Por que Pe. Paulo Ricardo está errado?

Não se prega publicamente contra a própria Igreja. Esse é o primeiro erro do Padre Paulo Ricardo, reconhecidamente controverso em suas pregações, mas que nos últimos tempos tem se mostrado mais áspero em suas palavras, principalmente quando se refere ao clero. O problema tomou proporções maiores quando de sua palestra no “Vinde e Vede”, uma espécie de retiro de carnaval católico.

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Transubstanciação somente do Pão?

[Comentário sobre a transubstanciação da Eucaristia, na vida da comunidade, da pessoa e do mundo à nossa volta. Estudo baseado no texto do então Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI).]

Sacramento das transformações.

Já comentei aqui em outros artigos sobre a Eucaristia (ver menu ao lado) sobre um texto do Papa Bento XVI antes de ser eleito. Um texto bem pastoral e contagiante nas palavras de devoção e amor que ele tem por Jesus presente na Eucaristia.

Segue um trexo de um comentário que fiz sobre parte dessa intervenção do Cardeal Ratzinger num congresso eucarístico na Itália em 2002. Para ler a intervenção na íntegra, clique no link: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20020602_ratzinger-eucharistic-congress_po.html

Estamos na ultima parte do texto. Muito conciso, mas profundo em teologia e espiritualidade, introduz-nos numa percepção da grande transformação que opera em nós o celebrar e receber o Pão e o Vinho. Chama aqui a Eucaristia de “Sacramento das transformações”.

Muitas palavras das formulações teológicas de séculos perderam seu verdadeiro sentido e profundidade, não pela evolução da teologia ou de outras ciências, mas por terem caído em desuso ou por simplesmente não oferecerem mais significado claro. A grande maioria do povo nunca lançou mão de tais para explicar sua fé. Isso também aconteceu com a palavra “transubstanciação”. Mesmo os teólogos evitam seu uso e uma leitura mais superficial e descuidada pode nos levar a entendimentos equivocados. Mesmo assim, neste texto, o Cardeal Joseph Ratzinger usa-a de forma magistral. Dá a ela todo o significado de transformação que a eucaristia proporciona, indo além do Pão e do Vinho eucaristizados. Como um místico cristão dos primeiros séculos faria, dando conteúdo espiritual para as formulações teológicas.

Lendo o Cânone Romano da liturgia eucarística no momento da consagração das espécies, afirma que “O pão torna-se corpo, o seu corpo. O pão da terra torna-se o pão de Deus, o ‘maná’ do céu, com o qual Deus alimenta os homens não só na vida terrena, mas também na perspectiva da ressurreição”, ressurreição essa que já começa a acontecer naquele instante. Relembra também dois textos importantes do evangelho, onde Jesus é tentado a transformar pedras em pão (Mt 4,3-4 e Lc 4.3-4) para matar sua fome, e ainda, sendo provocado, lembra que Deus pode fazer das pedras surgir filhos de Abraão, mas prefere “transformar o pão no corpo, no seu corpo”. Jesus pode dar seu corpo como alimento no pão e no vinho, pois prefigura sua entrega definitiva na cruz. “Ele pode tornar-se dom, porque é oferecido. Através do ato da doação ele torna-se capaz de comunicação”.
Começa aqui a relatar as transformações, num total de cinco delas, onde, na última ceia acontecerão três delas num único ato que gera outras duas transformações. A transformação originante, que está antecipada na ultima ceia, é o que Jesus faz com a violência sofrida, onde ele mesmo “põe fim à violência, transformando-a em amor. O ato de morte é transformado em amor. Esta é a transformação fundamental, sobre a qual tudo se baseia”. Por esta transformação é que o mundo pode ser redimido, onde o Cristo vence todo tipo de morte, vence tudo o que gera morte – “a própria morte foi transformada”. “E assim, na transformação da ressurreição Cristo continua a subsistir, mas agora de tal forma transformado, que seu corpo e o dar-se já não se excluem, mas um implica o outro”. Agora, ao recebermos Jesus, o recebemos por inteiro, não só espiritualmente, mas na sua totalidade, também em seu corpo.

