3. República.

Quando dividem as palavras para encontrar seus significados é como olhar para a origem de seus conceitos, da intimidade de seu uso corrente. Para o dia de hoje – 15 de novembro – para nós os brasileiros, olhar para a intimidade de nossa história com os conceitos de uma palavra tão velha, pode nos ajudar a cuidar do novo, daquele que nasce agora.
Queriam ver o futuro. E, atavicamente, nos deram possibilidades, aqueles que em nosso nome ordenaram esta nação. Quantas possibilidades? Mesmo assim, ficaríamos tristes em imaginar o quanto desperdiçamos. Então, a pergunta que precisamos responder hoje é: como se constrói uma República? Na sua origem, significa – dividindo a palavra – “coisa pública”.
O homem se organiza em sociedade, depois de sair do “estado de natureza” (veja Kant, Hobbes e outros), firmando um “contrato social”, temos o Estado. É o homem organizado, civilizado.

Interessante é ler Platão e ver sobre o que ele escreveu em “A República” (sabe-se lá quantos séculos antes de Cristo). Ele imaginava, dando voz a Sócrates, por diálogos, não um Estado como entendemos hoje, mas uma “Cidade ideal”. O que mais chama a atenção é que tal autor gasta tempo e palavras, num grego clássico (claro!), explicando como deveria ser a educação, a formação intelectual daqueles responsáveis pela segurança da Cidade – segurança aqui significa governá-la bem.
Não quero aqui debater sobre educação em nosso país. Mesmo, porque, depois de tantos anos já sabemos que isso é primordial para nosso desenvolvimento. Ouvindo meu professor de História Contemporânea, numa aula sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro no século XX (o que passou), refletíamos o que torna um país desenvolvido de fato. Por muitas décadas acreditamos que bastavam fábricas, estradas e tecnologia, além de capital e trabalho, para fazer crescer nossa jovem república federativa, chamada Brasil.

Se caminharmos por cidades de alguns países como a Inglaterra, Suíça ou Alemanha, não precisamos visitar seu parque industrial ou seus centros tecnológicos ou verificar o quão elevado é o PIB daqueles para saber o quanto são desenvolvidos. Penso que basta-nos olhar para as pessoas nas ruas. Bem-estar social, qualidade de vida. É pela qualidade de vida, com índices de desenvolvimento humano altos e distribuição de renda que se faz uma “coisa” realmente pública, para o povo, democrática. Pena que o máximo que podemos pensar em “distribuição de renda” sejam programas de transferência de renda – o que não é a mesma coisa, nem promove o tal desenvolvimento de que precisamos.

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