29. Favor queimar estes livros.

Foi publicada uma matéria na Folha de São Paulo, do dia 17 de Maio de 2008, que conta da decisão do Ministério Público da Bahia de recolher o livro “Sim, Sim! Não, Não!” do Padre Jonas Abib, fundador da comunidade católica Canção Nova.

O motivo: contém críticas a práticas espíritas e de religiões afro-brasileiras.
Alguém poderia dizer que o Padre tenha sido um pouco duro em suas colocações. Eu mesmo nunca li o livro, mas acompanho o trabalho da CN a mais de 10 anos e tenho um amigo vivendo nela. O Padre Jonas não é um qualquer falando ou criticando algo que ele não conheça. Trata-se de um padre – com formação acadêmica séria: teologia e filosofia; um homem da mídia e notório pregador da fé cristã católica. Quando o vemos falar ou lemos o que escreve, percebemos um homem culto e bem fundamentado em seus argumentos. Tem o respaldo e o apoio de muitos bispos e o testemunho de um trabalho consagrado e reconhecidamente forte no Brasil e no mundo a mais de 30 anos.

Mas, mesmo que se tratasse da opinião de um qualquer, censurar um livro e proibir sua venda é ato, de um orgão público (do Estado), lícito num país que se diz democrático???

Lutamos décadas pela liberdade que temos hoje e a possibilidade de nos expressarmos como quisermos. Foram longos anos de ditadura e mordaça. Vencemos os medos. Se estamos num “país livre” (adoro essa expressão – acho que já não significa nada; foi esvaziada de significado pelos discursos estadunidenses, mas…), nada mais justo o debate, até no âmbito religioso.

Eu, como teólogo, tenho que defender o Padre Jonas Abib. Se não pudermos comparar o que cremos com o que está aí no “mercado religioso”, nosso trabalho será apenas andar em círculos e nos fecharmos dentro de nosso mundo cristianizado.

Aqueles que discordam do sr. Padre Jonas, escrevam seus livros. Debatam. Pensem.

.

P.S.:
Os Srs. Promotores da Bahia não têm nada mais grave pra investigar?
Não é do nordeste que vêem as principais denúncias de prostituição infantil e turismo sexual no Brasil???
Acho que isso é mais importante que a opinião do Padre sobre Candomblé e tem mais a ver com o trabalho do Ministério Público.

[Copiei a idéia desse artigo do blog: Xô Censura.]

Deixe uma resposta