43. Citius, altius, fortius.

E o fim de mais uma olimpíada.

O lema nunca foi tão apropriado para um evento como esse: “Mais longe, mais alto, mais forte”. Demonstra e sonha que o homem não tenha limites e não se acanhe diante do que for chamdo “impossível”. Até porque provamos sempre que não há nada impossível, quando muito, improvável.

Improvável seria ver um homem correr 100 mestros em apenas 9,69 segundos, fazendo parecer fácil como brincar de pega-pega. Bater no peito e opontar pro céu como que dizendo “eu posso”, e por fim, passar a linha de chegada.

Ou mesmo ver uma mulher superando os 5,05 metros no salto com vara e sorrir antes mesmo de começar a cair rumo aos gritos enlouqucidos da multidão que ficou sem ar diante do feito único.

Os físicos terão que rever suas fórmulas sobre a resistência da água. Esta parece submeter-se aos caprichos do humano que superou todos os limites e humilhou as leis da física. Como desrespitam tais leis também os jogadores de basquete e volei.

Ficou evidente a força das mulheres para o esporte no Brasil. Nem preciso mencionar o futebol feminino: que show! Aquilo sim é jogar bola, é fazer bonito – isso sem precisar ganhar milhões de dólares.

O símbolo é o mais importante. Começa os jogos e cada delegação de país entra com suas cores, bandeiras e atletas. Com o passar dos dias dos jogos, esses vão se misturando; hospedam-se nos mesmos lugares; comem da mesma comida; dividem os mesmo locais de treinamentos e tentam falar alguma língua que se faça entender. Depois, quando tudo termina são uma única nação. Na celebração de encerramento, entram as bandeiras, mas os atletas não acompanham a de sua origem, mas chegam todos juntos, pois já não importa a nacionalidade, mas a fraternidade que ficou evidente.

40. Vocação dos Leigos no Mundo.

[pequeno comentário da Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI, de João Paulo II. Apenas para motivar o ineteresse pela leitura do texto na íntegra.]

Continuando o artigo anterior, que fala um pouco das escolhas que fazemos ou preferimos, gostaria de citar e comentar um pequeno trecho que achei na supra-citada exortação onde trata do lugar do leigo na vida e missão da Igreja no mundo.

Como no texto anterior eu tratei das dificuldades, continuo nessa linha aqui. Não quero que ninguém se engane em pesnsar que estar no caminho seja coisa simples e facil. Grandes são os desafios e, talvés, o maior deles seja qual o nosso lugar no mundo como testemunhas da fé em Jesus Cristo.

Vejamos:
“(…) Os fiéis leigos não tem estado isentos de dificuldades e de perigos.”
Citarei e comentarei por partes um pequeno trecho do parágrafo 2, tema que é aprofundado no documento do Papa nos parágrafos 16, 17, 23, 24, 33, 35, 36, 37, 51 e 52 especialmente. Estas partes tratam mais especificamente sobre os desafios enfrentados principalmente pelas famílias.

“Em especial podem recordar-se duas tentações, de que nem sempre souberam desviar-se:”

1) “a tentação de mostrar um exclusivo interesse pelos serviços e tarefas eclesiais, por forma a chegarem frequentemente a uma prática abdicação das suas responsabilidades específicas no mundo profissional, social, económico, cultural e político;”
Esse é um grande perigo. Os leigos têm de viver inserido na sociedade e no mundo como luzes a brilhar o evangelho ao mundo. Não podem se esconder de sua responsabilidade de testemunhar Jesus no trabalho, nos estudos e na vida social, inseridos totalmente na realidade humana, sem fugir da responsabilidade de viver cristãmente.
As tarefas e serviços na Igreja são fonte para fortalecer a vida e ajudar a guiar-nos no caminho de Cristo, sem nos deixar perder pelas tentações do mundo, mas não podemos, em momento algum negar a responsabilidade de estar no mundo.

