Exploração Sexual Infantil e o Estatuto do Adolescente

O Produto Interno Bruto (PIB) da Prostituição Infantil Barata (PIB) [Tom Zé]

vergonha Uma campanha que ganho forças no Brasil é o “Todos Contra a Pedofilia”, que espalho adesivos, publicidade e produziu vídeos e material de conscientização por todas as partes e de todas as formas. Mas sabemos que essa é apenas uma vertente de todo o empenho que precisamos para acabar com os crimes contra a infância e a adolescência em nosso país. Principalmente no que diz respeito à violência sexual e à exploração sexual contra menores. Mas parece que a justiça em nosso país está dando passos para trás.

Em matéria publicada no dia 25/26 de Junho (2009) a Agência Brasil (que é uma empresa pública e muito boa, a meu ver), nos relata algo chocante e triste com o seguinte título:

Numa decisão sem precedentes e indo contra toda a lógica e decência humana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), concordando com o Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS), “rejeitou acusação de exploração sexual de menores contra dois clientes que contrataram em caráter ocasional serviços de prostitutas adolescentes”

“Ao absolver os réus do crime de exploração sexual de menores, o TJMS tinha levado em conta o fato de que as adolescentes já eram “prostitutas reconhecidas”.”
(da Agência Brasil: STJ diz que não há exploração sexual contra menor quando o cliente é ocasional)

Não há muito o que dizer para expressar indignação contra uma decisão tão arbitrária e ilógica. Eu que não entendo muito de Direito, sei perfeitamente que é OBRIGAÇÃO do Estado proteger as crianças e adolescentes de qualquer coisa que as tire de sua condição de inocência. Se o Estado, mesmo que por necessidade comprovada de total miséria, proíbe que uma criança ou adolescente trabalhe, como pode a justiça admitir que se legitime a prostituição “quando o cliente é ocasional”?

adesivo_pedofilia Assim, se o(a) adolescente se oferece na rua para programas sexuais, por “livre vontade” (pois sabemos que até ser maior de 18 anos uma pessoa no Estado de direito brasileiro não pode tomar decisões livremente sem o amparo de um tutor), pode escolher se prostituir e a justiça não vai considerar isso um crime de corrupção de menor?

Ainda existe esse crime na lei, certo? O STJ e o TJMS não conhecem as leis que regem nosso país e o quanto está em voga a defesa da criança e do adolescente em seu Estatuto? Eu, repito, que não sei nada obre Direito, conheço um crime denominado “Corrupção de Menor” que mandaria pra cadeia até os juízes que deram essa sentença.

Lembro bem do que dizia Jesus certa vez:

Cuidado! Não despreze nenhum desses pequeninos [dessas crianças/dos mais frágeis].
Pois eu estou avisando vocês: que os anjos deles estão no Céu contemplando continuamente o rosto de Deus-Pai.

(Mt 18,10[11])

Mas não é bom esperar que a punição venha dos céus ou achar que “só Deus faz justiça”. Mesmo assim, cada um terá a sua parte. E como eu gostaria de saber o que andam falando esses Anjos ao ouvido de Deus!

Agora, cabe ao Ministério Público do MS recorrer e exigir que essa sentença seja revista. Interpretar a lei como foi feito e da forma como fizeram, praticamente legalizamos a prostituição infantil e dá margem para que bandidos e pervertidos tirem proveito da situação para se safarem de seus crimes sexuais.

Mais sobre o assunto:

Protestos no Irã, Fora Sarney e as Redes Sociais [Twitter: #forasarney #iranelection]

Você não precisa entender sobre redes da internet, nem participar efetivamente delas para perceber a capacidade de mobilização que a rede mundial de computadores tem hoje. Seja para organizar grupos de amigos ou para trocar informações, hoje essa mídia tem até o poder de promover revoluções e mobilizar pessoas ao redor do mundo. Basta ver o caso das notícias sobre a Eleição no Irã ou os protestos pelo Brasil contra o Senador Sarney.

Se alguns privilegiam “atos secretos” e outros não dão crédito para a opinião pública (isso não é coisa apenas de deputado brasileiro), pensando que ditaduras e autoritarismo ainda são opção para modelo de governo, o grande público já tem mostrado que qualquer coisa é motivo para debates, mobilizações e enfrentamento.

twitter-icone Para aqueles que não estão familiarizados com o Twitter (como usar o twitter), uma rede-social destinada quase que exclusivamente para a troca rápida de informação e em tempo real e direto entre as pessoas (sem intermediários, editores ou modelos pré-definidos, padrões ou interesses), é com poucos caracteres, apenas 140 para formar um texto, que as pessoas dividem o conhecimento.

