Como manipular informações é a prática da Mídia brasileira

Vivemos em um país de liberdade de expressão incontestável, mas o que é de se contestar é a forma como a mídia tradicional da velha oligarquia e a extrema direita (quase fascista) que vive aqui no Brasil, tem manipulado descaradamente a informação, até para tentar nos manipular, roubar nossa capacidade de contestar e enganar livremente os mais incautos. A Revista Veja é sempre o clássico exemplo de como se manipula a informação e se distorcem fatos, textos e imagens. Mas é sempre bom ilustrar o exemplos, para falarmos de forma mais concreta.

Não há muito o que dizer, basta ver o que está em uma coluna do site da Revista Veja, do Augusto Nunes:

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Uma clara demonstração de como uma péssima capacidade interpretativa e algo tirado totalmente de contexto, pode ser deturpado por uma mente deturpada. O senhor jornalista(?) Augusto Nunes tenta nos induzir a interpretar que o Presidente Lula, falava unicamente do terremoto e nomeando as nações ricas como provocadores do desastre.

Tentei comentar na coluna desse senhor e dar minha opinião. E o que aconteceu? Ele, como fez ao discurso do Lula, editou e recortou minha opinião para distorcer o que eu realmente quis dizer e poder manter sua postura de déspota:

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Mas não parou aí. Eu insisti, repudiando a atitude do senhor Augusto Nunes. Como dono da página, poderia simplesmente ignorar meu comentário e não publicar, já que defendi uma opinião contrária e coloquei às claras a manipulação dele em sua opinião factóide. E o que ele fez com meu novo comentário?

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E, antes que alguém argumente que eu possa ter escrito muito, foram apenas pouco mais de 150 palavras, bem menos que outros que se deixaram manipular pelo colunista e sua opinião deturpada da realidade. Fui o único que teve o comentário editado e CENSURADO. Mas é claro que a Veja e seus comparsas não sabem o que é ser censurado e ter sua liberdade de expressão barrada. Aquilo que fingem defender, aplicam a outros que têm opinião contrária… estranho!

Como bom leitor e entendido de mídias sociais digitais que sou, fui até o formulário de comentários para discordar da forma como o colunista (jornalista?) da Veja tenta interpretar essa informação. Numa lógica clara e avaliando todo o discurso do Presidente Lula, só se pode afirmar que o resultado do desastra foi provocado por dois séculos de exploração de nações ricas, à nação Haitiana. A pobreza generalizada faz com que desastres naturais tomem proporções ainda piores.

Se compararmos com o Japão, um mesmo terremoto ou até pior, não causa nem mudança na rotina diária daquele povo. Eles dominam a tecnologia necessária para viver em segurança, mesmo diante de eventualidades imprevisíveis. O simples abandono de um povo mais pobre e marginalizado, como foi em Nova Orleans nos EUA, mostra que os pobres, quando abandonados pelos ricos vão sofrer muito mais. E o caso de Nova Orleans serve bem para comparar com o Haiti: pobres, negros e explorados pelos brancos ricos.

A opinião do Lula sobre o terremoto? Está certo, a culpa é dos ricos!

ATUALIZADO: Infelizmente os critérios do senhor Augusto Nunes quanto ao que aprovar em sua coluna, são bem estranhos. Não aceita opinião contrária, mas permite que haja ofensas, como as que mostrei acima, e até comentários chulos e de baixo calão, ofensivos:

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Vale lembrar o que eu citei antes: Não permita ofensas pessoais e comentários que não agregam valor ao seu conteúdo. Esse tipo de situação só faz piorar a imagem de qualquer site ou blog. Nesse caso só prova o quanto o autor da coluna em questão é tendencioso e permissivo em sua forma de agir.

Completamos 50 artigos e 340 dias

LogoIdeias

 

Este blog nasceu no dia 11 de novembro de 2007 e tinha o objetivo de oferecer reflexão coerente em teologia católica, comentários bíblicos e um pouco de algo mais. Achei que seria interessante falar de números e daquilo que já passou por aqui e os principais temas dessa nova forma de mídia.