2) “e a tentação de legitimar a indevida separação entre a fé e a vida, entre a aceitação do Evangelho e a ação concreta nas mais variadas realidades temporais e terrenas.”
Transformar a realidade à nossa volta nos moldes cristãos, segundo o ensinamento do Evangelho de Jesus. Não podemos aceitar que a fé e a vida andem separadas. Aquilo que cremos tem que ser aquilo que vivemos e praticamos. A fé tem que ser modelo de vida e a vida tem que refletir a fé que professamos.

Vale a pena a leitura de todo o documento e entender os caminhos do Evangelho na vida cotidiana. Devemos ser luz no mundo.

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Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI – João Paulo II (na íntegra e em português).

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38. Um Projeto de Família.

Já há alguns dias em que estamos preparando um novo blog.
Essas novidades já tão velhas da internet ainda assustam alguns ou causam estranhes a outros.
Este meu blog já está a pouco mais de seis meses no ar, com um objetivo bem simples: apresentar idéias, levantar questões.

Meus pais começaram a ver esse crescimento de meu blog e acharam a idéia interessante, uma forma de divulgar o evangelho e propagar o amor de Deus. Os dois, juntos, têm trabalhando junto às Equipes de Nossa Senhora e outros movimentos e pastorais da Igreja, principalmente com casais e famílias.
Assim, decidimos que seria uma boa difundir esse trabalho também aqui na internet.

Criamos o blog Harmonia Conjugal
http://harmoniaconjugal.blogspot.com/
Ainda está começando, mas lá trataremos preferencialmente do tema FAMÍLIA e Casamento, MATRIMÔNIO.

Acompanhem.

35. DEUS CARITAS EST – Amor!

Cremos num Deus que é amor.

Podemos ler e reler a bíblia, mas algumas vezes nosso entendimento só se abre de fato quando alguém mais ilustrado nos dá o caminho a seguir.

Lemos assim em 1Jo 4,16:
“Nós conhecemos e cremos no amor que Deus
tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece
no amor permanece em Deus e Deus nele.”

Veja como Bento XVI explica isso:
“Nós cremos no amor de Deus — deste modo pode o cristão exprimir a opção fundamental da sua vida.”

Lembro até um pouco da carta de Paulo aos Coríntios que começa com um elogio dizendo que eles têm todos os Dons que vêem de Deus. Notem bem, TODOS os dons:
“Assim, enquanto esperam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo,
não vos falta dom algum.” (1Cor 1,7)

Mas, mais pra frente achamos isso: Paulo vai tratar sobre a diversidade de Dons (carismas), ensinando aquela comunidade que já possuia todos os dons a usar bem a graça de Deus em favor de todos e como devem formar um único corpo, viver em unidade (cf. 1Cor 12).
Terminando o capítulo 12, no versículo 31 lemos o seguinte:
“Aspirai aos dons mais elevados.
E, agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos.”

E começa o capítulo 13 falando do amor cristão. É o amor (“agape”) que transmite o dom recebido. Sem isso não é possível identificar-se como cristão e seríamos como sinos que só fazem barulho (cf. vv. 1).
A verdade é que, para Paulo, não bastava ter todos os dons, importava mesmo viver a radicalidade do amor, imitando Jesus. Pra entender, basta ler Jo 3,16:
“Deus amou o mundo de tal modo que deu seu filho único,
para que todo o que nele crer não morra,
mas tenha a vida eterna.”

E podemos completar voltando a 1Jo 4,10:
“Nisto consiste o amor: não em termos nós amado Deus,
mas em Deus nos amar primeiro enviando o seu filho (…).”

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Aqui deixo então duas sugestões de leitura. A primeira é a carta Encíclica do Bento XVI – DEUS CARITAS EST. Com ela podemos aprender mais sobre o amor cristão. É uma boa fonte de estudo para as famílias, especialmente os casais. Podem aprender muito sobre o modelo de santidade e vivência desse amor conjugal também.
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html

A outra dica é ler a carta de Paulo a Filêmon. Pra isso tem que abrir a sua bíblia e procurar.
É a menor carta de São Paulo, mas é a mais profunda sobre como deve ser praticado o amor ensinado por Jesus. Você terá grandes supresas. Prometo que em breve publico aqui um comentário sobre essa carta.