Para certos debates e assuntos, convencionou-se o uso de palavras-chave denominadas tecnicamente de “hashtags”, que são nada menos que palavras acrescidas do símbolo de sustenido “#”.

As Hashtags em maior evidência no momento são #iranelection e #forasarney.

Sobre o Irã, quem acompanha as redes de notícias convencionais, TV e jornais impressos, percebeu que poucas são as imagens dos conflitos e pouco se vê um jornalista falar do local sobre o que estão vendo lá. Isso se deve ao fato de que nenhum jornalista estrangeiro tem permissão para sair às ruas daquele país. O que vemos é o relato e imagens enviados pela população usando mensagens de celular (SMS), e-mails, blogs e redes-sociais como o Twitter ou o YouTube para divulgar o que estão vivendo. O que a mídia tem feito é apenas apurar os fatos.

Como aqui no Brasil somos livres (ou deveríamos ser) para tratar de política, a grande mobilização contra o Senador e ex-presidente da república José Sarney (Coronel do Maranhão, mas foi eleito senador pelo estado do Amapá – não entendi isso) está passando quase que exclusivamente pelo Twitter. Muitas cidades terão protestos e manifestações que foram organizados unicamente usando mensagens de texto simples e artigos em Blogs.

As mídias convencionais não são democráticas e impedem a participação das massas ou da classe mais intelectualizada ou que tem acesso à informação e/ou capacidade de questionar e filtrar a informação que vem dessas redes padrões, TV e impressos (mídias de massa). Não são democráticas não por culpa deles mesmos (alguns tem culpa, sim), mas pelo alto preço para se veicular conteúdo ali.

Já a internet e as redes-sociais, como temos hoje, permite que qualquer um publique, tenha suas idéias difundidas e lidas por terceiros e, se mais pessoas se sentirem motivadas podem espalhar isso, replicando à sua maneira – se for no Twitter será “retwitando” (RT). A isso chamamos de “viral”: algo que se espalha como um vírus pela internet, seja um vídeo, um texto ou uma idéia.

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“Virais” e mobilizações por redes-sociais não se produz da noite para o dia, nem tem como se prever que algo vai “pegar” e mais gente terá o mesmo interesse. Isso é totalmente espontâneo e natural. Diferente, mais uma vez, das mídias convencionais onde apenas a vontade dos editores ou criadores da programação é que vigora e impõem isso às massas, na internet somos livre para sermos “nós mesmos” e podemos pensar sem intervenção externa (não diretamente).

Lemos o que queremos, clicamos nos links que queremos e vamos às páginas, artigos e vídeos que outros produziram.

É certo que é bem mais informação e é difícil filtrar o que realmente vale a pena, mas dessa vez temos as rédeas à mão. Aqui a Globo não pode eleger presidentes, nem omitir informações como no caso do Ministro (Coronel) Gilmar Mendes. Não há censura ou repressão nem controle externo e somos nós quem determinamos o que será notícia.

Ainda estamos aprendendo a usar essa nova ferramenta e o mundo agora parece bem maior que antes, mas as perspectivas são boas e mostra que estamos acertando mais que errando. A internet não tem fronteiras e nos faz pensar e acreditar que somos todos uma só Humanidade, sem língua, nação ou diferenças.

Como criar um Blog?

Este blog completará 1 ano de existência e foi um esforço muito grande aprender a usar esta ferramenta de publicação livre na internet. Deixar suas idéias a público pode ser um pouco complicado e poucos vão ler. A Internet tem-se mostrado democrática, mas ganhar espaço não é fácil. Mas isso não é o maior dos problemas. A grande dificuldade de quem chega à internet é conseguir lançar mão desses mecanismos como weblogs e sites.

Passei muita dificuldade para aprender a usar o mais popular e básico dos serviços, o Blogger da toda poderosa Google. Então resolvi criar um outro blog para ensinar pessoas que, como eu, não entendem muito disso, mas querem e aceitam o desafio.

