18. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 2/3

[Continua o comentário do Discurso do então Cardeal Joseph Ratzinger, em um congresso eucarísitico em 2002]

2 – Comunhão:
Caminhando neste pequeno texto, chegamos à palavra “Comunhão”. Esta é uma palavra bastante usada atualmente e “é uma das palavras mais profundas e características da tradição cristã”. Por este motivo, nos chama a atenção nosso então cardeal, devemos entender seu significado em profundidade.

No decorrer de sua argumentação nesta parte do texto, Ratzinger, faz uma análise rápida sobre conceitos ao mesmo tempo interligados, mas distintos e que nos ajudam a entender a Igreja: “Ekklesia” (Igreja) e “Concilium”. A segunda poderia ser usada para explicar a estrutura da Igreja: “a Igreja seria o contínuo Concílio de Deus no mundo”, mas a Igreja “não existe antes de tudo para deliberar, mas para viver a palavra que nos é dada”. Cabe ao Concílio ser “a realização mais intensa em absoluto da Igreja, ou seja, o ponto máximo da Igreja”. É limitada, portanto, esta palavra para explicar a Igreja.
Conclui esse comentário assim: “A Igreja realiza Concílios, mas ela é Comunhão (…). A Sua estrutura não deve ser descrita com a palavra ‘conciliar’, mas antes com a palavra ‘comunhão’”. A Igreja deve ser descrita como Comunhão. A preocupação deste futuro papa com o entendimento correto das palavras que usamos para descrever a Igreja, nos faz entender sua grande atenção ao mistério Eucarístico. Começa então a relacionar o uso da palavra Comunhão com o mistério da Ceia. Lembra-nos que mesmo sendo usada para descrever a Igreja, aponta-nos “para o centro eucarístico (…) e, desta forma, fixa a compreensão da Igreja no lugar mais íntimo do encontro entre Jesus e os homens, no ato da sua entrega por nós”.
Discorrendo sobre 1Cor 10,16s, vamos reproduzir diretamente trechos do texto onde Joseph Ratzinger, explica-nos a palavra Comunhão como um conceito eucarístico:
“O conceito de comunhão está, em primeiro lugar, ancorado no Santíssimo Sacramento da Eucaristia (…). Aqui é-nos dito que através do sacramento nós entramos de certa forma em comunhão de sangue com Jesus Cristo, onde sangue, segundo a visão hebraica significa ‘vida’, e, por conseguinte, é afirmada uma compenetração da vida de Cristo com a nossa (…). São ainda mais impressionantes as palavras sobre o pão (cf. 1Cor 6,17s; Ef 5,26-32) (…). Paulo explica este conceito partindo de outro ponto de vista, quando diz: é um só e único pão, que todos nós aqui recebemos. Isto tem um sentido muito forte: o ‘pão’ o novo Maná, que Deus nos oferece é para todos o único e mesmo Cristo. É deveras o único, idêntico e mesmo Senhor que nós recebemos na eucaristia, ou melhor: que nos recebe e nos assume consigo”.

Reverte aqui a forma de percebermos nossa relação com o Cristo do Pão. Quando sempre pensamos que o estamos a receber, é ele quem nos acolhe em sua bondade divina. Não é como o pão cotidiano que só alimenta o corpo, “este pão é de outro gênero”.
“É maior e está acima de nós. Não somos nós que o assimilamos, mas é ele que nos assimila, fazendo com que nos conformemos com Cristo, de certa forma como diz Paulo tornando-nos membros do seu corpo, uma só coisa nele. Todos nós comemos da mesma pessoa, e não só da mesma coisa; desta forma, todos nós somos arrancados ao nosso individualismo fechado, para sermos inseridos noutro maior. Todos nós somos assimilados a Cristo e assim, através da comunhão com Cristo também estamos unidos entre nós (…)”.

Há aqui um grande dinamismo de relações que começa no Cristo. Este nos recebe em si, fazendo-nos parte de seu corpo glorioso, inserindo-nos no mistério de sua humanidade divina por uma corporeidade maior, numa relação que não pode ser limitada – somos transformados em um com Ele. Mas isto não é uma experiência individual. Ensina-nos, Ratzinger, que esta é uma relação ampla, que intensifica também as relações entre nós. “A Igreja não nasce como uma simples federação de comunidades. Ela nasce a partir do único pão, do único Senhor e é a partir d’Ele desde o início e em toda parte uma e única, o único corpo que deriva de um único pão”.