Ganhamos muito com o que a internet pode oferecer em comunicação e troca de conhecimento, mas descobri também o quanto é difícil selecionar o que há de bom.

fundo01

Uso, uma ferramenta de estatísticas para sites/blogs da Google Analytics, que dá números de visitas e origens dessas. Apurando, em 340 dias no ar – quase 1 ano – foram mais de 1200 visitantes (sem contar os retornos) com 3000 exibições de páginas (mas gráfico01esses números só começaram a ser apurados no dia 3 de Maio, o que dá uma boa média de visitas diárias; destaque para o dia 13 de Outubro, com 70 visitas).

As visitas vieram de 15 países e 150 cidades brasileiras. Não são bons números, mas é um bom começo, especialmente para um blog de conteúdo tão selecionado – selecionados são também os leitores.

 

Tratamos aqui de alguns temas interessantes.

Vale lembrar aqueles que permeiam a teologia:

São 19 artigos sobre Comentários Bíblicos;

11 sobre Documentos da Igreja;

8 que tratam sobre o Sacramento da Eucaristia, com profundo estudo bíblico direcionado;

mais 8 só direcionados ao tema Família;

e outros 6 que falam de Maria – Mãe de Deus.

Falamos de música, televisão, livros e cinema. Minha paixão, a Capoeira, não ficou de fora.

 

Com isso, deixo um compromisso: continuar com um conteúdo de nível e qualidade no uso do espaço que a internet nos dispõe.

Aprendi muito publicando e achei por bem cooperar com aqueles que querem aprender e fazer o mesmo. É fácil usar blogs, mas tem seus segredos e é difícil ganhar espaço e descobrir boas ferramentas. Por isso comecei um novo blog com o intuito de reunir num único lugar tutoriais para blogs, com dicas, serviços e ferramentas, numa linguagem acessível e democrática. Confiram: Ferramentas Blog (http://ferramentasblog.blogspot.com/).

LogoFerramentas

Acompanhem mais o crescimento do “Lemos Idéias” e deixe seus comentários nos artigos que mais gostar. Sua participação faz crescer nosso trabalho e melhorar a qualidade do que fazemos e disponibilizamos aqui.

 

Obrigado a todos!

Nossa Senhora Aparecida!

aparecida Não poderia deixar passar em branco o dia 12 de outubro que é tão significativo para os brasileiros e para os cristãos católicos. Maria é uma personagem muito significativa no imaginário popular, especialmente entre os mais sofridos, pois é o símbolo de uma mulher forte, coerente em sua fé e acolhida por Deus. Mais ainda, por representar aquilo que todos nós desejamos: estar com Deus!

 

Neste blog você pode encontrar muita coisa e artigos sobre Maria e seu tema, mesmo de forma mais dogmática e algumas referências bíblicas. Basta conferir o menu ao lado. Existe até uma relação de documentos da Igreja para aqueles que querem aprofundar no tema.

 

Por hoje fica apenas uma reflexão de um santo que escreveu muito sobre a Mãe de Deus!

"A fé de Maria excedeu a de todos os homens e a de todos os Anjos. Em Belém, viu seu Filho no estábulo, e acreditou n’ Ele como Criador do mundo.

Viu-O fugir de Herodes e nunca a sua Fé hesitou em ver n’ Ele o Rei dos Reis.
Viu-O nascer e acreditou que era o Eterno.
Viu-O pobre, de tudo desprovido, e acreditou n’ Ele como Senhor do Universo.
Viu-O reclinado nas palhas e adorou-O como Onipotente.
Viu-O sem pronunciar palavra, e acreditou que Ele era a Sabedoria Eterna.

Ouviu-O chorar e reconheceu-O como a Alegria do Paraíso.
Viu-O, por fim, morrendo, exposto a todos os insultos, pregado na Cruz, e embora a fé de todos vacilasse, Maria perseverou na crença inviolável de que Ele era Deus".

(Santo Afonso de Ligório)

Alguém, em Wall Street leu Marx?

Depois de décadas defendendo uma economia liberal e palavras mágicas como “não intervenção do Estado”, “auto-regulação do mercado”, “mão invisível” e todos os outros jargões do capitalismo moderno, (Neo-)Liberal, um impasse. Ao que temos visto nos últimos dias é um descontrole total do mercado internacional, especialmente nas potências econômicas, tudo puxado pelos EUA.

