Discurso de Lula na Cop-15 e a frustração do Mundo

Se alguém ainda tinha alguma dúvida da capacidade e liderança do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não só aqui no Brasil, mas como influente articulista e político na trama internacional, teve que dar o braço a torcer nesta quinta-feira (18/dez/2009). Num discursos brilhante, enfrentou os chefes de Estado presentes em Copenhague para a conferência do clima e falou da frustração de toda a humanidade diante de nossa incapacidade de solucionar o problema do aquecimento Global. Assista ao vídeo.

De forma categórica, criticou a ação unilateral das nações mais ricas em querer resolver o problema impondo restrições aos mais pobres, mas sem querer se comprometer com metas concretas e reais. Os EUA fingiram seu engajamento e agora Obama tem contra si a opinião pública que acreditava nele como um advento de mudanças para aquele país, mas se mostrou exatamente como seus antecessores com posições autoritárias.

O presidente Lula foi veemente, falou de forma improvisada, mostrando sua experiência em negociações (chegou até a citar seu tempo como sindicalista), um verdadeiro político, sério e honesto, que foi capaz de dizer ao mundo sobre sua frustração diante da incompetência dos líderes em costurar um acordo sério.

O que está em jogo é o Planeta e a sobrevivência da humanidade a curto prazo. Deveríamos tratar isso com mais rigor e esperávamos muito da conferência Cop-15, com metas concretas e soluções definitivas. Era preciso menos barganha com o futuro da humanidade – precisamos pensar de forma mais fraterna.

Aquecimento Global, cientistas, Governos e Copenhague

aquecimento_global_terra_quente Nesses dias em que o mundo se prepara para mais uma conferencia mundial sobre o clima – já tivemos outras duas: Rio92, Quioto97 (aquela do protocolo) e agora Cop15 – tivemos de tudo um pouco, principalmente coisas para desviar a atenção para questões menos importantes. Até apareceram supostos e-mails de cientistas que fraudaram números do aquecimento global exagerando a coisa.

Só tenho uma opinião: pouco importa se a culpa do aquecimento é do Homem ou é um processo da natureza sempre em mutação e esta é apenas uma dessas fases de TPM do Planeta. O que é fato é que estamos em um mundo de recursos finitos e já está ficando insuportável viver por aqui (mas não temos outro lugar para ir).

aquecimento-global

Aos cientistas cabe, não ficar trocando e-mails ou manipulando dados, mas mostrar de forma concreta o que devemos fazer para viver de forma sustentável e a longo prazo. Ninguém precisa manipular dados, as provas estão a olhos vistos. Tenho um amigo de Compenhague (na Dinamarca) e estive lá em Dezembro de 2007 para o natal. Não vi neve.

Esse meu amigo, Mikkel Fessel, contou-me que já faz alguns anos que não neva como era em sua infância (ele ele tem hoje 30 anos de idade) ou seja, 20 anos atrás nevava mais do que hoje em dia, num dos lugares mais frios que já fui. Se isso não é sinal de que tem algo errado, então…

Só queria mesmo que os Governos entendessem que as questões de clima e sustentabilidade afetam a todos, rico e pobres e que é preciso uma redistribuição de renda (se é que já tivemos alguma antes) e distribuir melhor o uso dos recursos, para que também a vida de todos seja sustentável e suportável.

Querem calar os Blogs e a opinião pública

É incrível como ainda existem pessoas disposta a querer limitar e censurar outras. Na nossa constituição brasileira temos garantida nossa liberdade de expressão (mesmo se não somos imprensa/jornalistas): é nosso direito como cidadão dar opinião sobre o que quer que seja e sobre quem quer que seja. Mas existem políticos e juízes que insistem em ignorar esse fato e estão proibindo blogueiros de exercer sua cidadania.