Para completar esse tema e seguindo essa linha de entendimento de “comunhão recíproca”, comenta a 1Jo 3-7. Especialmente lemos assim no v. 7: “Mas se caminhamos na luz / como ele está na luz, / estamos em comunhão uns com os outros”. Mantendo a mesma linha de pensamento encontrada em Paulo sobre a unidade do Corpo de Cristo e nossa participação nele, “a comunhão com Jesus torna-se comunhão com o próprio Deus, comunhão com a luz e com o amor; torna-se a vida reta, e tudo isto nos une uns aos outros na verdade. Se considerarmos a comunhão nesta profundidade e amplidão, então temos alguma coisa para dizer ao mundo.” Fica como uma provocação à nossa forma de viver exteriormente o cristianismo que professamos como fé, já que “quem reconhece o Senhor no Tabernáculo, também o reconhece nos que sofrem e nos necessitados”. A profundidade de nossas relações de comunhão determinam nosso engajamento, pois comunhão com Deus em Jesus Cristo não é algo que fica apenas no transcendente, como que insensível com a realidade concreta da humanidade toda, é preciso engajar-se.
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[Fim da parte 2 de 3. Continua…]

17. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 1/3

[Segue um pequeno comentário, em três partes, de uma intervenção do então Cardeal Joseph Ratzinger, num congresso eucarístico em 2002 na cidade de Benevento (Itália).]

Sua Santidade, o Papa Bento XVI, assumiu seu pontificado durante o ano dedicado à Eucaristia e em sua primeira mensagem na chamada Santa Missa pela Igreja Universal no dia 20 de Abril de 2005, deu-nos uma grande lição: “A Eucaristia, coração da vida cristã e fonte da missão evangelizadora da Igreja, não pode deixar de constituir o centro permanente e a fonte do serviço petrino que me foi oferecido.”


Chama a Eucaristia de “fonte” de seu serviço como Papa. De tudo aquilo que Deus nos deixou, agarra-se a este sacramento como forma de garantir que Cristo seja sempre o centro de nossa fé. Exatamente assim, nós que somos o povo de Deus, os membros da Igreja, que é Corpo de Cristo, devemos viver: buscando constantemente a Cristo na santa missa e na Comunhão, como nossa “fonte”.

Encontramos um texto anterior à sua eleição, ainda como Ratzinger, na Congregação para Doutrina da Fé, durante o pontificado de João Paulo II. É um texto bastante espontâneo e nos mostra a profundidade da espiritualidade eucarística desse homem que mais tarde assumiria a frente da Igreja para confirmá-la em Jesus (Lc 22,32b). Num Congresso Eucarístico em Benevento (Itália), no dia 2 de Junho de 2002, com o tema “Eucaristia, Comunhão e Solidariedade”, o então Cardeal Joseph Ratzinger fez uma profunda análise bem pastoral, percorrendo essas três palavras durante sua intervenção (para ler o discurso na íntegra, clique aqui).

Começa lembrando-nos que “quem está à parte da reta doutrina, mostra-se com um coração limitado, rígido, potencialmente intolerante”. Acrescenta: “a doutrina sozinha, se não se é vida e ação, torna-se conversa inútil e por isso também vazia. A verdade é concreta”. Por isso mesmo vamos adentrar na sã doutrina, para nos enchermos da verdade Divina e sermos capazes de justificar nossa fé.

1 – Eucaristia:
Com simplicidade divide seu texto em três partes, uma para cada palavra, a começar por “Eucaristia”, apontando seu uso e sua transformação especialmente entre os primeiros cristãos, lembrando que este é o nome mais comum para o Sacramento, mas tem um amplo uso na Igreja. Mas antes, este sacramento era chamado de “Ceia do Senhor”, conforme os relatos de São Paulo. Tinha o caráter de refeição e reunião para comer, pois herdou esta forma da festividade da Páscoa judaica. Logo, os primeiros cristãos, muitas vezes se reuniam para uma refeição, onde eram inseridos elementos do memorial de Jesus. A problemática surge quando percebe-se que esta relação com a festa judaica é apenas externa, já que Jesus não mandou que repetissem a ceia pascal judaica por inteiro. Esta era apenas a moldura, não era o Sacramento, visto que o Senhor nos deixou um novo dom. “Assim a Igreja, assumindo uma configuração específica própria, libertou progressivamente o dom específico do Senhor, o que era novo e permanente, do velho contexto e deu-lhe forma própria”. Vem então agregar valor ao dom deixado por Jesus à Liturgia da Palavra “que tem o seu modelo na sinagoga”.
“Compreende-se que o essencial no acontecimento da ultima ceia não era comer o cordeiro e os outros pratos tradicionais”. As palavras de Jesus passam a ser o centro; por elas ele se dá como oferta de si mesmo e rendemos graças por sua morte.
“Vários Padres designavam a Eucaristia simplesmente como ‘oratio’ (Oração), como ‘sacrifício da palavra’, como sacrifício espiritual, mas que também se torna matéria transformada: pão e vinho tornam-se corpo e sangue de Cristo, o novo alimento, que sustenta para a ressurreição, para a vida eterna. Assim, toda a estrutura de palavras e elementos materiais tornam-se antecipação da eterna boda de núpcias”.