 

Este Blog chamado Lemos Idéias ficou muito tempo desatualizado, não por falta do que dizer, mas por eu ter me metido na empreitada de criar um outro blog de prestação de serviço, mais objetivo que esse e que tem se mostrado em franco crescimento e de muita importância na chamada “blogosfera” – o mundo dos blogs.

Resolvi que poderia ajudar outras pessoas a ter e usar blogs de forma mais eficaz mesmo sem conhecer muito (ou nada) da linguagem de internet. Até porque, isso não exige muito conhecimento de programação mesmo não. É tudo bem visual e simples, mas tem alguns truques!

Assim criei o [ Ferramentas Blog ].

O que é um weblog (blog)?

“Um weblog, blog, blogue ou caderno digital é uma página da Web, cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos de tamanho variável, chamados artigos, ou "posts". Estes são organizadas cronologicamente de forma inversa (como um diário), e podem ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog.
Os sistemas de criação e edição de blogs são muito atrativos pelas facilidades que oferecem, pois dispensam o conhecimento de HTML, o que atrai pessoas a criá-los.”

Definição encontrada no WikiPedia ajuda um pouco a entender esse serviço.

Se você tem uma boa idéia ou quer mesmo simplesmente publicar seus artigos ou piadas que recebe por e-mail, tudo é permitido. Existe uma infinidade de sites sobre tudo o que se possa imaginar. Basta procurar no Google e verá o tamanho desse mundo e entender por quê é chamado de “blogosfera”.

 

Quer aprender a criar um blog?

Visite o www.blogger.com e faça seu cadastro. É auto-explicativo! E depois vá ao [ Ferramentas Blog ] e desfrute e aprenda como desenvolver melhor o seu projeto!

Completamos 50 artigos e 340 dias

LogoIdeias

 

Este blog nasceu no dia 11 de novembro de 2007 e tinha o objetivo de oferecer reflexão coerente em teologia católica, comentários bíblicos e um pouco de algo mais. Achei que seria interessante falar de números e daquilo que já passou por aqui e os principais temas dessa nova forma de mídia.

Ganhamos muito com o que a internet pode oferecer em comunicação e troca de conhecimento, mas descobri também o quanto é difícil selecionar o que há de bom.

fundo01

Uso, uma ferramenta de estatísticas para sites/blogs da Google Analytics, que dá números de visitas e origens dessas. Apurando, em 340 dias no ar – quase 1 ano – foram mais de 1200 visitantes (sem contar os retornos) com 3000 exibições de páginas (mas gráfico01esses números só começaram a ser apurados no dia 3 de Maio, o que dá uma boa média de visitas diárias; destaque para o dia 13 de Outubro, com 70 visitas).

As visitas vieram de 15 países e 150 cidades brasileiras. Não são bons números, mas é um bom começo, especialmente para um blog de conteúdo tão selecionado – selecionados são também os leitores.

 

Tratamos aqui de alguns temas interessantes.

Vale lembrar aqueles que permeiam a teologia:

São 19 artigos sobre Comentários Bíblicos;

11 sobre Documentos da Igreja;

8 que tratam sobre o Sacramento da Eucaristia, com profundo estudo bíblico direcionado;

mais 8 só direcionados ao tema Família;

e outros 6 que falam de Maria – Mãe de Deus.

Falamos de música, televisão, livros e cinema. Minha paixão, a Capoeira, não ficou de fora.

 

Com isso, deixo um compromisso: continuar com um conteúdo de nível e qualidade no uso do espaço que a internet nos dispõe.

Aprendi muito publicando e achei por bem cooperar com aqueles que querem aprender e fazer o mesmo. É fácil usar blogs, mas tem seus segredos e é difícil ganhar espaço e descobrir boas ferramentas. Por isso comecei um novo blog com o intuito de reunir num único lugar tutoriais para blogs, com dicas, serviços e ferramentas, numa linguagem acessível e democrática. Confiram: Ferramentas Blog (http://ferramentasblog.blogspot.com/).

LogoFerramentas

Acompanhem mais o crescimento do “Lemos Idéias” e deixe seus comentários nos artigos que mais gostar. Sua participação faz crescer nosso trabalho e melhorar a qualidade do que fazemos e disponibilizamos aqui.

 

Obrigado a todos!

Alguém, em Wall Street leu Marx?