Agora, pacotes econômicos desesperados injetando todo o dinheiro possível (mais de 700 bilhões de dólares, só do governo estadunidense). Ação coordenada dos Bancos Centrais na redução conjunta da taxa de juros. O que mais me chamou a atenção foi a estatização de alguns bancos na Inglaterra – um governo que acredita na não-intervenção e no estado-mínimo estatizar bancos (comprar bancos praticamente falidos) é um duro golpe no capitalismo moderno.
Alguém esqueceu, então, de ler Karl Marx, mais especificamente “O Capital”. Lá ensina que o lastro do dinheiro (capital) é a força de trabalho e o produto (mercadoria) resultante desse trabalho. Assim, algo vale pelo tempo de trabalho, pela força de trabalho gasto para produzi-lo. Mas, o que temos visto é “capital especulativo”. Dinheiro virando dinheiro. Dinheiro q não tem lastro real – dinheiro virtual. Os bancos, as bolsas e o(s) mercado(s) têm especulado com algo fictício.
Vejam o que Marx escreveu:
“O acréscimo de valor, pelo qual o dinheiro deve se transformar em capital, não pode provir desse próprio dinheiro. Se serve de meio de compra ou de meio de pagamento, somente realiza o preço das mercadorias compradas ou pagas por ele.”
Não se pode ganhar dinheiro sem uma mercadoria, sem produção.
“É preciso, portanto, que a mudança de valor expressa por D – M – D’, conversão de dinheiro em mercadoria e reconversão da mesma mercadoria em mais dinheiro, provenha da mercadoria.”
Isso soa quase como uma profecia apocalíptica. Tipo aquelas que ouvimos da boca de Jesus (esse mesmo…): “Não se pode servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16,13c). E tem mais: “O Mercenário trabalha só por dinheiro” (Jo 10,13a). Mas é o que mais temos visto. aqueles homens q trabalharam só pelo dinheiro e fizeram dele seu ídolo máximo, seu deus e senhor, agora estão por segurar as calças.
Até me lembro de uma música do Tom Zé chamada “Moeda Falsa”. É uma boa sátira com a situação atual. Se podemos rir da situação, que seja como os gênios e com arte; veja a letra:
Moeda Falsa (Tom Zé)

E logo (agora que) o Brasil, que vai ser um país rico, assim que esse diabo de petróleo acabar
O dólar é moeda falsa
Americano já não segura as calças
Alemanha quase pedindo esmola
A inglesa não usa mais calçola
Na Itália não tem mais sutiã
Suíça não lava a bunda de manhã
Ô, Cabrobó
Eles vão toma no fiofó

Transubstanciação somente do Pão?

[Comentário sobre a transubstanciação da Eucaristia, na vida da comunidade, da pessoa e do mundo à nossa volta. Estudo baseado no texto do então Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI).]

Sacramento das transformações.

Já comentei aqui em outros artigos sobre a Eucaristia (ver menu ao lado) sobre um texto do Papa Bento XVI antes de ser eleito. Um texto bem pastoral e contagiante nas palavras de devoção e amor que ele tem por Jesus presente na Eucaristia.

Segue um trexo de um comentário que fiz sobre parte dessa intervenção do Cardeal Ratzinger num congresso eucarístico na Itália em 2002. Para ler a intervenção na íntegra, clique no link: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20020602_ratzinger-eucharistic-congress_po.html

Estamos na ultima parte do texto. Muito conciso, mas profundo em teologia e espiritualidade, introduz-nos numa percepção da grande transformação que opera em nós o celebrar e receber o Pão e o Vinho. Chama aqui a Eucaristia de “Sacramento das transformações”.

Muitas palavras das formulações teológicas de séculos perderam seu verdadeiro sentido e profundidade, não pela evolução da teologia ou de outras ciências, mas por terem caído em desuso ou por simplesmente não oferecerem mais significado claro. A grande maioria do povo nunca lançou mão de tais para explicar sua fé. Isso também aconteceu com a palavra “transubstanciação”. Mesmo os teólogos evitam seu uso e uma leitura mais superficial e descuidada pode nos levar a entendimentos equivocados. Mesmo assim, neste texto, o Cardeal Joseph Ratzinger usa-a de forma magistral. Dá a ela todo o significado de transformação que a eucaristia proporciona, indo além do Pão e do Vinho eucaristizados. Como um místico cristão dos primeiros séculos faria, dando conteúdo espiritual para as formulações teológicas.