Percebemos uma evolução no entendimento da Igreja sobre sua forma de celebrar tomando forma especificamente “naquilo que o Senhor deveras ‘instituiu’ naquela noite”. Portanto, “Eucaristia” é o nome por excelência do celebrar cristão, que faz não outra coisa senão “dar graças” ao Senhor por seus dons. Confirmando este entendimento lemos na Lineamenta do XI Sínodo dos Bispos, parágrafo 13:
“Da última Ceia, a Igreja passou à Eucaristia, nome que preferiu entre os restantes – Ceia do Senhor, Fração do pão, Santo Sacrifício e oblação, Assembléia eucarística, Santa Missa, Ceia mística, Santa e Divina Liturgia –, para indicar que ela é, sobretudo um dar graças (do grego eucharisteín).”

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[Fim da Parte 1 de 3. Continua…]

16. Sacramentos no Vaticano II

O Concílio Vaticano II fez um belo resumo dos sacrametos da Igreja no texto da Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM – Sobre a Igreja.
Vale a pena citar aqui, então, o parágrafo 11 deste magnífico documento que, com palavras fortes e seguras nos dá a reta orientação do lugar sagrado dos sacramentos na vida de fé do cristão e da comunidade. Tais sacramentos são em vista da manifestação do Sacerdócio comum dos fieis.

“A índole sagrada e, orgânica da comunidade sacerdotal efectiva-se pelos sacramentos e pelas virtudes. Os fiéis, incorporados na Igreja pelo Baptismo, são destinados pelo carácter baptismal ao culto da religião cristã e, regenerados para filhos de Deus, devem confessar diante dos homens a fé que de Deus receberam por meio da Igreja. Pelo sacramento da Confirmação, são mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e deste modo ficam obrigados a difundir e defender a fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo. Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela; assim, quer pela oblação quer pela sagrada comunhão, não indiscriminadamente mas cada um a seu modo, todos tomam parte na acção litúrgica. Além disso, alimentados pelo corpo de Cristo na Eucaristia, manifestam visivelmente a unidade do Povo de Deus, que neste augustíssimo sacramento é perfeitamente significada e admiravelmente realizada.

Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência, obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e ao mesmo tempo reconciliam-se com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão. Pela santa Unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor padecente e glorificado para que os salve (cfr. Tg. 5, 14-16); mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à Paixão e morte de Cristo (cfr. Rom. 8,17; Col. 1,24; 2 Tim. 11,12; 1 Ped. 4,13), concorram para o bem do Povo de Deus. Por sua vez, aqueles de entre os fiéis que são assinalados com a sagrada Ordem, ficam constituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a palavra e graça de Deus. Finalmente, os cônjuges cristãos, em virtude do sacramento do Matrimónio, com que significam e. participam o mistério da unidade do amor fecundo entre Cristo e a Igreja (cfr. Ef. 5,32), auxiliam-se mutuamente para a santidade, pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos, e têm assim, no seu estado de vida e na sua ordem, um dom próprio no Povo de Deus (cfr. 1 Cor. 7,7). Desta união origina-se a família, na qual nascem novos cidadãos da sociedade humana os quais, para perpetuar o Povo de Deus através dos tempos, se tornam filhos de Deus pela graça do Espírito Santo, no Baptismo. Na família, como numa igreja doméstica, devem os pais, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação sagrada.
Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho.”


Em vermelho, assim quero destacar o valor da vocação à família, da busca pela santidade no matrimônio. Poderíamos até dizer que os padres conciliares definiram como a Família sendo o oitavo sacramento.
E sublinhado temos uma breve descrição para o sacramento da Eucaristia.

15. Sacramentos – Vida de Fé!

Segue um pequeno comentário teológico sobre os sete Sacramentos na Igreja Católica Apostólica Romana e suas fundamentações bíblicas.
Está dividido em três grupos: 1) Sacramentos da Iniciação; 2) Sacramentos da Cura; 3) Sacramentos da Comunhão.

I) Sacramentos da Iniciação.