Depois de décadas defendendo uma economia liberal e palavras mágicas como “não intervenção do Estado”, “auto-regulação do mercado”, “mão invisível” e todos os outros jargões do capitalismo moderno, (Neo-)Liberal, um impasse. Ao que temos visto nos últimos dias é um descontrole total do mercado internacional, especialmente nas potências econômicas, tudo puxado pelos EUA.

Agora, pacotes econômicos desesperados injetando todo o dinheiro possível (mais de 700 bilhões de dólares, só do governo estadunidense). Ação coordenada dos Bancos Centrais na redução conjunta da taxa de juros. O que mais me chamou a atenção foi a estatização de alguns bancos na Inglaterra – um governo que acredita na não-intervenção e no estado-mínimo estatizar bancos (comprar bancos praticamente falidos) é um duro golpe no capitalismo moderno.
Alguém esqueceu, então, de ler Karl Marx, mais especificamente “O Capital”. Lá ensina que o lastro do dinheiro (capital) é a força de trabalho e o produto (mercadoria) resultante desse trabalho. Assim, algo vale pelo tempo de trabalho, pela força de trabalho gasto para produzi-lo. Mas, o que temos visto é “capital especulativo”. Dinheiro virando dinheiro. Dinheiro q não tem lastro real – dinheiro virtual. Os bancos, as bolsas e o(s) mercado(s) têm especulado com algo fictício.
Vejam o que Marx escreveu:
“O acréscimo de valor, pelo qual o dinheiro deve se transformar em capital, não pode provir desse próprio dinheiro. Se serve de meio de compra ou de meio de pagamento, somente realiza o preço das mercadorias compradas ou pagas por ele.”
Não se pode ganhar dinheiro sem uma mercadoria, sem produção.
“É preciso, portanto, que a mudança de valor expressa por D – M – D’, conversão de dinheiro em mercadoria e reconversão da mesma mercadoria em mais dinheiro, provenha da mercadoria.”
Isso soa quase como uma profecia apocalíptica. Tipo aquelas que ouvimos da boca de Jesus (esse mesmo…): “Não se pode servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16,13c). E tem mais: “O Mercenário trabalha só por dinheiro” (Jo 10,13a). Mas é o que mais temos visto. aqueles homens q trabalharam só pelo dinheiro e fizeram dele seu ídolo máximo, seu deus e senhor, agora estão por segurar as calças.
Até me lembro de uma música do Tom Zé chamada “Moeda Falsa”. É uma boa sátira com a situação atual. Se podemos rir da situação, que seja como os gênios e com arte; veja a letra:
Moeda Falsa (Tom Zé)

E logo (agora que) o Brasil, que vai ser um país rico, assim que esse diabo de petróleo acabar
O dólar é moeda falsa
Americano já não segura as calças
Alemanha quase pedindo esmola
A inglesa não usa mais calçola
Na Itália não tem mais sutiã
Suíça não lava a bunda de manhã
Ô, Cabrobó
Eles vão toma no fiofó

O Brasil que queremos ser (?)

[É assunto recorrente deste blog, vou tocar neste tema mais uma vez: racismo. Tem gente que insiste em ser ignorante e orgulhar-se deste fato… vai entender!
Ah!
Dentro do assunto vou comentar sobre os 40 anos da revista Veja e o quanto é importante buscar boas leituras – e, pode ter certeza, não estou me referindo à Veja como exemplo de boa leitura (nem deveria ser lida – mas essa é minha opinião)]

Aqui já postamos inúmeras vezes contra qualquer tipo de segregação, preconceito e/ou discriminação – que, como canta o ilustre Gabriel (o pensador), “racismo é burrice”. Mas esse é um tema que parece ser difícil de penetrar as mentes mais caducas e também as mais imaturas, então, nada mais justo que insistir na correção.

Um dos textos mais brilhantes do século XX (esse que ficou pra trás) é o da Declaração Universal dos direitos humanos. Postaremos abaixo quatro de seus artigos que podem nos ensinar muito e abrir nossa mente – excelentes argumentos contra a propagação de qualquer tipo de discriminação – e pequenos comentários. Vejamos:

Artigo 1 – Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
[A grande novidade da declaração está logo na primeira frase. Não somos iguais por definição ou lei que regula e/ou torna-nos iguais; somos iguais porque NASCEMOS IGUAIS. Isto é uma condição da natureza humana.
E outra novidade: termina com um dever simples, claro e objetivo para a conduta humana – “agir com espírito de fraternidade”. Ou seja: com o sentimento de irmandade; somos iguais e irmãos.]