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31. Mt 9,36-10,8 – Vocação universal.

[segue um pequeno comentário sobre o trecho do envagelho e alguma recomendação de leitura sobre vocação cristã.]

Os trabalhadores são poucos.

O evangelho lido no 11o. Domingo do Tempo Comum provoca-nos pensar sobre nossa vocação cristã no mundo de hoje. Jesus começa com uma constatação, dizendo que o lugar de “trabalho” do cristão, o mundo em que vivemos, é muito grande para tão poucos disposto à missão.
Provocativo!

Ele chama o mundo (ou as pessoas) de “messe”. O que é a messe?
Para o nosso mundo urbano essa é uma palavra completamente desconhecida, quase sem significado. A messe é a plantação, a seara pronta, em estado de se ceifar, para ser colhida. Neste mundo da técnica e da mecânica avançada, poderíamos pensar que para esta grande colheita de Deus, poderíamos usar as máquinas colheitadeiras computadorizadas, onde basta um único operador para arrancar com perfeição a planta do solo sem disperdícios.
Seria como as vastas plantações de trigo e máquinas cortando o relevo vegetal.

Mas, a messe de Deus é delicada. Precisa de cuidado e perfeição que só a mão humana pode conseguir. Por isso o convite de Jesus é dirigido aos homens e seu apelo é que “o Reino de Deus está próximo”.

O chamado a viver em santidade e testemunho cristão no mundo é difícil e a Igreja reconhece alguns obstáculos (citando CHRISTIFIDELES LAICI 2):

“O caminho dos fiéis leigos não tem estado isento de dificuldades e de perigos. Em especial podem recordar-se duas tentações, de que nem sempre souberam desviar-se: a tentação de mostrar um exclusivo interesse pelos serviços e tarefas eclesiais, por forma a chegarem frequentemente a uma prática abdicação das suas responsabilidades específicas no mundo profissional, social, económico, cultural e político; e a tentação de legitimar a indevida separação entre a fé e a vida, entre a aceitação do Evangelho e a acção concreta nas mais variadas realidades temporais e terrenas.”
Para tratar de vocação – o chamado de Deus para trabalharmos em sua messe – recomendo a leitura de alguns textos. são documentos da Igreja que nos indicam como ser cristãos e dar testemunho no mundo de hoje da fé que professamos.

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[clique nos títulos para abrir os textos na íntegra]

Do concílio Vaticano II:
Constituição Domática LUMEN GENTIUM – sobre a Igreja.
Constituição Dogmática GAUDIUM ET SPES – sobre a Igreja no mundo atual.

Outros:
Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI – vocação e missão dos Leigos na Igreja e no Mundo.
Exortação Apostólica FAMILIARIS CONSORTIO – sobre a função da Família Cristã no mundo de hoje.
Carta apostólica MULIERIS DIGNITATEM – sobre a vocação da Mulher.

Exortação Apostólica PASTORES DABO VOBIS – sobre a formação sacerdotal.

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24. Pesquisas e a vida humana