Somado a isso temos a segunda transformação, dependente total da primeira e nela contida. “O corpo mortal [de Jesus] é transformado no corpo da ressurreição: no espírito que dá vida”. Isto também é antecipado na ceia, onde num mesmo momento Jesus morre na cruz e se é ressuscitado. Toda esta transformação é vivida na ceia e na entrega de Jesus. Daqui passamos para a terceira transformação que diz respeito ao Pão e o Vinho. Neles será contida toda a transformação e ação do Cristo Jesus. Estes são transformados de tal maneira que “está presente o próprio Senhor que se dá, a sua oferenda, ele mesmo porque ele é dom. O ato da doação não é algo dele, mas é ele próprio”. Pão e Vinho são transformados na presença do próprio Senhor.
Chega-se às duas ultimas transformações provenientes do que acabamos de ver. Jesus se faz presente no Pão e no Vinho com uma finalidade clara que é transformar o homem num só corpo com ele:

“Para que nos tornemos um só pão com ele e depois um só corpo com ele. A
transformação dos dons, que é unicamente a continuidade das transformações
fundamentais da cruz e da ressurreição, não é o ponto final, mas, por sua vez,
só um início. O fim da Eucaristia é a transformação de quantos a recebem na
autêntica comunhão com a sua transformação”.

E assim, “nos tornamos com Cristo e em Cristo um organismo de doação, a fim de vivermos com vista à ressurreição e ao novo mundo”. Este é o passo a ser dado para a quinta e ultima transformação. Toda a criação é participante deste evento em nós e por nós homens. A Criação também é transformada para tornar-se “habitação viva de Deus”.

Por estes passos aprofundamos no sentido da real transubstanciação que vai muito além da discussão do que acontece com as espécies eucarísticas. A totalidade da presença de Jesus não pode ser contida ou limitada pelo pão e pelo vinho, mas deve transbordar em nós que o recebemos e dele nos alimentamos. Pois não basta fazer-se presente sob o véu da aparência de pão e vinho se não promover transformações definitivas em nós homens. É preciso ir e comer, receber e beber de seu corpo, provar da transformação.
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40. Vocação dos Leigos no Mundo.

[pequeno comentário da Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI, de João Paulo II. Apenas para motivar o ineteresse pela leitura do texto na íntegra.]

Continuando o artigo anterior, que fala um pouco das escolhas que fazemos ou preferimos, gostaria de citar e comentar um pequeno trecho que achei na supra-citada exortação onde trata do lugar do leigo na vida e missão da Igreja no mundo.

Como no texto anterior eu tratei das dificuldades, continuo nessa linha aqui. Não quero que ninguém se engane em pesnsar que estar no caminho seja coisa simples e facil. Grandes são os desafios e, talvés, o maior deles seja qual o nosso lugar no mundo como testemunhas da fé em Jesus Cristo.

Vejamos:
“(…) Os fiéis leigos não tem estado isentos de dificuldades e de perigos.”
Citarei e comentarei por partes um pequeno trecho do parágrafo 2, tema que é aprofundado no documento do Papa nos parágrafos 16, 17, 23, 24, 33, 35, 36, 37, 51 e 52 especialmente. Estas partes tratam mais especificamente sobre os desafios enfrentados principalmente pelas famílias.

“Em especial podem recordar-se duas tentações, de que nem sempre souberam desviar-se:”

1) “a tentação de mostrar um exclusivo interesse pelos serviços e tarefas eclesiais, por forma a chegarem frequentemente a uma prática abdicação das suas responsabilidades específicas no mundo profissional, social, económico, cultural e político;”
Esse é um grande perigo. Os leigos têm de viver inserido na sociedade e no mundo como luzes a brilhar o evangelho ao mundo. Não podem se esconder de sua responsabilidade de testemunhar Jesus no trabalho, nos estudos e na vida social, inseridos totalmente na realidade humana, sem fugir da responsabilidade de viver cristãmente.
As tarefas e serviços na Igreja são fonte para fortalecer a vida e ajudar a guiar-nos no caminho de Cristo, sem nos deixar perder pelas tentações do mundo, mas não podemos, em momento algum negar a responsabilidade de estar no mundo.

2) “e a tentação de legitimar a indevida separação entre a fé e a vida, entre a aceitação do Evangelho e a ação concreta nas mais variadas realidades temporais e terrenas.”
Transformar a realidade à nossa volta nos moldes cristãos, segundo o ensinamento do Evangelho de Jesus. Não podemos aceitar que a fé e a vida andem separadas. Aquilo que cremos tem que ser aquilo que vivemos e praticamos. A fé tem que ser modelo de vida e a vida tem que refletir a fé que professamos.