Artigo 2 – Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
[Se somos todos iguais, não faz sentido diferenciações. Basta um pouco de lógica para entender: Somos iguais, logo não somos diferentes; portanto, não existem diferenças entre as pessoas.]

Artigo 6 – Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
[Esse é, em meu conceito, o artigo mais importante de toda a Declaração. Pessoa tem que ser tratada como pessoa. Ser humano não é máquina, nem objeto, nem produto ou mercadoria. Sendo redundante: todo ser humano deve ser reconhecido como pessoa humana. Lógico! Mas tem gente que não entende… e mesmo assim devem ser tratadas como pessoa também.]

Artigo 7 – Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
[Repetem que não se deve fazer distinção de pessoas e vão além: também não se deve provocar, promover discriminação. É isso que vamos tratar no restante desta postagem.]

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Tenho o costume (que aprendi com meus pais) de procurar boas leituras e ser crítico mesmo com o que parece bom (as aparências enganam!). Com isso, temos lido a algum tempo a revista semanal Carta Capital e minha parte preferida é a seção “A Semana”, pelo Mino Carta. E a revista do dia 10 de setembro de 2008 foi particularmente brilhante na capacidade de observar detalhes que passam desapercebidos a olhares descuidados.

Fazendo uma crítica aos 40 anos da revista Veja, reproduziram a publicidade dela mesma sobre um seminário que realizou-se no dia 2 de setembro como forma de comemoração. Então, scaniei (acho q essa palavra não existe) a imagem e repito o comentário do Mino Carta:

“O anúncio do seminário convocado para discutir “O Brasil que queremos ser” apresentava como garotos-propaganda duas crianças caucasianas, possivelmente alemãs ou, talvez, suecas.” (leia o artigo na íntegra)

Isso fez-me lembrar de outro episódio da mesma revista que tanto apregoa ser isenta e imparcial. Em ano de eleição presidencial, justo 2006, na capa de sua revista semanal de publicação nacional a Veja publica a capa ao lado e o artigo que segue no link (http://veja.abril.com.br/160806/p_052.html) descaradamente preconceituosa, tendenciosa, parcial e incitadora de discriminação.

Está dito em letras brancas da capa: “Nordestina, 27 anos, educação média, 450 reais por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro” (revista de 16/08/2006). É o mesmo que dizer: Mal nascida, jovem, burra, pobre… Faltou só o comentário da cor da pele – ôps! não faltou, colocaram a foto dela: ela é negra.

Com certeza, o Brasil que a revista Veja defende ou quer, não é o Brasil dos brasileiros.

Acho que faltou ler a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Na banca de flores [conto]

[um pequeno conto. escrevo contos tb. é uma boa forma de esvaziar o coração! Vou tentar colocar outros aqui de vez em quando…]

Seu olhar estava fixo nas rosas. Grandes, vermelhas, pendentes de seus ramos verdes – espinhos fortes e folhas finas, claras – aos milhares, por todo o balcão do fundo da loja. Algumas juntas em seus buquês enfeitados de ramas verdes e amarelas, papel de seda branco e gotas d’água, fingindo orvalho no início de uma manhã agradável. Mas era pouco mais de meio-dia. Aquele jovem poderia passar ali a tarde toda e não conseguiria ver mais do que rosas, que lhe pareciam bem iguais. E, as rosas, ficariam ali também indiferentes ao olhar do garoto.