Diante dos recentes debates sobre pesquisas com Células-tronco embrionárias aqui no Brasil, gostaria de disponibilizar alguns textos para aqueles que querem entender melhor a posição da Igreja Católica frente a essa questão tão delicada.
Esse assunto vai muito além do foco da mídia que pergunta unicamente “onde começa a vida humana”. Não responde, nem resolve todo o problema, saber se há vida humana em um amontoado de células congeladas em laboratórios de fertilização. As questões de moral e ética estão no respeito irrestrito ao cuidado pelo ser humano em todas as suas fazes de desenvolvimento, mas principalmente quando esse ser-humano não pode ou não é capaz de manifestar-se até com aparência.
Se olharmos para a história, em um passado bem recente, veremos momentos em que a humanidade discutia, em alguns lugares, se crianças nascidas com algum grau de deficiência (física ou metal) poderiam ser sacrificadas (abortadas tardiamente) para garantir uma humanidade mais “pura” ou simplesmente para evitar custos financeiros elevados, não só dos pais, mas também do Estado.
Hoje, ao consideramos tal possibilidade absurda, alguns querem admitir que pais (especialmente a mãe) possa escolher interromper uma gravidez de um filho com algum problema genético ou de má formação. Apenas mudamos o dilema de lugar. Se antes cogitava-se a possibilidade de matar uma criança “inválida”, por quê não antes mesmo de nascer?
Atribuímos utilidade às pessoas.
É contra isso que a Igreja luta. A vida humana não é um bem de consumo. Não se aceita a coisificação do ser-humano apenas como objeto de utilidade imediata e/ou descartável, especialmente em se tratando da vida. Se a humanidade passar a perder o sentido do outro, perderemos a noção de nosso próprio valor.
E, se a ciência quer pesquisar células-tronco, que a obtenham de outras maneiras e com outras técnicas, que hoje são reconhecidamente possíveis e viáveis (p.ex. da medula óssea).
Para terminar, levanto outra dúvida:
A quem beneficiará tais pesquisas? Sendo apenas para quem puder pagar o valor dos avanços ou sendo para distanciar cada vez mais pobres de ricos, segregando a humanidade em castas (puros e impuros; úteis e inúteis), podem ter certeza, a Igreja será contra.
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[seguem dois links para textos oficiais da Igreja Católica sobre o tema. Site do Vaticano.]

Compêndio da Doutrina Social da Igreja (Ver os parágrafos: 235; 236; 237).
Este Compêndio reúne toda a Doutrina social em seus diversos temas. Uma ótima fonte de estudos. Vale a pena encontrar e comprar em alguma livraria Católica.
Outro link que vale a pena conferir é do Supremo Tribunal Federal.
Na parte de Notícias do dia 29 de Maio de 2008, é possível conhecer um resumo dos argumentos de cada Ministro (clique aqui).
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16. Sacramentos no Vaticano II

O Concílio Vaticano II fez um belo resumo dos sacrametos da Igreja no texto da Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM – Sobre a Igreja.
Vale a pena citar aqui, então, o parágrafo 11 deste magnífico documento que, com palavras fortes e seguras nos dá a reta orientação do lugar sagrado dos sacramentos na vida de fé do cristão e da comunidade. Tais sacramentos são em vista da manifestação do Sacerdócio comum dos fieis.

“A índole sagrada e, orgânica da comunidade sacerdotal efectiva-se pelos sacramentos e pelas virtudes. Os fiéis, incorporados na Igreja pelo Baptismo, são destinados pelo carácter baptismal ao culto da religião cristã e, regenerados para filhos de Deus, devem confessar diante dos homens a fé que de Deus receberam por meio da Igreja. Pelo sacramento da Confirmação, são mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e deste modo ficam obrigados a difundir e defender a fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo. Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela; assim, quer pela oblação quer pela sagrada comunhão, não indiscriminadamente mas cada um a seu modo, todos tomam parte na acção litúrgica. Além disso, alimentados pelo corpo de Cristo na Eucaristia, manifestam visivelmente a unidade do Povo de Deus, que neste augustíssimo sacramento é perfeitamente significada e admiravelmente realizada.

Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência, obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e ao mesmo tempo reconciliam-se com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão. Pela santa Unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor padecente e glorificado para que os salve (cfr. Tg. 5, 14-16); mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à Paixão e morte de Cristo (cfr. Rom. 8,17; Col. 1,24; 2 Tim. 11,12; 1 Ped. 4,13), concorram para o bem do Povo de Deus. Por sua vez, aqueles de entre os fiéis que são assinalados com a sagrada Ordem, ficam constituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a palavra e graça de Deus. Finalmente, os cônjuges cristãos, em virtude do sacramento do Matrimónio, com que significam e. participam o mistério da unidade do amor fecundo entre Cristo e a Igreja (cfr. Ef. 5,32), auxiliam-se mutuamente para a santidade, pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos, e têm assim, no seu estado de vida e na sua ordem, um dom próprio no Povo de Deus (cfr. 1 Cor. 7,7). Desta união origina-se a família, na qual nascem novos cidadãos da sociedade humana os quais, para perpetuar o Povo de Deus através dos tempos, se tornam filhos de Deus pela graça do Espírito Santo, no Baptismo. Na família, como numa igreja doméstica, devem os pais, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação sagrada.
Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho.”


