre o que é apresentado. Compramos a informação pronta, e nos contentamos em apertar o botão de liga/desliga, absorvendo informação. Isso nos faz humanos menos capazes de questionar e não adquirimos conhecimentos, já que para isso é preciso a dúvida e a busca por uma resposta.

No dia 24 de março de 2008, fui obrigado a voltar meus pensamentos para o artigo de opinião publicado no jornal O Tempo (Belo Horizonte-MG) que levantava uma dúvida sobre se de fato a bíblia pode ser chamada de “Palavra de Deus”, diante das muitas alterações que sofreu ao longo dos séculos por interesses – segundo a opinião do autor daquele artigo. Ao ler tal, fiquei a imaginar se nos tempos bíblicos haveria máquinas digitais e transmissões via-satélite; internet, imprensa e televisão. Ou mesmo jornalistas, enviados especiais, prontos a testemunhar fatos como um mar se abrir (Ex 14) ou acompanhar e analisar os movimentos políticos dentro do palácio do Rei Davi ou pra tocar as feridas do Jesus ressuscitado (Jo 20,27), caso o Tomé não tivesse coragem pra isso. Mas isso não torna o que lá foi relatado, menos verdade do que o que temos em nossa mídia informativa. Existem grandes diferenças.

A bíblia não é um grande jornal noticioso com o intuito de informar e contar com exatidão o que se passou. Não busca a verdade “nua e crua” dos fatos, pois não é o fato que realmente importa. Existe nela, significado, tradução da ação humana e sua capacidade de relacionar-se com o mundo que Deus tem criado e com os homens que neste habitam. Dela podemos tirar o diálogo mais profundo de nossa afetividade, quando nos é dado chegar ao coração daquele que cremos morar em nosso coração, mas que não nos deixa presos, levando-nos ao coração do outro, do próximo. Isso, porque, a bíblia não é para ser divina, mas é humana. Não fala aos anjos, nem nos foi dada do céu como algo desencarnado de nossa realidade cotidiana. Deus a fez nascer dos homens e, por ser tão humana, é que pode ser chamada de Palavra de Deus!

Palavra de Deus quando reconhecemos que Ele mesmo quis assumir sua criação, seu feito e participar disto que somos. O Deus da bíblia não é um deus que abandou-nos à sorte, mas quer também participar da história e assumir nossa história: a história humana é também história divina, é também ação de Deus. Se não reconhecêssemos a bíblia como sendo produto da ação humana, não poderia ser fonte de fé e esperança para muitos povos, culturas e religiões. Foi escrita por homens, e alterada por homens, mas assumida por Deus: Palavra de Deus! Sendo assim, se Deus a assumiu para si e reconhecemos nela sua dimensão humana, é isso o que de fato importa.

8. E se não existirem mais árvores?

E se não existirem mais árvores?
Esse tal aquecimento global é bem culpa do homem mesmo, que não sabe conter-se em seus desejos, se pensa eterno e, com isso, todo o resto tem que lhe servir sempre – nada pode faltar ou falhar.

Poderíamos usar a devastação ambiental como uma ótima metáfora para os nossos relacionamentos humanos, que, por fim nos levam não apenas à falência de nossas convivências cotidianas, mas também à degradação do meio-ambiente. Pode parecer estranho assim, mas tudo está bem entremeado e tem bem a ver com uma única atitude: como usamos as pessoas e as coisas à nossa volta.
É chato falar de responsabilidades. Ainda habita em nosso íntimo um Peter Pan voador que não quer saber das suas obrigações, muito menos de como suas peraltices podem afetar o entorno. O que bem queremos mesmo é viver o capitalismo a ferro e fogo: maximizar nossos lucros e reduzir custos. Nada mais justo para quem está na guerra do mercado onde “só sobrevivem os mais fortes” – ou os mais competentes (soa em nossas cabeças uma voz em tom arrogante; previsível). Mas isso não nos isenta de olharmos à nossa volta e tentar, ao menos tentar, rever nossas atitudes, mesmo as menores.

Lendo a revista mensal “Caros Amigos” (Abril/08, pag. 12) no artigo de Mylton Severiano, somos levados a relembrar a história do povo que vivia na Ilha de Páscoa, no meio do Pacífico. Resumindo: eles derrubaram todas as árvores de sua pequena ilha e deixaram de existir como civilização. Como estavam no meio do nada, não tiveram a quem recorrer, nem pra onde correr. Sabe-se lá com que estavam preocupados que não repararam que, destruindo todas as árvores, seriam destruídos também.

Bom, mas, o que isso tem com responsabilidade, relação humana e meio-ambiente?
Existe uma velha palavra, já desgastada e bem escondida em nossas gavetas interiores: egoísmo, que para achar, com certeza está na gaveta intitulada “Individualismos”. Numa era de publicações de auto-ajuda, onde o “eu” é o deus mais poderoso do universo e “o outro” é o caminho por onde passo e não alguém com quem caminho, somos obrigados a reparar que agir assim só nos leva à degradação das “pequenas coisas” realmente importantes: família, amor, amizades verdadeiras e, até quem sabe, o mundo com suas árvores. Se não somos capazes de pensar no outro como companhia, significa que temos um mundo muito pequeno para viver de fato; menor que a Ilha de Páscoa e passamos a acreditar que todas as árvores estão a nosso serviço – ou seriam pessoas?
A humanidade é um organismo quase único, considerado assim pelos cientistas modernos, onde suas ações são responsabilidade de todos, como um único corpo. É preciso mobilizar toda a humanidade para ter mudanças significativas nas questões que afetam também a todos de forma igualmente significativa e até individual – além de coletiva, claro! Esse é o aquecimento global. Tem muito a ver com as árvores que ainda estão por aí, mas tem mais relação com nossa responsabilidade coletiva. Aí, ligamos uma coisa à outra: se não somos capazes de reconhecer o outro, como agir de forma coletiva? Quanta mudança pode ser promovida quando olhamos além de nosso “rei na barriga” ou nosso “umbigo-mundo”…