Resumo da notícia: No Mato Grosso, alguns blogs/sites locais que relatam as ações do Ministério Público e Polícia contra o Deputado Estadual José Riva (PP-MT), foram censurados e proibidos de tratar do assunto pela justiça. São os blogs do Enock Cavalcanti, Página do E, e da Adriana Vandoni, Prosa e Política. Indo contra a mídia tradicional local, que insiste em ignorar os fatos e não denuncia as suspeitas de ações ilegais do deputado Riva, essas pessoas resolveram exercer sua cidadania, fiscalizar o poder público e denunciar o que consideram irregular/ilegal.

Insistir em querer calar a opinião pública é mais do que ir contra a constituição. É um resquício de coronelismos e ditaduras vividas nesse país e que o saudosismo de velhos elitistas insiste em querer restaurar. A democracia é feita da divergência de opiniões e do embate com o diferente para prevalecer o bem comum. Utopia? De certo que sim. Mas todos os sistemas sociais são utópicos e é da natureza humana lutar por sonhos e projetos ideais de organização.

“O controle social é um valor que se afirma, cada vez mais, como um complemento fundamental dos controles realizados pelos órgãos que fiscalizam os recursos públicos”
(Enock no artigo citado acima)

Os blogs e sites são a nossa praça pública (já tratei disso aqui: Internet: a grande praça pública), onde podemos nos igualar e até superar o controle da informação e a falsa isenção/imparcialidade que a mídia tradicional nos quer forçar a crer que exercem.Assim nos fazemos ouvir, encontramos aqueles que pensam como nós e confrontamos nossa opinião para dar voz à democracia (muito mais do que simplesmente votar e deixar rolar). Temos o direito de fiscalizar e denunciar o que cremos ser irregular, ilegal ou imoral – principalmente na política.

Aqueles que querem calar a internet, lugar onde se propaga a voz de muitos esclarecidos e não domados, verão que isso é impossível. A repercussão de assuntos relevantes para a sociedade foge a qualquer controle externo, como nesse caso: tentar impedir que blogs e sites tratem sobre o que fez e/ou deixou de fazer o Deputado José Riva do Mato Grosso só fez a informação correr mais rápido e a opinião pública se virar cada vez mais contra ele. Isso também experimentou o Senador (ex-presidente) José Sarnei e será assim nas próximas eleições.

Se fomos nós quem votamos e elegemos nossos representantes e se esses trabalham para o cidadão, num regime de representação direta, então é direto meu, nosso, de todos fiscalizarmos e denunciarmos seja o que for contra quem for, em todos os níveis, independente se a justiça já tenha se pronunciado, condenado ou absolvido. Isso vale para todos os níveis e os blogs, redes-sociais e fóruns têm a obrigação de fazer de sua pauta todo tema que considerar relevante para o país.

A Mídia, a oposição e a falsificação da notícia

Sobre o apagão e como as diversas notícias nos chegam.
É triste ver a ação da oposição ao governo e a tentativa da mídia em constantemente querer culpar o Governo Lula e/ou a Dilma por qualquer coisa que acontece nesse país. Vimos isso hoje (11/11/09) com o apagão que ocorreu na noite passada: como conseguem distorcer fatos para insistir em críticas fantasiosas e falsas. Infelizmente não há credibilidade no jornalismo feito no Brasil.

Acompanhei o apagão por todo o tempo via Twitter (@hordones), quando várias pessoas de todas as partes relatavam o que estava acontecendo. Rapidamente espalhou-se que a causa poderia ser o tempo (climática), por fortes chuvas na região sul do estado de São Paulo e na região de Furnas, afetando linhas de transmissão. Isso foi confirmado mais tarde.

Mas o que publicam nossos órgãos noticiosos, sites e TV?

No entanto, o mesmo site, na página do Jornal Hoje, enquanto preparavam as matérias pedindo ajuda dos internautas, publicaram o seguinte:

“Há forte suspeita que causas naturais tenham provocado tudo isso. Informações meteorológicas dão um cenário do que aconteceu na noite de ontem.
Mas já é possível adiantar que houve um festival de raios! No Paraná, foram mais de sete mil, em São Paulo, mais de nove mil! O que pode ter causado um curto circuito.”