Lendo o Cânone Romano da liturgia eucarística no momento da consagração das espécies, afirma que “O pão torna-se corpo, o seu corpo. O pão da terra torna-se o pão de Deus, o ‘maná’ do céu, com o qual Deus alimenta os homens não só na vida terrena, mas também na perspectiva da ressurreição”, ressurreição essa que já começa a acontecer naquele instante. Relembra também dois textos importantes do evangelho, onde Jesus é tentado a transformar pedras em pão (Mt 4,3-4 e Lc 4.3-4) para matar sua fome, e ainda, sendo provocado, lembra que Deus pode fazer das pedras surgir filhos de Abraão, mas prefere “transformar o pão no corpo, no seu corpo”. Jesus pode dar seu corpo como alimento no pão e no vinho, pois prefigura sua entrega definitiva na cruz. “Ele pode tornar-se dom, porque é oferecido. Através do ato da doação ele torna-se capaz de comunicação”.
Começa aqui a relatar as transformações, num total de cinco delas, onde, na última ceia acontecerão três delas num único ato que gera outras duas transformações. A transformação originante, que está antecipada na ultima ceia, é o que Jesus faz com a violência sofrida, onde ele mesmo “põe fim à violência, transformando-a em amor. O ato de morte é transformado em amor. Esta é a transformação fundamental, sobre a qual tudo se baseia”. Por esta transformação é que o mundo pode ser redimido, onde o Cristo vence todo tipo de morte, vence tudo o que gera morte – “a própria morte foi transformada”. “E assim, na transformação da ressurreição Cristo continua a subsistir, mas agora de tal forma transformado, que seu corpo e o dar-se já não se excluem, mas um implica o outro”. Agora, ao recebermos Jesus, o recebemos por inteiro, não só espiritualmente, mas na sua totalidade, também em seu corpo.

Somado a isso temos a segunda transformação, dependente total da primeira e nela contida. “O corpo mortal [de Jesus] é transformado no corpo da ressurreição: no espírito que dá vida”. Isto também é antecipado na ceia, onde num mesmo momento Jesus morre na cruz e se é ressuscitado. Toda esta transformação é vivida na ceia e na entrega de Jesus. Daqui passamos para a terceira transformação que diz respeito ao Pão e o Vinho. Neles será contida toda a transformação e ação do Cristo Jesus. Estes são transformados de tal maneira que “está presente o próprio Senhor que se dá, a sua oferenda, ele mesmo porque ele é dom. O ato da doação não é algo dele, mas é ele próprio”. Pão e Vinho são transformados na presença do próprio Senhor.
Chega-se às duas ultimas transformações provenientes do que acabamos de ver. Jesus se faz presente no Pão e no Vinho com uma finalidade clara que é transformar o homem num só corpo com ele:

“Para que nos tornemos um só pão com ele e depois um só corpo com ele. A
transformação dos dons, que é unicamente a continuidade das transformações
fundamentais da cruz e da ressurreição, não é o ponto final, mas, por sua vez,
só um início. O fim da Eucaristia é a transformação de quantos a recebem na
autêntica comunhão com a sua transformação”.

E assim, “nos tornamos com Cristo e em Cristo um organismo de doação, a fim de vivermos com vista à ressurreição e ao novo mundo”. Este é o passo a ser dado para a quinta e ultima transformação. Toda a criação é participante deste evento em nós e por nós homens. A Criação também é transformada para tornar-se “habitação viva de Deus”.

Por estes passos aprofundamos no sentido da real transubstanciação que vai muito além da discussão do que acontece com as espécies eucarísticas. A totalidade da presença de Jesus não pode ser contida ou limitada pelo pão e pelo vinho, mas deve transbordar em nós que o recebemos e dele nos alimentamos. Pois não basta fazer-se presente sob o véu da aparência de pão e vinho se não promover transformações definitivas em nós homens. É preciso ir e comer, receber e beber de seu corpo, provar da transformação.
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O Brasil que queremos ser (?)

[É assunto recorrente deste blog, vou tocar neste tema mais uma vez: racismo. Tem gente que insiste em ser ignorante e orgulhar-se deste fato… vai entender!
Ah!
Dentro do assunto vou comentar sobre os 40 anos da revista Veja e o quanto é importante buscar boas leituras – e, pode ter certeza, não estou me referindo à Veja como exemplo de boa leitura (nem deveria ser lida – mas essa é minha opinião)]

Aqui já postamos inúmeras vezes contra qualquer tipo de segregação, preconceito e/ou discriminação – que, como canta o ilustre Gabriel (o pensador), “racismo é burrice”. Mas esse é um tema que parece ser difícil de penetrar as mentes mais caducas e também as mais imaturas, então, nada mais justo que insistir na correção.