Vale a pena a leitura de todo o documento e entender os caminhos do Evangelho na vida cotidiana. Devemos ser luz no mundo.

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Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI – João Paulo II (na íntegra e em português).

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36. Igreja e Bioética.

[Mais sobre esse assunto, leia o artigo 24. Pesquisas e a vida humana, também neste blog.
Basta clicar no título ou procurar no índice este e outros temas.]

Verificando o site da CNBB (http://www.cnbb.org.br/) descobri um link bem interessante. Eles selecionaram alguns textos e comentários sobre o tema da vida e bioética. Vale a pena conferir os textos e selecionar o que considerar interessante ler e aprender.

Tratam de temas como a eutanásia, o aborto em suas mais variadas formas e justificativas, células tronco e outros temas relevantes à vida humana e sua manipulação pela ciência e as implicaçãos disso.
Não são todos textos oficiais, mas a posição de muitos pensadores, cientistas e também teólogos.

Indicam primeiro a leitura de dois textos oficiais da Igreja.
A carta encíclica de João Paulo II – EVANGELIUM VITAE – sobre o valor e a inviolabilidade da via humana.
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031995_evangelium-vitae_po.html

Esse é um documento que deve ser lido na íntegra. Tem passagens e ensinamentos maravilhosos:

“O Evangelho do amor de Deus pelo homem, o Evangelho da dignidade da pessoa e o Evangelho da vida são um único e indivisível Evangelho.”
E, citando o Concilio Vaticano II:
“« Tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho, em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador »”

– O outro documentos que citam é da Congregação para Doutrina da Fé – Instrução sobre o respeito à vida humana nascente:
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19870222_respect-for-human-life_po.html

Serve bem como um direcionamento para entender a linha de pensamento da Igreja.

– Para o site da CNBB direto aos demais textos clique: http://www.cnbb.org.br/index.php?op=pagina&chaveid=236

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35. DEUS CARITAS EST – Amor!

Cremos num Deus que é amor.

Podemos ler e reler a bíblia, mas algumas vezes nosso entendimento só se abre de fato quando alguém mais ilustrado nos dá o caminho a seguir.

Lemos assim em 1Jo 4,16:
“Nós conhecemos e cremos no amor que Deus
tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece
no amor permanece em Deus e Deus nele.”

Veja como Bento XVI explica isso:
“Nós cremos no amor de Deus — deste modo pode o cristão exprimir a opção fundamental da sua vida.”

Lembro até um pouco da carta de Paulo aos Coríntios que começa com um elogio dizendo que eles têm todos os Dons que vêem de Deus. Notem bem, TODOS os dons:
“Assim, enquanto esperam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo,
não vos falta dom algum.” (1Cor 1,7)

Mas, mais pra frente achamos isso: Paulo vai tratar sobre a diversidade de Dons (carismas), ensinando aquela comunidade que já possuia todos os dons a usar bem a graça de Deus em favor de todos e como devem formar um único corpo, viver em unidade (cf. 1Cor 12).
Terminando o capítulo 12, no versículo 31 lemos o seguinte:
“Aspirai aos dons mais elevados.
E, agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos.”

E começa o capítulo 13 falando do amor cristão. É o amor (“agape”) que transmite o dom recebido. Sem isso não é possível identificar-se como cristão e seríamos como sinos que só fazem barulho (cf. vv. 1).
A verdade é que, para Paulo, não bastava ter todos os dons, importava mesmo viver a radicalidade do amor, imitando Jesus. Pra entender, basta ler Jo 3,16:
“Deus amou o mundo de tal modo que deu seu filho único,
para que todo o que nele crer não morra,
mas tenha a vida eterna.”

E podemos completar voltando a 1Jo 4,10:
“Nisto consiste o amor: não em termos nós amado Deus,
mas em Deus nos amar primeiro enviando o seu filho (…).”