Já sabemos como seria o mundo se não existirem mais árvores: seria (ou será) como a Ilha de Páscoa, uma civilização inteira destruída, que foi incapaz de pensar no coletivo porque preferiu o individualismo radical do capitalismo-acumulação-de-riqueza e o eu-sem-o-outro. Viver sozinho deve ser bem triste; levar outros a viver assim, também é ruim. Mas ainda existem aqueles que enxergam sua responsabilidade cotidiana e, com ações simples, como preocupar-se com o outro, já fazem mudar o mundo, mesmo sem plantar árvores, só deixando as que tem.
E, para esse texto não ficar apenas no mundo das idéias, que tal pensar naquilo que podemos começar a fazer hoje, não só para salvar o planeta, mas para melhorarmos nossas relações humanas e tomarmos mais consciência daquilo que é também nossa responsabilidade!? Assim, ao aprendermos a nos relacionar melhor com o outro, entenderemos por quê não desperdiçar água ou abusar das sacolas plásticas, valorizar o trabalho do outro e andar mais à pé, dizer mais “bons-dias”. Tudo isso, por mais banal que pareça, tem como salvar a humanidade da extinção e garantir que as árvores continuem existindo.

7. Mt 2,1-12 – Vimos a sua estrela.

“de modo algúm és a menor”

Uma que não poderia ser chamada de menor, então, que seja a maior. E, diante de tantos sinais, ninguém percebia o que estava acontecendo naquelas terras tão curtas. Lemos assim em Mateus, que nos relata como os sinais devem ser percebidos e quais os caminhos devem ser seguidos. Mas o mais importante é o caminho.

Desta chamada Epifania, manifesta-se a nós aquele que nasceu pobre para ser Senhor – Deus de Deus. Numa simplicidade que só pode ser divina, nos braços de uma mãe menina, está deitado aquele que pode recostar-se em todo o canto do universo e não pode ser contido por nada – incriado, agora pequeno como a sua criatura: saudade!
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Com isto os vagantes reis-magos do orinte depararam-se, adoraram e deixaram presentes. Mas não eram mais os mesmos. Encontraram o caminho da estrela e, quando fizeram seu encontro de intimidade com o amor-recem-nascido, tomaram outro rumo.
Todos os outros que também experimetarem e passarem por aquele pobre, deixarão também algo para seguir o Caminho-Verdade-Vida, não mais os mesmos, agora mudados.
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6. Lc 23,35-43 – Quem é Rei?

Se reconhecemos Deus.

Lendo o evangelho desse ultimo Domingo do ano litúrgico, encontrei algo diferente. Muitos estão diante do Jesus crucificado, quase morto (“O povo permanecia alí, olhando.” [v.35]). Havia também chefes dos judeus e soldados que zombavam d’Ele.

Gosto do que fica escondido nas entre-linhas e, ao lermos passa desapercebido aos olhos (e até ao entendimento). Lemos o diálogo dos condenados ao lado de Jesus e ficamos presos à piedade do “bom ladrão” e à promessa de salvação imediata para tal. Mas isso não é importante neste relato. Acredito que o Evangelista escreveu sobre esse fato para nos dizer que Jesus, mesmo morrendo na cruz, é Deus de fato.

Comparemos: Lucas desde o início de seu evangelho relata como se deu a encarnação do Verbo de Deus, chamando-O de “Filho do Altíssimo” (Lc 1,32.35) E, depois no capítulo 2,11 diz pela boca do anjo: “hoje nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor“. O que Lucas afirma é o que perguntam os chefes dos judeus: “a outros salvou, pode salvar a si mesmo?” (cp. 23,35); depois os soldados: “se és Rei [Senhor], salve-se” (cp. 23,37).

Acerta apenas o quase morto “bom ladrão”. Ele vê quem de fato é Jesus ao repreender o “mau ladrão”: “não tem medo de Deus? estamos sofrendo da mesma morte que Ele” (cp. 23,40). O ladrão percebe que Jesus é mais que “o Salvador” ou “o Senhor” ou mesmo “Rei”. ELE é DEUS!

5. A Raça é Humana.

Para o dia da Conciência Negra.

Encontrei na minha bíblia assim, certa vez:
“Qual a raça dígna de honra? A raça dos homens.
Qual a Raça dígna de desprezo? A raça dos homens.”

(Eclo 10,19a.20a)

E também:
“Tu criaste Adão e, como ajuda e apoio, criaste Eva,
sua mulher. E dos dois nasceu a raça Humana”

(Tb 8,6)

E aí encontrei esse video:
http://www.youtube.com/watch?v=fFIKUNUNavU

Vale a pena assistir!

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