Um dos textos mais brilhantes do século XX (esse que ficou pra trás) é o da Declaração Universal dos direitos humanos. Postaremos abaixo quatro de seus artigos que podem nos ensinar muito e abrir nossa mente – excelentes argumentos contra a propagação de qualquer tipo de discriminação – e pequenos comentários. Vejamos:

Artigo 1 – Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
[A grande novidade da declaração está logo na primeira frase. Não somos iguais por definição ou lei que regula e/ou torna-nos iguais; somos iguais porque NASCEMOS IGUAIS. Isto é uma condição da natureza humana.
E outra novidade: termina com um dever simples, claro e objetivo para a conduta humana – “agir com espírito de fraternidade”. Ou seja: com o sentimento de irmandade; somos iguais e irmãos.]

Artigo 2 – Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
[Se somos todos iguais, não faz sentido diferenciações. Basta um pouco de lógica para entender: Somos iguais, logo não somos diferentes; portanto, não existem diferenças entre as pessoas.]

Artigo 6 – Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
[Esse é, em meu conceito, o artigo mais importante de toda a Declaração. Pessoa tem que ser tratada como pessoa. Ser humano não é máquina, nem objeto, nem produto ou mercadoria. Sendo redundante: todo ser humano deve ser reconhecido como pessoa humana. Lógico! Mas tem gente que não entende… e mesmo assim devem ser tratadas como pessoa também.]

Artigo 7 – Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
[Repetem que não se deve fazer distinção de pessoas e vão além: também não se deve provocar, promover discriminação. É isso que vamos tratar no restante desta postagem.]

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Tenho o costume (que aprendi com meus pais) de procurar boas leituras e ser crítico mesmo com o que parece bom (as aparências enganam!). Com isso, temos lido a algum tempo a revista semanal Carta Capital e minha parte preferida é a seção “A Semana”, pelo Mino Carta. E a revista do dia 10 de setembro de 2008 foi particularmente brilhante na capacidade de observar detalhes que passam desapercebidos a olhares descuidados.

Fazendo uma crítica aos 40 anos da revista Veja, reproduziram a publicidade dela mesma sobre um seminário que realizou-se no dia 2 de setembro como forma de comemoração. Então, scaniei (acho q essa palavra não existe) a imagem e repito o comentário do Mino Carta:

“O anúncio do seminário convocado para discutir “O Brasil que queremos ser” apresentava como garotos-propaganda duas crianças caucasianas, possivelmente alemãs ou, talvez, suecas.” (leia o artigo na íntegra)

Isso fez-me lembrar de outro episódio da mesma revista que tanto apregoa ser isenta e imparcial. Em ano de eleição presidencial, justo 2006, na capa de sua revista semanal de publicação nacional a Veja publica a capa ao lado e o artigo que segue no link (http://veja.abril.com.br/160806/p_052.html) descaradamente preconceituosa, tendenciosa, parcial e incitadora de discriminação.

Está dito em letras brancas da capa: “Nordestina, 27 anos, educação média, 450 reais por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro” (revista de 16/08/2006). É o mesmo que dizer: Mal nascida, jovem, burra, pobre… Faltou só o comentário da cor da pele – ôps! não faltou, colocaram a foto dela: ela é negra.

Com certeza, o Brasil que a revista Veja defende ou quer, não é o Brasil dos brasileiros.

Acho que faltou ler a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Na banca de flores [conto]

[um pequeno conto. escrevo contos tb. é uma boa forma de esvaziar o coração! Vou tentar colocar outros aqui de vez em quando…]

Seu olhar estava fixo nas rosas. Grandes, vermelhas, pendentes de seus ramos verdes – espinhos fortes e folhas finas, claras – aos milhares, por todo o balcão do fundo da loja. Algumas juntas em seus buquês enfeitados de ramas verdes e amarelas, papel de seda branco e gotas d’água, fingindo orvalho no início de uma manhã agradável. Mas era pouco mais de meio-dia. Aquele jovem poderia passar ali a tarde toda e não conseguiria ver mais do que rosas, que lhe pareciam bem iguais. E, as rosas, ficariam ali também indiferentes ao olhar do garoto.


