11. Entre o Céu e a terra

Como pode estar presente e ausente?
No domingo chamado “Ascensão do Senhor”, que na liturgia Católica – e aqui no Brasil – entra no lugar do VII Domingo da Páscoa, temos dois relatos que numa primeira leitura podem parecer contraditórios. Ao compararmos a leitura de Atos 1, 1-11 com a conclusão do evangelho de Mateus 28, 16-20, fica claro que os dois autores estão tratando de momentos diferentes de encontros com Jesus após a sua ressurreição.

No evangelho Jesus promete: “Eis que estou convosco todos os dias” (vv. 20b). Ele mesmo dá as direções e as ordens. Segundo sua vontade os apóstolos são enviados por todo o mundo; e completa: “ensinai a todas as nações” (vv. 19). O mesmo se dá no livro dos Atos dos Apóstolos quando ele afirma: “sereis minhas testemunhas (…) até os confins do mundo” (vv. 8).

Mas o que parece contraditório vem a seguir desta afirmação em Atos. Aquele mesmo Jesus que no evangelho diz que ficará “todos os dias” presente, é visto subindo para o céu em meio às nuvens. Então, em que acreditar? É possível crer no Jesus que vai, volta para o Pai, e crer também no Jesus que diz ficar, como aquele que está presente mesmo sem se notar. Mesmo que alguns se contentem em responder que Jesus fica presente agora pela ação do Espírito Santo que age na Igreja, isso acabaria confundindo os dois. Lembremo-nos: Jesus e o Espírito Santos são distintos, mesmo que formem o único Deus da profissão de fé cristã, com o Pai. Assim, Jesus não pode estar presente pelo Espírito.

Sua presença se manifesta pela esperança e pela fé. O vemos agir na nossa conversão cotidiana e no desejo de seguir seus passos e no construir seu Reino. É o testemunho – que Ele ordenou – que o faz vivo em nosso meio.

Aquele que se diz presente no meio de nós e que está no Céu junto do Pai, é quem garante a unidade entre o Céu e a Terra. O Magistério da Igreja ensina assim:

“A encarnação do Senhor e a sua ascensão tornaram possível a comunicação entre o céu e a terra, insinuada na visão da escada de Jacob (cf. Gen 28, 12) e preanunciada pelo próprio Cristo (cf. Jo 1, 51). O Apocalipse, com o altar do Cordeiro no centro de Jerusalém que desce do céu sobre a terra, é o arquétipo do culto cristão: é adoração de Deus por parte do homem e comunhão do homem com Deus. O Cânone Romano, na invocação Supplices te rogamus*, alude ao “altar do céu”, porque de lá desce a graça d’Aquele que é o Ressuscitado e o Vivente, e se realiza o admirável intercâmbio que salva o homem.” (Lineamenta – XI Sínodo do Bispos par. 29)

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* Supplices te rogamus

Supplices te rogamus, omnipotens Deus, jube hæc perferri per manus sancti Angeli tui in sublime altare tuum, in conspectu divinæ majestatis tuæ: ut quoquot ex hac altaris partecipatione sacrosanctum Filii tui Corpus, et Sanguinem sumpserimus, omni benedictione cælesti et gratia repleamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

Suplicantes vos rogamos, ó Deus onipotente, que, pelas mãos de vosso santo Anjo, mandeis levar estas ofertas ao vosso Altar sublime, à presença de vossa divina Majestade, para que, todos os que, participando deste altar, recebermos o sacrossanto Corpo, e Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de toda a bênção celeste e da Graça. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

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