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Aqui deixo então duas sugestões de leitura. A primeira é a carta Encíclica do Bento XVI – DEUS CARITAS EST. Com ela podemos aprender mais sobre o amor cristão. É uma boa fonte de estudo para as famílias, especialmente os casais. Podem aprender muito sobre o modelo de santidade e vivência desse amor conjugal também.
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html

A outra dica é ler a carta de Paulo a Filêmon. Pra isso tem que abrir a sua bíblia e procurar.
É a menor carta de São Paulo, mas é a mais profunda sobre como deve ser praticado o amor ensinado por Jesus. Você terá grandes supresas. Prometo que em breve publico aqui um comentário sobre essa carta.

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28. Sobre a Maternidade Divina de Maria

[Diante da dificuldade que é comum para este tema e, conforme foi levantado no Artigo 26 deste blog, disponibilizo um ensaio simples e telegráfico para exclarecer mais, deixando de lado um pouco da linguagem teológica.]

Leia o Artigo 26 em seguida, penso que ficará mais claro. Ou use o menu [ por temas ] para ler tudo o que já foi publicado aqui sobre Maria.

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Vamos diferenciar uma coisa aqui.
Tem um ditado popular que pode nos ajudar muito:
“Mãe é quem cria!” (aquela que cuida ou cuidou).

Alguns querem dividir Jesus, como se fosse possível separar sua humanidade de sua divindade. Jesus é inteiro, onde aquilo que distinguimos – humanidade e divindade – nele não pode ser separado, dividido. Fazemos a distinção apenas para entender e afirmar que aquele que chamamos de Deus-Filho (Verbo de Deus), também fez-se homem e era Deus completo e homem completo:
Então, Jesus não era metade homem e metade Deus. Jesus é homem por inteiro e Deus por inteiro.

Assim temos que, o que nasceu de Maria foi Jesus INTEIRO. O que foi gerado no ventre de Maria, foi DEUS inteiro.
Adaptando a linguagem do Credo Niceno-Constantinopolitano, podemos usá-lo pra entender: “Gerado, não criado”. O Credo se refere à “geração” eterna do Verbo que existe com o Pai desde sempre e que Ele não é uma criatura inferior ao Pai, mas um mesmo com o Pai e o Espírito Santo. Teologicamente ficou que: O Verbo foi gerado do Pai, e deles (de ambos), Procede o Espírito Santo.

Mesmo assim, ajuda-nos a entender o que nasceu de Maria.
Nasce de Maria Jesus inteiro. É gerado em seu ventre o Verbo humanado. Sem dividir. E, assim como numa gestação normal, biologicamente, a mãe participa com uma metade dos cromossomos e o pai com a outra metade, a humanidade de Jesus vem de Maria e o Verbo vai até seu ventre vindo do Pai pelo Espírito Santo – mas forma um único ser em sua totalidade Humana e também Divina.

O que é gestado no ventre de Maria é, portanto, Deus feito carne – Maria gerou em seu ventre Jesus Cristo, o Verbo Divino; “Deus de Deus”. Portanto o que nasce dela É DEUS!!!! Nem mais, nem menos.

Isso significa que Maria “criou [deu origem] à divindade” de Jesus???? Não!!!!
Porque a divindade de Jesus é incriada – sempre existiu como Deus, desde sempre. Mas Jesus, em sua totalidade foi gestado no ventre de Maria, onde fez-se Homem também. Assim, temos que Maria é mãe de Deus, pois o que nasceu dela e aquele de quem ela cuidou chamamos Deus!!!!!

27. Documentos sobre Maria

[conforme prometido, seguem alguns links de textos do Magistério da Igreja sobre o tema mariológico.]

Segue abaixo alguns links de textos oficiais da Igreja Católica Apostólica Romana que tratam do tema mariológico e que podem ajudar a entender melhor os argumentos da Igreja sobre a Mãe de Deus.

Cito antes trecho do Motu Proprio Credo do Povo de Deus, do Papa Paulo VI (parágrafos 14 e 15):

“14. Cremos que Maria Santíssima, que permaneceu sempre Virgem, tornou-se Mãe do Verbo Encarnado, nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo; e que por motivo desta eleição singular, em consideração dos méritos de seu Filho, foi remida de modo mais sublime, e preservada imune de toda a mancha do pecado original; e que supera de longe todas as demais criaturas, pelo dom de uma graça insigne.
15. Associada por um vínculo estreito e indissolúvel aos mistérios da Encarnação e da Redenção, a Santíssima Virgem Maria, Imaculada, depois de terminar o curso de sua vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celestial; e, tornada semelhante a seu Filho, que ressuscitou dentre os mortos, participou antecipadamente da sorte de todos os justos. Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no céu a desempenhar seu ofício materno, em relação aos membros de Cristo, cooperando para gerar e desenvolver a vida divina em cada uma das almas dos homens que foram remidos.”