– Todas preferem as rosas. São as que mais vendemos. Vermelhas e as maiores – disse sorrindo a florista.
Todas as mulheres gostam de flores, especialmente rosas vermelhas. E ele pensava que não poderia oferecer o que era comum a todas as outras, já que não a considerava comum, como as outras tantas garotas que via por aí. Esta era bem diferente, lhe arrancara sentimentos, desejo de ver mais e tê-la. Agora estava a escolher rosas comuns para uma garota que deixou acanhado seu coração de uma forma incomum.
– Fazemos um buquê como este que você está vendo. Sua namorada vai adorar. É namorada, certo? Claro, garotos na sua idade só podem ter namoradas – continuava a vendedora indiferente aos pensamentos do garoto – doze dessas, ficará lindo!
Doze? Não entendeu. Uma dúzia lhe parecia pouco e também não era um número expressivo. Será que ela contaria quantas rosas havia? Provavelmente não. Nenhuma garota conta. Então, se rosas eram flores comuns, sempre em número de doze, resolveu que não mandaria as tais. Olhou à sua volta. Não era uma floricultura, era apenas um lugar pequeno, como uma pequena banca onde todas as flores ficavam expostas todas juntas, sem uma ordem aparente, formando um jardim que corria do chão ao teto com vasos pendentes e enfileirados nas prateleiras das paredes. Passavam por todo o balcão, e só eram interrompidas pela pilha de cartões de papel coloridos e dizeres poéticos de amor.
– Há outras flores… quais são as mais bonitas? – não estava falando com a florista, apenas pensando alto.
– Têm as margaridas e os vasos de orquídeas de muitas cores; as brancas são especialmente delicadas…
O rapaz já não ouvia mais a florista, penetrado em procurar nas pequenas flores a beleza que encontrou na garota que lhe fizera apaixonado. Agora já não queria algo simples, precisava que ela percebesse que estaria recebendo algo diferente. Nada de costumeiros buquês de rosas chatas – algum outro já poderia ter-lhe mandado às dúzias. Procurava pensar em algo que não parecesse igual. Caminhava por entre as pequenas espalhadas ao chão, dando passos medidos com todo o cuidado para que seus olhos percorressem cada pétala de flor ali exposta – era preciso transmitir sentimentos.

– Posso fazer um buquê de lírios. Com dezoito deles – mais uma vez falando em voz alta.
– Lírios? Não se faz buquê com lírios. Além disso ficará muito grande com tantas flores. Os lírios são mais caros que as rosas e as rosas ainda são as flores da paixão… – interrompia a vendedora.
– Rosas são comuns demais. Posso mandar um buquê grande sim, mas como um pequeno jardim e enfeitar os lírios com as cores de outras pequenas flores. Salpicamos dessas ramas verdes e amarelas, entremeadas das margaridas amarelas…dezoito lírios. É o nosso número – não parava de pensar.

Provavelmente ela não contaria o número de lírios presentes e também não conseguiria carregar sozinha o pequeno jardim. Mesmo assim, queria marcar de símbolos aquele presente, que insistia, não poderia ser igual aos outros. Sem entender muito, a florista estava admirada com a criatividade do garoto e poderia emprestar um pouco de sua técnica em somar as cores das flores e dos papeis de seda. Não era preciso que ele explicasse muito mais, já entendia que se tratava de um amor novo.

A florista terminou o pequeno jardim imaginado pelo jovem. Ele gostou muito e só faltava entregar à sua garota. Escreveu também um cartão novo, já que não queria comprar esses com poemas já impressos, precisava de algo de si. Mais papel de seda e, dobrando, escreveu com letra cuidadosa o nome dela, que agora era seu mantra.
Esperou que terminasse de fazer o presente e, depois de colocar o cartão por entre tantas flores, despediu-se. Esperaria em casa até a hora de poder encontrar com sua amada e receber dela um sorriso como prêmio.

A florista, caminhando pelas ruas, via a admiração do todos que por tal jardim passavam, e todos sorriam. Bateu à porta da jovem que abrindo a porta, sorriu também. Uma lágrima de alegria correu de seus olhos que também sorriam pelo presente inesperado. E, antes mesmo de recebê-lo, chamou pelo nome de seu namorado – nem foi preciso que a florista dissesse de quem vinha, nem que a assinatura no fim do cartão fosse lida – ela sabia de onde vinha. Abriu os braços acolhendo aquele jardim.