Então, o que há a Ministra Dilma (da Casa Civil) com o apagão acidental de ontem?
A questão é que se insiste nesse país em vivermos de factóides, mentiras e especulações de fatos não ocorridos. Contar uma mentira várias vezes para ver “se cola”. Exatamente como fizeram no caso do Presidente Lula e o suposto “terceiro mandato” – e há quem acredite em um possível golpe ainda.

Nos acostumamos a não precisar pensar e só queremos absorver o que publicam ou passa na TV, sem o mínimo de questionamento ou bom-senso. Nosso sistema elétrico tem suas falhas, isso todos sabemos e precisamos modernizar rapidamente para acompanhar o crescimento econômico que pretendemos, mas querer culpar o governo por fatalidades e acidentes meteorológicos é abusar da ignorância alheia.

Ilustrando com o que diz o jornalista Luis Nassif em seu blog: O apagão infantil do Estadão. Em seu comentário mostra claramente como a mídia tradicional vem falsificando a notícia, quando deveria, de fato, nos informar, insistindo na mentira.

O pior é que a oposição (política) que temos nesse Brasil ainda vai, no fim, acabar querendo abrir uma “CPI do Apagão” para investigar raios e trovões do céu, pra ver o quanto o governo Lula manda em São Pedro (Oposição entra com pedido para ouvir ministro de Minas e Energia). Se querem ouvir o Ministro para ajudar a melhorar e prevenir acidentes, acho totalmente válido, mas duvido muito das boas-intenções (que enchem os infernos) às vésperas de eleições majoritárias.

Podemos vender o Vaticano e alimentar o Mundo?

vaticano-vender A internet tem se provado um grande campo para a proliferação de todo tipo de assunto, debates e até piadas. Misturam-se temas sérios e brincadeiras – e uma mente pouco avisada pode acabar se confundindo de fato. O vídeo do momento é de uma americana chamada Sarah Silverman – que para mim parece uma comediante – e seu vídeo chama-se “Venda o Vaticano, alimente o mundo”. O que pode parecer uma excelente idéia, se não fosse idiota.

Nossa protagonista propõe uma coisa simples: vender o Vaticano por uma módica quantia de 500 bilhões de dólares (“o dólar é moeda falsa – americano já nem segura as calças”, como diria Tom Zé, mas…) e usar o dinheiro para construir casas e dar comida para os famintos. (veja o vídeo legendado abaixo)

Hoje o mundo conta, segundo informações das Nações Unidas por pesquisa realizada por sua agência FAO, com mais de 1 Bilhão de pessoas passando fome (ver notícia). Um número recorde e que só tende a crescer cada vez que avança mais a desigualdade social e o desinteresse das nações. O real problema da fome é a total falta de distribuição de renda (chamada de concentração de riquezas) e e má distribuição da produção.

É. Não basta vender o Vaticano. Se dividirmos 500 bilhões para 1 bilhão de pessoas, daria uma pequena fatia de 500 dólares para cada faminto gastar com o que quiser, mas resolveria o problema? Então vamos vender o Museu do Louvre, a Estátua da Liberdade e o Corcovado…

Não dá pra vender o mundo para matar a fome do mundo. Pois não é assim que resolveríamos o problema. Há produção de alimentos suficiente para toda a população. O que não há e vontade de que todos tenham acesso à comida. Então, melhor seria deixar de considerar alimento um bem de consumo e passar a considerar como uma “propriedade coletiva”, questão de segurança e sobrevivência da espécie.

