Caso UNIBAN: usar mini-saia é crime?

Não se pode impor uma moral a ninguém, nem forçar outro a agir como eu acredito ser certo ou errado. No espaço público só cabe o direto à individualidade e todos temos que respeitar a opção alheia. Tolerância, diálogo e respeito são princípios éticos mínimos para a vida em sociedade, especialmente em um país tão diversos como é o Brasil. E, quem diria, justo no Brasil tropical, usar mini-saia pode gerar até expulsão em faculdade. Mas discriminação e intolerância não tem problema e é até louvável. #vergonhaAlheia

Nem é preciso aqui narrar o ocorrido do dia 22 de outubro (2009) na UNIBAN, uma universidade particular de São Paulo. O melhor é que a internet e os modernos celulares, hoje em dia não deixam escapar nada. Vimos, estarrecido os gritos insanos de universitários-classe-média, chamarem de “PUTA” a colega que usava um vestido curto.

Não importa o que gerou o tumulto de fato: se o desrespeito dos colegas intolerantes ou alguma provocação da aluna. Nada justifica intolerância e atitudes como a que assistimos. Mas o que quero dar destaque é à atitude da universidade que publicou em nota na Folha de São Paulo a expulsão da aluna. Veja a imagem (clique para ampliar. Fonte no link):

aluna-uniban-nota-jornal

Alguns trechos que mostram o total despreparo da universidade em lidar com a situação tornando culpada a aluna:

“(…) A aluna fez um percurso maior do que o habitual, aumentando sua exposição (…)”

“Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar.

Os grifos são meus.

Mas o melhor de tudo é o que vem das manifestações de repúdio sobre esse ato de intolerância: como a internet é uma grande praça pública, a credibilidade da UNIBAN foi posta à prova e o descontentamento é geral como pude notar no Twitter, após o anúncio da expulsão da garota.

Veja essa matéria para completar: UNIBAN anuncia expulsão de aluna hostilizada por usar minivestido.

Mas temos uma mania estranha no Brasil de pervertermos tudo, destruir valores e impor uma falsa moralidade cristã, que chega a dar nojo. Nenhuma atitude da garota, fosse o que fosse, justificaria a hostilidade e intolerância dos colegas, nem a expulsão da faculdade. E a credibilidade da UNIBAN foi jogada no ralo.

ATUALIZAÇÃO (09/11/09 às 20:15h): A reitoria revogou a decisão do conselho universitário de expulsar a aluna. Acredito que a pressão da opinião púbica fez eles repensarem a ação. Conforme nota, que não explica o porque da nova decisão, diz:

“O reitor da Universidade Bandeirante – Uniban Brasil, de acordo com o artigo 17, inciso IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão.”

O mínimo que deveriam ter feito é uma reunião interna para deliberar sobre o assunto, antes de expor a aluna e a UNIBAN nessa situação vexatória, que resulta em uma imagem manchada. O debate sobre o papel das universidades e a importância do respeito ao indivíduo, ao menos, foi fortalecido.

Link da nova notícia: Uniban revoga decisão de conselho que expulsou aluna hostilizada por vestido curto.

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