Caso Neymar: O fim da honra e do Mérito

Esporte agora é só comércio e dinheiro. Acabou-se o mérito a competitividade e o “que vença o melhor”. O caso Neymar do Santos F.C. é o típico produto do que fizemos do nosso futebol arte após o time de 1982. E ainda tem o caso dos irmãos Bueno. Mas o pior mesmo é o exemplo que estamos criando para as gerações: até no esporte só vence quem tem dinheiro… Um vídeo para mostrar minha opinião (indignada) com tudo isso.

Ir direto para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=qdhIOtSNI9g

41. Patrimônio Imaterial.

Capoeira sempre foi nossa expressão cultural das mais significativas. Esta é uma arte que demonstra do que somos feitos, nós os brasileiros. Não só a nossa cor da pele é uma mistura de todas as outras que existem, mas também nossa cultura foi sendo formada daquilo que de mais belo há nas outras culturas; até mesmo nossa forma de fazer religião.

Mesmo sendo uma mistura, a cultura brasileira é toda original e completamente nova. Haja vista nosso Samba e a Bossa-Nova, para citarmos apenas a música – que também estão na lista de nosso patrimônio imaterial. (Só lembrando que a Bossa-Nova completa esse ano 50 anos)

Aí temos a capoeira que, não só é uma luta da resistência dos mais pobres (não só os negros), mas é também arte de música, dança, folclore, esporte e educação. Prova da nossa capacidade de síntese e integração de nossos desejos e adaptação diante das intemperes.

Antes era a luta dos vadios, dos vagabundos.
Agora consta no Livro dos Saberes o ofício de Mestre de Capoeira.

Ser verdadeiramente reconhecido Mestre na arte da capoeiragem é algo complicado e demorado. Não basta ser sabedor da luta ou dos instrumentos, nem ter muitos alunos ou grandes academias. Não vale um simples diploma ou a graduação na cintura. Reconhecimento de Mestre é para poucos e gasta-se muitos anos.

A capoeira, como conhecemos hoje teve dois mestres: Bimba e Pastinha. Estes sempre ensinaram: a capoeira é de todos e é pra todos.
E, quando perguntaram para Mestre Pastinha o que era a capoeira, ele respondeu: “Capoeira? Capoeira é tudo o que se come!”
Ainda bem que veio o Titãs para ensinar:
“Você tem fome de que?…
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…”
[música: Comida]

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Notícias:
_ Jornal Nacional: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL647862-10406,00-CAPOEIRA+E+PATRIMONIO+DE+TODOS+OS+BRASILEIROS.html
_ Terra: http://diversao.terra.com.br/interna/0,,OI3010688-EI3615,00.html
_ Ministério da Cultura (Aviso de pauta): http://www.cultura.gov.br/site/2008/07/10/aviso-de-pauta-32/

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30. A luta da Senzala

As senzalas eram as casas dos escravos negros nas terras coloniais portuguesas, o que comumente chamamos hoje de Brasil. Estas “casas” eram, em alguns casos, os porões da Casa Grande – a casa do “Senhor do Engenho”, do patrão, do dono da fazenda, o escravisador.

Lá amontuavam-se às centenas, em condições sub-humanas e degradantes.

Mas, falar da desgraça daquela gente, não conta a história toda e pode ser injusto. É interessante contar a história de superação mais do que a história de vergonha do homem branco que foi (e em alguns casos ainda é) incapaz de reconhecer humanidade no outro.

Superações são milhares: percorreriamos a história de Zumbi à feijoada. Um que ganha status de heroi para nossa cultura e outro que passou a ser servido até para reis. Mesmo diante do improvável, aqueles homens e mulheres enchiam-se de força para acreditar na liberdade e sonhar com igualdade.

Neste contexto de opressão, surge uma luta de fato. Misturando-se das diversas artes de guerra corpo-a-corpo dos povos e tribus que vieram da África, adentra o século XX e é moldada pelas mãos de Vicente Joaquim Ferreira Pastinha e Manuel dos Reis Machado (Bimba), aclamados mestres e criadores da capoeira moderna.

Essa luta disfarsa-se de música, esconde-se na malícia e na vadiagem, uma quase arte quando dança, canta e bate palmas. Confundida com a religiosidade afro dos terreiros e levada às academias granfinas. Tudo isso para servir como arma de contestação e servir como ferramenta de aceitação e alegria de um povo.

Essa semana que passou, no dia 5 de junho, foi o aniversário do Amadeu Martins (Mestre Dunga). Outro que fez da capoeira em balet, voltando-a para as ruas de Belo Horizonte a mais de 40 anos. Curioso é como construiu a sua casa numa das favelas de lá. Sua casa é sua academia e por lá treinaram muitos mestres e professores dessa arte, a capoeiragem. Chama o lugar de Senzala, pra não esquecer sua origem: é um quase porão, pobre, mas que na poeira daquele lugar respiramos a tradição e a história de nossa cultura, cantada, dançada e jogada com os braços e pernas.

Quem quiser pode ir lá. A capoeira não discrimina, nem vê a cor da pele ou compara riquesas e pobresas. É uma forma de falar de gente e integrar pessoas, pois exige saber interagir pra prevalecer a beleza, mesmo quando se está lutando.

[ Menino, quem foi seu mestre? ]