Internet: A grande Praça Pública

O que sempre sonhou o homem moderno, observando o passado democrático grego e seus políticos-filósofos, foi termos um espaço de exercício dessa democracia de forma absoluta, refletida em nossa liberdade de expressão. A internet é um senário novo, totalmente diferente de tudo o que já tivemos em termos de mídia e de espaço para debates de idéias e proliferação de opiniões. E muitos políticos têm se aventurado nesse lugar (utópico, no sentido mais exato da palavra), mas aqui a praça é pública e as vozes se misturam, todos têm o mesmo direito e somos realmente iguais.

Tenho me deparado pelo micro-blog Twitter com várias figuras políticas de nosso país, que criam perfis, sites e blogs, com o objetivo de “aproximar-se” de seus eleitores. Mas o fato é que a internet não é um palanque e não funciona como as mídias tradicionais, onde o controle do dinheiro e o limite de espaço pode favorecer alguns poucos. Aqui não há marqueteiros, nem ternos ou sorrisos e não é possível oferecer vantagens para se ter a simpatia de ninguém.

Eu me deparei com o perfil do senhor Paulo Maluf (@paulosalimmaluf), casualmente, no Twitter mesmo, e o descobri com a seguinte mensagem de um outro usuário, o Vinícius Bruno, que é Jornalista Político (28 de setembro de 2009):

maluf-twitter

O perfil do Maluf é verdadeiro, não é fake. O que me chamou a atenção foi o fato de ele responder alguns mensagens que mandei direcionadas a ele. Isso é espaço democrático. Não dá pra fazer isso de um palanque ou pela TV, onde tudo é ensaiado e teatralizado para se ganhar votos. Não sou simpático ao Maluf e ele vai descobrir que fora de SP, há muita gente como eu.

Aqui, nessa praça pública é impossível proliferar discriminações ou segregar alguém. É na internet que somos realmente todos iguais, como se deveria ser numa praça pública, idealizada pelos nossas gregos e seus filósofos que podiam ir para os anfiteatros e debater com todos em pé de igualdade. Era ali que se provavam homens livres. Não há, na internet, negros, brancos, pardos, amarelos ou vermelhos; muito menos pobres e ricos. Não é possível o controle da mídia, nem as opiniões podem ser censuradas. Todas as vozes podem ser ouvidas igualmente.

Quem quiser seguir, meu perfil no Twitter é @hordones.

A Internet e nossa Liberdade de Expressão

internet-tendencias Sobre o Projeto de Lei da Câmara: PLC 141/2009 – Liberdade na Internet.
Votou-se no Senado hoje, 15 de setembro (2009), o texto final do PLC 141, chamado de mini-reforma Política, onde dentre vários temas o que mais chamou a atenção era a proposta dos relatores, e que veio da Câmara dos Deputados (federais), de restringir o uso da internet no debate político. O que se tentou fazer era regular e até proibir que se publicasse opinião ou debates em Blogs a até redes sociais – algo inviável e até impossível de se regular.

Ao contrario do que muitos pensam ou pode parecer sob alguns aspectos, a internet NÃO é uma terra sem leis, onde vigore uma anarquia total. Pense numa multidão, como em estádios de futebol: pode-se passar por anônimo ou desapercebido, mas não há anonimato e as ações de uma massa não anulam sua responsabilidade sobre seus próprios atos.

Alguém que mantém um blog ou um perfil em redes sociais, fóruns de debates e outros meios de interagir com outras pessoas pela internet, pode se ver no meio de uma multidão e acreditar que suas ações são minimizadas ou diluídas. Poucos são os sites/blogs ou perfis de redes sociais que têm grande destaque e atraem milhares de visitas e leitores, mas isso não anula a responsabilidade de quem quer que seja sobre o que publica ou debate e escreve.

Assim os nossos senadores perceberam que bastava manter as liberdades que nos são de direito constitucional e regular a internet da mesma forma. Sem proibir nada, basta exigir que se dê “nome aos bois” ou seja, é proibido o anonimato. Se você ou eu quisermos dar nossa opinião sobre o que quer que seja nas próximas eleições, dentro da internet, teremos que fazer às claras. Isso é algo que se pode regular, já que é possível rastrear a ação de qualquer pessoa comum na rede de computadores, mesmo que use perfis falsos (fake).