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REDEMPTORIS MATER sobre a Virgem Maria na vida da Igreja – João Paulo II
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_25031987_redemptoris-mater_po.html

MARIALIS CULTUS – Sobre o culto a Maria – Paulo VI
http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_exhortations/documents/hf_p-vi_exh_19740202_marialis-cultus_po.html

MUNIFICENTISSIMUS DEUS – Definição do Dógma da Assunção de Maria – Papa Pio XII
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus_po.html

AD CAELI REGINAM – Sobre a Realeza de Maria – Papa Pio XII
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_11101954_ad-caeli-reginam_po.html

Audiência de Catequese – João Paulo II
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1998/documents/hf_jp-ii_aud_29041998_po.html

SIGNUM MAGNUM – Culto a Maria, Mãe da Igreja e Modelo de Virtude – João Paulo II
http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_exhortations/documents/hf_p-vi_exh_19670513_signum-magnum_po.html

INEFFABILIS DEUS – Bula de definição do Dógma da Imaculada Conceição de Maria – Papa Pio IX (baixar em PDF ou Leia aqui – tradução site Montfort)

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Este é um tema muito delicado e merece muita atenção e estudo de nós católicos. Como já foi citado no artigo 26 deste blog, os dógmas referentes a Maria têm um carater Cristológico fundamental para compreender-se quem é Jesus e evitar heresias.

26. Maria: Mãe de Deus! (Teotokos ou Cristotokos?)

Chamamos Maria de “Mãe de Deus”. Mas, o que entendemos disso?
Para ilustrar essa teologia tão complicada, cito abaixo o comentário do Catecismo da Igreja Católica. Esse é um livro de capa amarela, que pode ser encontrado em toda boa livraria católica e também deveria constar do material de leitura de todo Católico. Nele pode-se ler uma síntese dos principais consteúdos da nossa Doutrina da Fé e aprender mais sobre o que cremos e professamos como nossa fé cristã.

Sobre o tema da maternidade divina de Maria, vale salientar que este é um conteúdo Cristológico, ou seja, diz respeito à pessoa de Jesus, quer tratar sobre quem é Jesus para nós. Assim, a Igreja quis definir, ao chamar Maria de “Mãe de Deus” (Teotokos), que o ente nascido de seu ventre é Deus em sua totalidade – o verbo de Deus humanado, feito homem, conforme Jo 1,1.14a e Lc 1,26-38 (a saber):

Jo 1,1.14a = “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. (…) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”
Lc 1,28.30-32 = “Disse o anjo: ‘Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo (…). Maria, tu encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe darás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado ‘Filho do Altíssimo’.'”

Concorda-se que, dizer de Maria apenas Cristotokos (Mãe do Cristo), ficaria vago, levando alguns a crer que Jesus não é “Deus de Deus (…) Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”. Pode-se comenter o engano de algumas heresias e crer que Jesus foi um homem qualquer, apenas inspirado por Deus ou adotado por Deus; ou erroneamente que era Deus, mas apenas com aparência humana.

Chamar Maria de Teotokos (Mãe de Deus) é garantir a totalidade de nossa fé em Jesus sendo homem por inteiro e Deus por inteiro, sem se dividir ou diminuir em sua glória eterna.

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Então, citando um pequeno trecho do Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 466:

“A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, S. Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunidio em Éfeso em 431, confessaram que ‘O Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem’ (DS 250). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção. Por isso o Concílio de Éfeso proclamou em 431, que Maria se tornou verdadeiramente Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio:
Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne (DS 251)’.”

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Aqui está uma boa explicação de porque chamar Maria de Mãe de Deus (Teotokos)!