1. Do Batismo.

Se a Igreja teve o cuidado de determinar quais são e quantos são os sacramentos, também determinou uma ordem, podemos dizer, de importância para cada um deles em relação uns com os outros. Isso se deve ao fato de que todos eles estão intimamente ligados, não só por sua origem e usos na comunidade de fé, mas principalmente porque alguns imprimem caráter definitivo e determinam a identidade cristã.
Para o primeiro sacramento da vida de um cristão, é explícito no Batismo, que este defina claramente isso que chamamos de identidade. Com tal sacramento é dado à pessoa um nome que a coloca em comunhão com Jesus Cristo e a Igreja. Por isso mesmo é o primeiro passo de inserção na comunidade e é onde ouve-se a confissão de fé daquele que se dispõe à Igreja no caminho da salvação.
Este é o sacramento que abre as portas, não só para a aceitação entre os irmãos na comunidade, mas também, e principalmente, para o recebimento dos demais sacramentos que só podem ser administrados àqueles que pertencem ao grupo e crêem como este. Chamamos o Batismo de “fundamento da vida cristã” e ao qual os demais são ordenados. Sua origem é clara nas palavras de Jesus que manda batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” e crer em seu nome (Mt 28,19-20); tem íntima ligação com o próprio ato de Jesus em deixar-se batizar por João Batista, como sinal do início de sua missão (Lc 3,21-22).
Para o Batismo há um rito litúrgico repleto de símbolos, mas a mudança se dá diretamente no indivíduo. Dos elementos do rito, o mais importante é a água. Desta tira-se a imagem de “mergulhar”, “imergir”. Daí temos que o Batismo é um sepultar-se na morte com Cristo, de onde recebemos a vida da promessa de ressurreição. Também é o sacramento da “vida nova” para entrarmos no Reino de Deus (Jo 3,5). Por este sacramento não só somos introduzidos na comunidade, mas também nos é dado o caráter de “filhos de Deus”.

2. Da Confirmação (Crisma).

Para os Sacramentos da iniciação, a Confirmação vem dar caráter definitivo ao Batismo. Não é um complemento, mas um ato de “consumação da graça”, onde os fieis são chamados a dar testemunho da Palavra e da fé que receberam – confessar publicamente a fé que receberam e assumiram como prórpia. Na Igreja Católica Romana tal sacramento é recebido na idade da maturidade, diante da assembléia, o que leva o indivíduo a assumir de forma concreta sua missão e fé. Por este sacramento são dados, pela imposição das mãos do Bispo (sucessor dos apóstolos) os dons do Espírito Santo que serão usados e confirmados pela comunidade.
Basicamente, então, temos como símbolos deste sacramento, a imposição das mãos e a unção com o óleo do crisma. Assim como o Batismo, é recebido uma única vez. Nele recebe o fiel a missão de testemunhar vivamente o Filho, revestido da força do Espírito Santo.
Tem sua imagem intimamente ligada ao dia de Pentecostes (Atos 2,1-4), onde a efusão do Espírito impelia os apóstolos ao testemunho público e corajoso, sinal de maturidade e obrigação com a defesa da fé. Compara-se ao gesto de confirmação pelo do batismo recebido também em Atos 8, 14-17.

3. Da Eucaristia.

Este é o Sacramento por excelência, para o qual todos apontam: “A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja” (Ecclesia de Eucaristia, 1). É o sacramento que conclui a iniciação na fé. Por ele o fiel se conforma definitivamente a Cristo Jesus, pois é por tal que o recebemos plenamente.
Confessa-se a presença real do próprio Jesus Cristo em totalidade – corpo, alma e divindade – nos elementos do Pão e do Vinho, que são transformados em toda a sua substância. Não exclui as demais “presenças de Jesus”, mas as confirma pela promessa que fez de estar conosco “até o fim dos tempos” (Mt 28,20).
Os elementos indispensáveis para tal sacramento, portanto, são o pão de trigo e o vinho da uva fermentada. São apresentados e, pelas palavras da consagração – pronunciadas por um presbítero legitimamente ordenado e em comunhão com a Igreja – são transformados definitivamente no Senhor Jesus e dados como alimento para o corpo e para a alma do fiel.
Sua origem também está numa ordem de Jesus e nos seus gestos finais da ultima ceia. Ele mesmo tomando o pão e o vinho, pronunciou as palavras “Isto é o meu corpo” e “este é o cálice da nova aliança” e mandou que se repetisse tal gesto “até que venha” (Mc 14,22-25 e paralelos).

É chamado de “Comunhão” não só por unir-nos ao mistério de Cristo em sua Páscoa (morte e ressurreição), mas por garantir também a unidade de toda a Igreja, que é símbolo do Corpo de Cristo.
II) Sacramentos da Cura.