O texto aprovado tem a seguinte redação:

“É livre a manifestação de pensamento,  vedado o anonimato  durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores – internet, assegurado o direito de resposta.”

O texto final aprovado pelos senadores trata de outras questões mais amplas e até mais delicadas. Agora volta para a Câmara dos Deputados, de onde veio, para ser novamente votada e mexida (esperamos que não mexam em nossas liberdades) e precisa ir à sanção do Presidente Lula até o dia 2 de outubro (2009) para valer como regra para as eleições de 2010. O prazo é curto e se os deputados não cumprirem esse tempo, nada muda para a internet, como também não muda se for aprovada.

Acredito que esse texto sobre as liberdades da internet serve bem apenas para ilustrar e deixar claro que este é um país livre e que preza pelos direitos individuais, ao contrário do que temos visto em alguns países vizinhos, onde há um controle da imprensa e não há certos direitos individuais de livre pensamento e produção intelectual.

Para completar leia:

A Política, o Político e questões Morais e Éticas

etica-moral-politica Tenho saudades dos tempos que não vivi. Aquele tempo em que certas palavras tinham significados explícitos e ninguém questionava ou tinha dúvidas sobre a importância que certas coisas têm para a sociedade. Estamos numa era onde se perdeu o sentido óbvio de certas palavras e alguns têm a coragem de dizer que alguns temas são inviáveis, alguns dizem “Crise Moral”.

Observando a política aqui no Brasil, o que nos assusta é que é preciso, por força de lei – ou a tentativa disso – de determinar qual o caráter deve ter um homem público para exercer um mandato eletivo, mas alguns (muitos?) nem sabem mais qual o sentido de uma vida moral ou para que serve a Ética.

Acompanhando o debate dos Senadores desde o dia 09 de setembro (2009), sobre o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 141/2009url_icon , encontrei a proposta de emenda aditiva do Senador Pedro Simon que quer o seguinte texto (os grifos são meus):

O registro de candidatura será deferido aos candidatos que comprovem idoneidade moral e reputação ilibada. (NR)
[Art. 49 § 3º] – Para ler toda a proposta com a justificativa, clique aquiurl_icon .

O Senador Pedro Simon tem um blog e nele trata mais diretamente sobre sua proposta e dá alguns parâmetros e justificativas para sustentar seu texto e a importância de que se exija dos políticos de cargos eletivos coerência de vida: http://senadorpedrosimon.blogspot.com/. Diz ele mesmo:

“Minha emenda está fundamentada na Constituição. Com a introdução desse princípio na legislação eleitoral, a sociedade terá um instrumento legal para impedir as candidaturas oportunistas de pessoas que buscam o mandato para usufruir de foro especial e privilegiado.”

Os que são contra a proposta do Senador Pedro Simon – diga-se de passagem, é um dos raros que se enquadra nesse modelo – alegam que é uma proposta muito subjetiva e difícil de ser aplicada, dando muito poder a juízes, por exemplo, de primeira instância, a embargar candidaturas.

Por isso é que gosto e tenho saudades dos tempos que não vivi. Se meu avô me disser que devo ser um homem idôneo moralmente e não manchar a reputação de minha família, sei exatamente do que ele está falando e não vou questionar se isso é viável ou não, se existem pessoas assim ou se todos são assim. Hoje em dia o que me parece é que certas palavras perderam significado em alguns lugares ou nem mesmo existem para alguns dicionários.

Mas sendo mais direto: quero ver a lista dos senadores que votarem contra a proposta de emenda aditiva do Pedro Simon. Será que são homens e mulheres honrados, que conhecem a ética e a moral exigida de pessoas públicas? Seria um “tiro no pé” se alguns se posicionarem contra, até porque essa é uma matéria que será votada abertamente e vale muito a pena ver a transmissão pela TV.