24. Pesquisas e a vida humana

Diante dos recentes debates sobre pesquisas com Células-tronco embrionárias aqui no Brasil, gostaria de disponibilizar alguns textos para aqueles que querem entender melhor a posição da Igreja Católica frente a essa questão tão delicada.
Esse assunto vai muito além do foco da mídia que pergunta unicamente “onde começa a vida humana”. Não responde, nem resolve todo o problema, saber se há vida humana em um amontoado de células congeladas em laboratórios de fertilização. As questões de moral e ética estão no respeito irrestrito ao cuidado pelo ser humano em todas as suas fazes de desenvolvimento, mas principalmente quando esse ser-humano não pode ou não é capaz de manifestar-se até com aparência.
Se olharmos para a história, em um passado bem recente, veremos momentos em que a humanidade discutia, em alguns lugares, se crianças nascidas com algum grau de deficiência (física ou metal) poderiam ser sacrificadas (abortadas tardiamente) para garantir uma humanidade mais “pura” ou simplesmente para evitar custos financeiros elevados, não só dos pais, mas também do Estado.
Hoje, ao consideramos tal possibilidade absurda, alguns querem admitir que pais (especialmente a mãe) possa escolher interromper uma gravidez de um filho com algum problema genético ou de má formação. Apenas mudamos o dilema de lugar. Se antes cogitava-se a possibilidade de matar uma criança “inválida”, por quê não antes mesmo de nascer?
Atribuímos utilidade às pessoas.
É contra isso que a Igreja luta. A vida humana não é um bem de consumo. Não se aceita a coisificação do ser-humano apenas como objeto de utilidade imediata e/ou descartável, especialmente em se tratando da vida. Se a humanidade passar a perder o sentido do outro, perderemos a noção de nosso próprio valor.
E, se a ciência quer pesquisar células-tronco, que a obtenham de outras maneiras e com outras técnicas, que hoje são reconhecidamente possíveis e viáveis (p.ex. da medula óssea).
Para terminar, levanto outra dúvida:
A quem beneficiará tais pesquisas? Sendo apenas para quem puder pagar o valor dos avanços ou sendo para distanciar cada vez mais pobres de ricos, segregando a humanidade em castas (puros e impuros; úteis e inúteis), podem ter certeza, a Igreja será contra.
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[seguem dois links para textos oficiais da Igreja Católica sobre o tema. Site do Vaticano.]

Compêndio da Doutrina Social da Igreja (Ver os parágrafos: 235; 236; 237).
Este Compêndio reúne toda a Doutrina social em seus diversos temas. Uma ótima fonte de estudos. Vale a pena encontrar e comprar em alguma livraria Católica.
Outro link que vale a pena conferir é do Supremo Tribunal Federal.
Na parte de Notícias do dia 29 de Maio de 2008, é possível conhecer um resumo dos argumentos de cada Ministro (clique aqui).
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19. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 3/3

[Esta é a ultima parte do comentário sobre o discurso do então Cardeal Joseph Ratzinger, no congresso eucarístico de Benevento (Itália) em 2002.]

3 – Solidariedade:

O que dizer agora da palavra “solidariedade”? Esta não tem origem na tradição cristã nem na bíblia, diferente das duas anteriores. Esta é uma palavra que nos remete a conceitos criados para contrapor-se “à idéia de amor cristão, como a nova, racional e eficaz resposta ao problema social”. Este conceito surge para justificar as buscas do socialismo nascente e assume a missão de garantir a igualdade de todos. Mas esta é uma teoria frustrada desde o início por desconsiderar Deus. “Sem Deus as coisas não podem correr bem”. Mas este foi um conceito cristianizado, assumindo um caráter de responsabilidade, de manifestação do amor fraterno. “Precisamos da fé em Jesus Cristo, porque ela une razão e religião” e a fé torna-se o critério que modelará nossa responsabilidade social.