Levou até seu quarto, achou o cartão entre as cores e, terminando de ler, contou os lírios.
– Dezoito… são dezoito lírios… nosso número! Meu pequeno jardim!

42. Pessoa de Cor.

Em vista dos Jogos Olímpicos em Pequim daqui alguns dias, gostaria de retomar um tema importante para a humanidade nesses tempos onde todos se vêem juntos em um mesmo evento e momento.

Vamos celebrar as glórias humanas e a grandeza de toda a humanidade em sua variada cultura e grande diversidade de fenótipos (difenrentes características físicas exteriores).
Pois é isso que somos: uma só família de uma mesma raça – A Raça Humana!

Nesse blog mesmo já comentei sobre isso:
http://lemosideias.blogspot.com/2007/11/raa-humana.html

E aí, vi mais outro relacionado e muito divertido, que coloco abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=gC48cVVmUog

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40. Vocação dos Leigos no Mundo.

[pequeno comentário da Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI, de João Paulo II. Apenas para motivar o ineteresse pela leitura do texto na íntegra.]

Continuando o artigo anterior, que fala um pouco das escolhas que fazemos ou preferimos, gostaria de citar e comentar um pequeno trecho que achei na supra-citada exortação onde trata do lugar do leigo na vida e missão da Igreja no mundo.

Como no texto anterior eu tratei das dificuldades, continuo nessa linha aqui. Não quero que ninguém se engane em pesnsar que estar no caminho seja coisa simples e facil. Grandes são os desafios e, talvés, o maior deles seja qual o nosso lugar no mundo como testemunhas da fé em Jesus Cristo.

Vejamos:
“(…) Os fiéis leigos não tem estado isentos de dificuldades e de perigos.”
Citarei e comentarei por partes um pequeno trecho do parágrafo 2, tema que é aprofundado no documento do Papa nos parágrafos 16, 17, 23, 24, 33, 35, 36, 37, 51 e 52 especialmente. Estas partes tratam mais especificamente sobre os desafios enfrentados principalmente pelas famílias.

“Em especial podem recordar-se duas tentações, de que nem sempre souberam desviar-se:”

1) “a tentação de mostrar um exclusivo interesse pelos serviços e tarefas eclesiais, por forma a chegarem frequentemente a uma prática abdicação das suas responsabilidades específicas no mundo profissional, social, económico, cultural e político;”
Esse é um grande perigo. Os leigos têm de viver inserido na sociedade e no mundo como luzes a brilhar o evangelho ao mundo. Não podem se esconder de sua responsabilidade de testemunhar Jesus no trabalho, nos estudos e na vida social, inseridos totalmente na realidade humana, sem fugir da responsabilidade de viver cristãmente.
As tarefas e serviços na Igreja são fonte para fortalecer a vida e ajudar a guiar-nos no caminho de Cristo, sem nos deixar perder pelas tentações do mundo, mas não podemos, em momento algum negar a responsabilidade de estar no mundo.

2) “e a tentação de legitimar a indevida separação entre a fé e a vida, entre a aceitação do Evangelho e a ação concreta nas mais variadas realidades temporais e terrenas.”
Transformar a realidade à nossa volta nos moldes cristãos, segundo o ensinamento do Evangelho de Jesus. Não podemos aceitar que a fé e a vida andem separadas. Aquilo que cremos tem que ser aquilo que vivemos e praticamos. A fé tem que ser modelo de vida e a vida tem que refletir a fé que professamos.

Vale a pena a leitura de todo o documento e entender os caminhos do Evangelho na vida cotidiana. Devemos ser luz no mundo.

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Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI – João Paulo II (na íntegra e em português).

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39. Ter pra não Ser.

[Eu poderia começar este artigo falando assim: “Diante dos desafios desse mundo para a vida cristã…” – Mas ficaria parecendo que estou reclamando do mundo em que vivo.]

Desafios há para todos, seja qual for a vida que queira viver ou ideais que escolha para pautar seu caminho. Desafio mesmo é ser cristão em qualquer lugar, seja onde for. Aquele modelo, Jesus Cristo, é um ideal árduo de se seguir e, viver em clausura, isolado do resto e das tentações não é uma opção possível (não pra todos – e nem estou dizendo que seja fácil também, não!).