Em vermelho, assim quero destacar o valor da vocação à família, da busca pela santidade no matrimônio. Poderíamos até dizer que os padres conciliares definiram como a Família sendo o oitavo sacramento.
E sublinhado temos uma breve descrição para o sacramento da Eucaristia.

10. Onde vamos parar? – Família

As Equipes de Nossa Senhora (ENS) são hoje um grande movimento da Igreja Católica Apostólica Romana na evangelização e formação dos casais na espiritualidade de vida conjugal. Formam, junto com tantos outros movimentos de casais e família, a linha de frente da defesa da vocação maior do cristão: serem testemunhas de Cristo Jesus no amor, em uma família santa.
Não nos importa o número de padres ou de religiosos (religiosas) no mundo. Nem se o papa pode atravessar os continentes levando a Palavra de Deus. Para a Igreja, o grande desafio e a verdadeira vocação cristã é viver em família. O amor conjugal, a relação santa de marido e esposa segundo os preceitos de verdade, são o que a Igreja convida a todos para viver. Basta ler a primeira encíclica do papa Bento XVI – DEUS CARITAS EST – para perceber a preocupação da Igreja com a família, com a vivência do casamento cristãmente. Ou, basta rever as grandes pregações de João Paulo II e a relutância da Igreja em não abrir mão daquilo que ela considera vital para o bem das famílias segundo a vontade de Deus.
Lendo um dos materiais de estudo das ENS (Estudo de Tema – “Testemunhas a Serviço dos Casais”, p.30-32), encontrei o pequeno texto que transcrevo abaixo. Eles têm material próprio para seus estudo interno; isso inclúi este texto, que, por ser de um terceiro, penso que posso citar:
O paradoxo do nosso tempo.
[George Carlin: cômico americano]

“O paradoxo do nosso tempo é que temos edifícios altos, mas temperamentos acanhados, estradas largas, mas pontos de vista estreitos.
Gastamos mais, mas possuímos menos, compramos mais, mas aproveitamos menos.
Temos casas maiores, porém famílias menores, mais comodidades, porém menos tempo.
Temos níveis educacionais maiores, mas menor bom senso, mais conhecimento, mas menos juízo, mais especialidades, porém mais problemas, uma medicina mais adiantada, mas menos bem-estar.

Bebemos muito, fumamos muito, gastamos sem medida, porém rimos pouco; guiamos muito depressa, nos zangamos com freqüência, deitamo-nos tarde, porém acordamos cansados, lemos pouco; vemos muita televisão, mas só rezamos de vez em quando.
Multiplicamos os nossos bens, porém reduzimos os nossos valores. Falamos muito, raramente amamos e odiamos com freqüência. Aprendemos como ganhar dinheiro para viver, mas não aprendemos a viver. Acrescentamos anos à vida, mas não vida aos anos.

Fizemos a viagem de ida e volta à lua, mas achamos difícil atravessar a rua para cumprimentar um vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o espaço interior. Realizamos coisas grandes, mas não coisas melhores.

Limpamos o ar, mas contaminamos a alma. Dominamos o átomo, mas não os nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas conseguimos menos. Aprendemos a viver depressa, mas não a esperar.
Construímos mais computadores para guardar mais informações, pra produzir mais e-mails do que antes, mas nos comunicamos cada vez menos. É o tempo da comida rápida e da digestão lenta, dos grandes homens e dos caracteres fracos, dos grandes lucros e das relações superficiais.

Estamos no tempo dos dois salários e dos muitos divórcios, de casas mais luxuosas e de lares desfeitos. No tempo das viagens rápidas, das fraldas descartáveis, dos valores morais descartáveis, dos relacionamentos de uma noite, dos corpos obesos e das pílulas para tudo, desde levantar o ânimo até deprimi-lo, ou mesmo matar.”

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Vou tentar escrever mais sobre o tema família e essa maravilhosa vocação cristã.