Os Senadores prometeram se reunir e votar todas as propostas de emenda de reforma política do PLC 141/2009, que já teve o texto básico aprovado. Outras partes muito relevantes até querem regular o uso da internet, que pode mexer com nossas liberdades. Vamos acompanhar e ver o resultado. Só espero que os nossos políticos tenham tempo para, ao menos, aprender o significado de duas palavras para não errarem o passo.

Marina Silva no PV e o Debate Político em 2010

marina_silva1 Para aqueles que estavam apostando em uma eleição polarizada (bi-polar aos moldes da Guerra-Fria) entre Dilma (PT) e Serra-Aécio (PSDB), foi um balde de água fria na cuca daqueles que não querem um debate sério e concreto sobre questões de Estado relevantes para o Brasil, quando a Marina Silva aceitou o convite do PV (Partido Verde) de compor seu quadro de filiados e ser, eventualmente a candidata deles à Presidência da República.
O que muda é que isso exigirá dos concorrentes à vaga do Lula um maior empenho em debater idéias e posições políticas, mais do que ficar com a troca de ofensas, ameaças e gritos.

Quem teve a oportunidade de assisti à propagando eleitoral do dia 10 de Setembro (2009) do PV, viu 10 minutos de programa todo contando a história da Senadora Marina Silva, narrada por ela mesma. Seu nível intelectual e político e invejável e é reconhecida mundialmente, respeitada mundialmente e muito influente no que diz respeito à políticas de sustentabilidade ambiental e social. Abaixo tem o vídeo para assistir.

Mas o que mais chama a atenção é a história de vida da Senadora. Teve tudo para não ser alguém e aceitar as limitações de sua pobreza, quase miséria, analfabeta até aos 15/16 anos – e foi alfabetizada pelo sistema MOBRAL, que não é exemplo de eficiência nem qualidade. Trabalho nos seringais da floresta Amazônica, quase como escrava, ela e sua família; foi empregada doméstica para concluir os estudos da faculdade de História e lecionou no ensino público de nosso país.

Sem contar que está nas bases da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores), tem uma educação cristã invejável ao lado de grandes nomes da Teologia da Libertação, o que lhe dá a verdadeira vivência do Evangelho de Jesus Cristo – aquela Boa Nova de serviço aos mais pobres, honra, honestidade e ética: tudo o que parece não mais existir na política.

Quem viu a entrevista que ela deu ao Jô Soares no dia 31 Agosto (2009) ou leu a entrevista na Veja (não recomendo lerem a Veja, mas nesse caso é importante) fica impressionada com a capacidade que a Marina Silva tem de entender os problemas que nosso país enfrenta, sem uma visão simplista ou fatalista, mas muito sóbria e pertinente. Isso não encontramos nos outros dois candidatos à presidência que se mostram mais interessados em perpetuar seus seguimentos no poder.

A Ministra Dilma, ao menos, tem a seu favor o apoio do Presidente Lula e está comprometida com as políticas implantadas por este governo no que diz respeito às questões sociais; e se mostra mais forte politicamente que qualquer concorrente do PSDB, como o Serra que tem representando apenas os interesses de seu grupo em São Paulo. Para aqueles que acreditam no trabalho de Lula, a Dilma tem toda capacidade de fazer um ótimo governo.

Já o Serra (se se confirmar como o candidato à reveria do Aécio, governador de Minas) não é uma figura muito amistosa e não parece convencer a grande massa da população. Mas tem a seu favor a grande mídia e muito dinheiro. Num país em que a TV é formadora da opinião pública e os jornais e revistas estão mais preocupados em montar factóides e defender a elite endinheirada, isso faz muita diferença.