É que, pra viver nesse mundo, temos que “viver no mundo”.

Temos que trabalhar, estudar, ganhar dinheiro, divertir… trabalhar mais… tentar ganhar mais dinheiro… sustentar um padrão de vida – quase novela das 8 – e trabalhar mais um pouco. E, claro, é preciso mencionar a escassez de tempo (quem não reclama da falta de tempo?!?). Daí, tempo é dinheiro. Só não sei onde tem pra vender esse tal de tempo: muita gente gostaria de comprar umas horinhas a mais por semana – uns pra trabalhar mais e ganhar mais dinheiro pra comprar mais “tempo”; outros só pra ter um pouco mais e continuar reclamando que ainda falta (difícil agradar a todos!).

Partindo dessa lógica poderíamos até entender porque alguns não têm “tempo pra Deus”. E não falo só de ir à igreja – como se isso significasse “ter tempo pra Deus”. Mas falta tempo até pra ser o que julgamos ou dizemos que somos. Não dá pra ser cristão o tempo todo (quase hora nenhuma), que dirá ser alguém.

Aí encontrei na minha bíblia (tem na bíblia dos outros também) uma conversa de Jesus com um sujeito sem nome que começa da seguinte maneira:

Mt 19,16-22
“Alguém aproximou-se de Jesus e disse: ‘Mestre, o que tenho que fazer de bom pra ter a vida eterna?'”

Como todos conhecem esse trecho (eu acho!?!), vou tratar do que sei que ninguém repara ao ler.

O escritor desse evangelho começa dizendo que um qualquer, alguém indefinido, sem identidade conhecida, alguém sem importância ou relevância suficiente para a narrativa, aproximou-se de Jesus para falar. Isso é bem significativo se pensarmos em quantos já se aproximaram de Jesus e quantos são relevantes e quantos são ignorados. Mas tenho certeza que não foi Jesus quem o ignorou.

Continua: esse tal quer saber como faz pra TER a vida eterna. Basta uma resposta simples e objetiva de Jesus para ele ficar satisfeito. Quer uma receita pronta, um produto pra comprar e levar pra casa com manual de instrução simples de ler e sem complicação pra montar. Nada que tome muito tempo ou que envolva muito compromisso.

Parece com o que temos hoje em dia com as quase mercadorias religiosas. Religião é um tipo de supermercado das alegrias fáceis e da total falta de compromisso: levo o que digo que convém, Deus que se adapte às minhas necessidades. Tem gosto pra tudo, e tudo pra todo gosto; religiosidade de todo tipo e preferência; claro, sempre sem precisar se comprometer com nada e sem tomar o seu precioso tempo que ainda não está à venda no mercado!

O que poucos sabem é que não dá pra TER a vida eterna; não é mercadoria.
[agora fiquei na dúvida se eu precisava mesmo ter escrito isso aí!?! não é óbvio? – vai saber! Pra garantir, escrevo assim mesmo.]

Pra quem quer TER, possuir a vida eterna como um bem de consumo qualquer para pessoas quaisquer, a resposta de Jesus não poderia ser noutro tom:

“Se você quer SER perfeito [bom], vai, vende tudo o que você TEM, distribui o dinheiro pros pobres, e assim poderá TER um tesouro no Céu. Depois [só depois] vem e segue-me.” (vv. 21)

Esse Jesus não está preocupado com o “ter”, mas com o SER. Importa ser alguém. Esse que começou falando com Jesus chegou como um qualquer, como “alguém” dentre muitos. Na narrativa ele não É (do verbo “ser”) relevante, pois valoriza os bens mais que sua própria identidade – quer apenas possuir.

Jesus, ao contrário, quer as pessoas inteiras, com identidade, que saibam o que SÃO (do verbo “ser”) que têm identidade.
Mas, o final da história é triste. Esse tal não entendeu, foi embora sem abandonar seu apego ao “ter”:
“… o jovem foi embora cheio de tristeza, pois possuía [“possuir” e “ter” dá na mesma] muitos bens.” (vv. 22)
Ele preferiu continuar sem identidade.

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[O próximo artigo será continuidade desse e um comentário de um trecho da Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI de João Paulo II, exatamente sobre os desafios de ser cristão no mundo de hoje.]
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