Temos agora a ultima parte do texto. Muito conciso, mas profundo em teologia e espiritualidade, introduz-nos numa percepção da grande transformação que opera em nós o celebrar e receber o Pão e o Vinho. Chama aqui a Eucaristia de “Sacramento das transformações”.
Muitas palavras das formulações teológicas de séculos perderam seu verdadeiro sentido e profundidade, não pela evolução da teologia ou de outras ciências, mas por terem caído em desuso ou por simplesmente não oferecerem mais significado claro. A grande maioria do povo nunca lançou mão de tais para explicar sua fé. Isso também aconteceu com a palavra “transubstanciação”. Mesmo os teólogos evitam seu uso e uma leitura mais superficial e descuidada pode nos levar a entendimentos equivocados. Mesmo assim, neste texto, o Cardeal Joseph Ratzinger usa-a de forma magistral. Dá a ela todo o significado de transformação que a eucaristia proporciona, indo além do Pão e do Vinho eucaristizados. Como um místico cristão dos primeiros séculos faria, dando conteúdo espiritual para as formulações teológicas.
Lendo o Cânone Romano da liturgia eucarística no momento da consagração das espécies, afirma que “O pão torna-se corpo, o seu corpo. O pão da terra torna-se o pão de Deus, o ‘maná’ do céu, com o qual Deus alimenta os homens não só na vida terrena, mas também na perspectiva da ressurreição”, ressurreição essa que já começa a acontecer naquele instante. Relembra também dois textos importantes do evangelho, onde Jesus é tentado a transformar pedras em pão (Mt 4,3-4 e Lc 4.3-4) para matar sua fome, e ainda, sendo provocado, lembra que Deus pode fazer das pedras surgir filhos de Abraão, mas prefere “transformar o pão no corpo, no seu corpo”. Jesus pode dar seu corpo como alimento no pão e no vinho, pois prefigura sua entrega definitiva na cruz. “Ele pode tornar-se dom, porque é oferecido. Através do ato da doação ele torna-se capaz de comunicação”.
Começa aqui a relatar as transformações, num total de cinco delas, onde, na última ceia acontecerão três delas num único ato que gera outras duas transformações. A transformação originante, que está antecipada na ultima ceia, é o que Jesus faz com a violência sofrida, onde ele mesmo “põe fim à violência, transformando-a em amor. O ato de morte é transformado em amor. Esta é a transformação fundamental, sobre a qual tudo se baseia”. Por esta transformação é que o mundo pode ser redimido, onde o Cristo vence todo tipo de morte, vence tudo o que gera morte – “a própria morte foi transformada”. “E assim, na transformação da ressurreição Cristo continua a subsistir, mas agora de tal forma transformado, que seu corpo e o dar-se já não se excluem, mas um implica o outro”. Agora, ao recebermos Jesus, o recebemos por inteiro, não só espiritualmente, mas na sua totalidade, também em seu corpo.
Somado a isso temos a segunda transformação, dependente total da primeira e nela contida. “O corpo mortal [de Jesus] é transformado no corpo da ressurreição: no espírito que dá vida”. Isto também é antecipado na ceia, onde num mesmo momento Jesus morre na cruz e se é ressuscitado. Toda esta transformação é vivida na ceia e na entrega de Jesus. Daqui passamos para a terceira transformação que diz respeito ao Pão e o Vinho. Neles será contida toda a transformação e ação do Cristo Jesus. Estes são transformados de tal maneira que “está presente o próprio Senhor que se dá, a sua oferenda, ele mesmo porque ele é dom. O ato da doação não é algo dele, mas é ele próprio”. Pão e Vinho são transformados na presença do próprio Senhor.
Chega-se às duas ultimas transformações provenientes do que acabamos de ver. Jesus se faz presente no Pão e no Vinho com uma finalidade clara que é transformar o homem num só corpo com ele:
“Para que nos tornemos um só pão com ele e depois um só corpo com ele. A transformação dos dons, que é unicamente a continuidade das transformações fundamentais da cruz e da ressurreição, não é o ponto final, mas, por sua vez, só um início. O fim da Eucaristia é a transformação de quantos a recebem na autêntica comunhão com a sua transformação”.

E assim, “nos tornamos com Cristo e em Cristo um organismo de doação, a fim de vivermos com vista à ressurreição e ao novo mundo”. Este é o passo a ser dado para a quinta e ultima transformação. Toda a criação é participante deste evento em nós e por nós homens. A Criação também é transformada para tornar-se “habitação viva de Deus”.
Por estes passos aprofundamos no sentido da real transubstanciação que vai muito além da discussão do que acontece com as espécies eucarísticas. A totalidade da presença de Jesus não pode ser contida ou limitada pelo pão e pelo vinho, mas deve transbordar em nós que o recebemos e dele nos alimentamos. Pois não basta fazer-se presente sob o véu da aparência de pão e vinho se não promover transformações definitivas em nós homens. É preciso ir e comer, receber e beber de seu corpo, provar da transformação.

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[Fim da parte 3 de 3.]
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