– Todas preferem as rosas. São as que mais vendemos. Vermelhas e as maiores – disse sorrindo a florista.
Todas as mulheres gostam de flores, especialmente rosas vermelhas. E ele pensava que não poderia oferecer o que era comum a todas as outras, já que não a considerava comum, como as outras tantas garotas que via por aí. Esta era bem diferente, lhe arrancara sentimentos, desejo de ver mais e tê-la. Agora estava a escolher rosas comuns para uma garota que deixou acanhado seu coração de uma forma incomum.
– Fazemos um buquê como este que você está vendo. Sua namorada vai adorar. É namorada, certo? Claro, garotos na sua idade só podem ter namoradas – continuava a vendedora indiferente aos pensamentos do garoto – doze dessas, ficará lindo!
Doze? Não entendeu. Uma dúzia lhe parecia pouco e também não era um número expressivo. Será que ela contaria quantas rosas havia? Provavelmente não. Nenhuma garota conta. Então, se rosas eram flores comuns, sempre em número de doze, resolveu que não mandaria as tais. Olhou à sua volta. Não era uma floricultura, era apenas um lugar pequeno, como uma pequena banca onde todas as flores ficavam expostas todas juntas, sem uma ordem aparente, formando um jardim que corria do chão ao teto com vasos pendentes e enfileirados nas prateleiras das paredes. Passavam por todo o balcão, e só eram interrompidas pela pilha de cartões de papel coloridos e dizeres poéticos de amor.
– Há outras flores… quais são as mais bonitas? – não estava falando com a florista, apenas pensando alto.
– Têm as margaridas e os vasos de orquídeas de muitas cores; as brancas são especialmente delicadas…
O rapaz já não ouvia mais a florista, penetrado em procurar nas pequenas flores a beleza que encontrou na garota que lhe fizera apaixonado. Agora já não queria algo simples, precisava que ela percebesse que estaria recebendo algo diferente. Nada de costumeiros buquês de rosas chatas – algum outro já poderia ter-lhe mandado às dúzias. Procurava pensar em algo que não parecesse igual. Caminhava por entre as pequenas espalhadas ao chão, dando passos medidos com todo o cuidado para que seus olhos percorressem cada pétala de flor ali exposta – era preciso transmitir sentimentos.

– Posso fazer um buquê de lírios. Com dezoito deles – mais uma vez falando em voz alta.
– Lírios? Não se faz buquê com lírios. Além disso ficará muito grande com tantas flores. Os lírios são mais caros que as rosas e as rosas ainda são as flores da paixão… – interrompia a vendedora.
– Rosas são comuns demais. Posso mandar um buquê grande sim, mas como um pequeno jardim e enfeitar os lírios com as cores de outras pequenas flores. Salpicamos dessas ramas verdes e amarelas, entremeadas das margaridas amarelas…dezoito lírios. É o nosso número – não parava de pensar.

Provavelmente ela não contaria o número de lírios presentes e também não conseguiria carregar sozinha o pequeno jardim. Mesmo assim, queria marcar de símbolos aquele presente, que insistia, não poderia ser igual aos outros. Sem entender muito, a florista estava admirada com a criatividade do garoto e poderia emprestar um pouco de sua técnica em somar as cores das flores e dos papeis de seda. Não era preciso que ele explicasse muito mais, já entendia que se tratava de um amor novo.

A florista terminou o pequeno jardim imaginado pelo jovem. Ele gostou muito e só faltava entregar à sua garota. Escreveu também um cartão novo, já que não queria comprar esses com poemas já impressos, precisava de algo de si. Mais papel de seda e, dobrando, escreveu com letra cuidadosa o nome dela, que agora era seu mantra.
Esperou que terminasse de fazer o presente e, depois de colocar o cartão por entre tantas flores, despediu-se. Esperaria em casa até a hora de poder encontrar com sua amada e receber dela um sorriso como prêmio.

A florista, caminhando pelas ruas, via a admiração do todos que por tal jardim passavam, e todos sorriam. Bateu à porta da jovem que abrindo a porta, sorriu também. Uma lágrima de alegria correu de seus olhos que também sorriam pelo presente inesperado. E, antes mesmo de recebê-lo, chamou pelo nome de seu namorado – nem foi preciso que a florista dissesse de quem vinha, nem que a assinatura no fim do cartão fosse lida – ela sabia de onde vinha. Abriu os braços acolhendo aquele jardim.

Levou até seu quarto, achou o cartão entre as cores e, terminando de ler, contou os lírios.
– Dezoito… são dezoito lírios… nosso número! Meu pequeno jardim!

43. Citius, altius, fortius.

E o fim de mais uma olimpíada.

O lema nunca foi tão apropriado para um evento como esse: “Mais longe, mais alto, mais forte”. Demonstra e sonha que o homem não tenha limites e não se acanhe diante do que for chamdo “impossível”. Até porque provamos sempre que não há nada impossível, quando muito, improvável.