4. Da Penitência ou Reconciliação (Confissão).

Também conhecido popularmente por Confissão, o Sacramento da Reconciliação, implica na busca pelo perdão dos pecados cometidos depois da purificação recebida pelo sacramento do Batismo. Uma vez salvos definitivamente por Cristo Jesus por sua morte de cruz, os fieis são chamados a uma vida de santidade e fuga do pecado que nos afasta de Deus. Mesmo assim, a condição humana limitada encontra obstáculos que mancham a “imagem e semelhança” de filhos de Deus.
Consiste basicamente na verbalização, pelo reconhecimento íntimo e pessoal, de que pecamos e erramos segundo a moral cristã e do penitenciar-se segundo a culpa individual. Hoje este confessar é feito sob sigilo ao presbítero legitimamente ordenado e autorizado em receber tais confissões e a quem foi dado o poder de perdoar os pecados. Soma-se ao confessar as palavras de perdão e reconciliação com Deus e a Igreja, reintegrando o fiel à caminhada de busca da santidade.
Assim, como os demais sacramentos, sua ordem está nas palavras de Jesus aos seus apóstolos. Este dá a ordem, após sopra sobre eles o Espírito Santo de oferecerem o perdão a quantos o procurar (Jo 20,22-23). Pode ser recebido quantas vezes forem necessárias e é considerado de grande importância para garantir a vivência da fé conforme os ensinamentos de Jesus e como forma de retomar o caminho do seguimento do Senhor e da busca de conversão constante, cotidiana.
Não se restringe a uma busca exterior, mas a uma conformação de todo o ser com a proposta do Reino de Deus no chamamento de “sermos santos como o Pai do céu é Santo”. Também é um testemunho do perdão e do amor infinitos de Deus que “ama incondicionalmente” e tudo perdoa (perdoa e acolhe a todos – conforme a figura do Pai-misericordioso da parábola de Lc 15,11-32).

5. Da Unção dos Enfermos.

Explicitamente este é um sacramento de cura. Em toda a missão de Jesus, este passou curando e libertando todos os que passaram em seu caminho. Curando da doença que afligia o corpo e também a alma; libertando da morte, da corrupção, do medo e do pecado. Jesus viveu fazendo o bem. Por crermos que ainda está vivo entre nós, cremos também que continua a realizar sinais e milagres que garantem a saúde do corpo, da mente e da alma.
Tal sacramento não visa unicamente uma ação intervencionista de Deus diante de uma situação de doen

13. De onde vem esse Espírito Santo?

A Festa de Pentecostes é celebrada 50 dias após o Domingo da Páscoa do Senhor – como o próprio nome já indica. Nesta celebração há diversos significados donde tiramos o principal deles: o que marca o início da ação do Espírito Santo na Igreja.

No domingo desta festa a Igreja lê Atos dos Apóstolos (2,1-11) que narra a manifestação maravilhosa do Espírito, o que fora prometido por Jesus. Esse Espírito faz falar em todas as línguas – todos podem entender o Evangelho, a boa-nova anunciada – diferente da Babel e sua confusão de línguas (Gn 11,1-9).

E, de maneira mais suave, o evangelho de João narra o sopro de Jesus – sem terremotos ou grande estrondo – com simplicidade e candura (20,19-23): “soprou sobre eles”. Impossível ler e não remetermo-nos outra vez ao Gênese, primeiro pela suavidade da vinda do Espírito Santo, conforme João: “o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2). E como não comparar o sopro de Jesus com o sopro da vida: “O Senhor Deus fez o homem do barro de terra e soprou vida em suas narinas, e o homem passou a viver” (Gn 2,7)

O Papa Paulo VI em seu MOTU PROPRIO – Credo do Povo de Deus – fala-nos assim da unidade trina de Deus, segundo a linguagem teológica sistemática:

“Cremos, portanto, em Deus Pai que desde toda a eternidade gera o Filho; cremos no Filho, Verbo de Deus que é eternamente gerado; cremos no Espírito Santo, Pessoa incriada, que procede do Pai e do Filho como Amor sempiterno de ambos.” (10)
“Cremos no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e que com o Pai e o Filho é juntamente adorado e glorificado. Foi Ele que falou pelos profetas e nos foi enviado por Jesus Cristo, depois de sua ressurreição e ascensão ao Pai. Ele ilumina, vivifica, protege e governa a Igreja, purificando seus membros, se estes não rejeitam a graça. Sua ação, que penetra no íntimo da alma, torna o homem capaz de responder àquele preceito de Cristo: “Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (cf. Mt 5,48).” (13)
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