O que esses dois não contavam era com alguém de peso e credibilidade como é a Marina Silva, querer entrar nessa disputa. Acredito que a internet fará toda a diferença nessa briga e a Senadora vai correr por fora, enquanto os outros dois se mordem e se bicam. Marina Silva vai forçar para cima o nível e a qualidade do debate eleitoral – e duvido que os outros dois têm capacidade de acompanhá-la – podendo receber para si os votos dos indecisos, mais daqueles que não votam no PT e mais dos que não querem a direita no poder. O resultado dessa soma pode ser no mínimo interessante.

Eduardo Suplicy e a coragem que não temos

suplicy-cartao-vermelho Enquanto assistimos ao longo e degradante espetáculo dos poderosos e coronéis de nossa política, que ocupam cargos eletivos a longas décadas, seja por imposição militar e falsa democracia ou se por ignorância de um povo que só é capaz de enxergar aquilo que as viseiras da mídia elitista consegue nos impor, quase nos perdemos em conseguir distinguir o que é correto. Já nos falta coragem até para querer entender o que se passa e nos rendemos, aceitamos a posição de espectadores do novo “pão e circo”.

No dia 25 de Agosto de 2009 (terça-feira) subiu à tribuna do senado federal o ilustre Eduardo Suplicy (PT-SP) com um lúcido propósito de firmemente defender a renúncia de presidente daquela casa, o Senador José Sarney. Usando de uma imagem simples e clara, deu o cartão vermelho ao seu colega, que já se mostra incapaz moralmente (há pelo menos 3 décadas) de continuar à frente do Senado. Mas o Senador Heráclito Fortes (DEM [PFL]-PI) quis interromper dizendo que o Suplicy não era sincero, pois deveria “dar cartão vermelho” ao presidente Lula.

Veja o vídeo:

Até quando a direita desse país, quase a Terra do Nunca ou o lugar dos contos de fadas, continuará tentando nos fazer de idiotas e massacrar nossa inteligência? Se homens públicos do porte do Eduardo Suplicy não podem mais se posicionar de forma veemente contra aquilo que já é notório – todo os crimes políticos cometidos pelo Senador Sarney e tantos outros que não cabe aqui citar nomes, mas esse já ilustra bem o problema que vivemos – se homens sério e honestos como Suplicy têm que “calar a boca” e não podem protestar, o que dirá de nós, reles civis.

Não há imprensa livre nesse país que já não esteja vendida aos interesses financeiros e políticos que a elite quer determinar. Somos obrigados a engolir a merda que eles nos querem fazer acreditar e ainda temos que pensar como eles nos querem impor.

Nunca ninguém viu o Senador Eduardo Suplicy tão exaltado. Tenho certeza de que sua reação tão forte e incisiva foi pelo fato de querem ter calado sua voz e desmoralizar seu discurso que era, naquele instante a voz de tantos brasileiros que não admitem que nada seja investigado contra o senador Sarney. Nào é possível aceitarmos que tudo sempre seja arquivado e que a mídia crie seus espetáculos semanais distorcendo a verdade.

“O espetáculo sobre os atos secretos já passou”, dirão os editores é preciso criar novos fatos (factóides) que mantenham o ritmo intenso da “novela”, pois há de se matar um “mocinho” por semana e um “vilão” tem que gerar o drama. A mídia fez do ato do Suplicy uma cena de canastrão, transformando o Heráclito Fortes naquele que tem a razão – “o Lula é muito pior, foi o culpado de tudo isso aqui no senado”, defendeu o Heráclito…

Será que o Lula é culpado de tudo? Mas bom mesmo é ver novela. Acreditamos que elas são um “retrato da vida real” e que nós somos a ficção. Lá tudo se resume entre segunda e sexta-feira, pois se assuntos demorarem mais que 5 dias para se resolverem e chegarem a um desfecho, o público perde o interesse. Assim cada semana temos uma novela nova. Queremos que tudo seja como saído do imaginário de um roteirista de novela, só que nesse caso, cabe ao editor do jornal esse papel. Nos esquecemos do que ficou na semana passada, porque já tem coisa nova no ar.

Foto: site UOL.

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