Improvável seria ver um homem correr 100 mestros em apenas 9,69 segundos, fazendo parecer fácil como brincar de pega-pega. Bater no peito e opontar pro céu como que dizendo “eu posso”, e por fim, passar a linha de chegada.

Ou mesmo ver uma mulher superando os 5,05 metros no salto com vara e sorrir antes mesmo de começar a cair rumo aos gritos enlouqucidos da multidão que ficou sem ar diante do feito único.

Os físicos terão que rever suas fórmulas sobre a resistência da água. Esta parece submeter-se aos caprichos do humano que superou todos os limites e humilhou as leis da física. Como desrespitam tais leis também os jogadores de basquete e volei.

Ficou evidente a força das mulheres para o esporte no Brasil. Nem preciso mencionar o futebol feminino: que show! Aquilo sim é jogar bola, é fazer bonito – isso sem precisar ganhar milhões de dólares.

O símbolo é o mais importante. Começa os jogos e cada delegação de país entra com suas cores, bandeiras e atletas. Com o passar dos dias dos jogos, esses vão se misturando; hospedam-se nos mesmos lugares; comem da mesma comida; dividem os mesmo locais de treinamentos e tentam falar alguma língua que se faça entender. Depois, quando tudo termina são uma única nação. Na celebração de encerramento, entram as bandeiras, mas os atletas não acompanham a de sua origem, mas chegam todos juntos, pois já não importa a nacionalidade, mas a fraternidade que ficou evidente.

42. Pessoa de Cor.

Em vista dos Jogos Olímpicos em Pequim daqui alguns dias, gostaria de retomar um tema importante para a humanidade nesses tempos onde todos se vêem juntos em um mesmo evento e momento.

Vamos celebrar as glórias humanas e a grandeza de toda a humanidade em sua variada cultura e grande diversidade de fenótipos (difenrentes características físicas exteriores).
Pois é isso que somos: uma só família de uma mesma raça – A Raça Humana!

Nesse blog mesmo já comentei sobre isso:
http://lemosideias.blogspot.com/2007/11/raa-humana.html

E aí, vi mais outro relacionado e muito divertido, que coloco abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=gC48cVVmUog

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41. Patrimônio Imaterial.

Capoeira sempre foi nossa expressão cultural das mais significativas. Esta é uma arte que demonstra do que somos feitos, nós os brasileiros. Não só a nossa cor da pele é uma mistura de todas as outras que existem, mas também nossa cultura foi sendo formada daquilo que de mais belo há nas outras culturas; até mesmo nossa forma de fazer religião.

Mesmo sendo uma mistura, a cultura brasileira é toda original e completamente nova. Haja vista nosso Samba e a Bossa-Nova, para citarmos apenas a música – que também estão na lista de nosso patrimônio imaterial. (Só lembrando que a Bossa-Nova completa esse ano 50 anos)

Aí temos a capoeira que, não só é uma luta da resistência dos mais pobres (não só os negros), mas é também arte de música, dança, folclore, esporte e educação. Prova da nossa capacidade de síntese e integração de nossos desejos e adaptação diante das intemperes.

Antes era a luta dos vadios, dos vagabundos.
Agora consta no Livro dos Saberes o ofício de Mestre de Capoeira.

Ser verdadeiramente reconhecido Mestre na arte da capoeiragem é algo complicado e demorado. Não basta ser sabedor da luta ou dos instrumentos, nem ter muitos alunos ou grandes academias. Não vale um simples diploma ou a graduação na cintura. Reconhecimento de Mestre é para poucos e gasta-se muitos anos.

A capoeira, como conhecemos hoje teve dois mestres: Bimba e Pastinha. Estes sempre ensinaram: a capoeira é de todos e é pra todos.
E, quando perguntaram para Mestre Pastinha o que era a capoeira, ele respondeu: “Capoeira? Capoeira é tudo o que se come!”
Ainda bem que veio o Titãs para ensinar:
“Você tem fome de que?…
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…”
[música: Comida]

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Notícias:
_ Jornal Nacional: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL647862-10406,00-CAPOEIRA+E+PATRIMONIO+DE+TODOS+OS+BRASILEIROS.html
_ Terra: http://diversao.terra.com.br/interna/0,,OI3010688-EI3615,00.html
_ Ministério da Cultura (Aviso de pauta): http://www.cultura.gov.br/site/2008/07/10/aviso-de-pauta-32/

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